quinta-feira, 29 de outubro de 2009

SALAZAR III


É hoje apresentada em Washington a obra de Filipe Ribeiro de Meneses Salazar - A Political Biography. Porque se trata do primeiro estudo académico sobre o antigo presidente do Conselho de Ministros, que durante 40 anos governou a nação, e porque é a primeira obra escrita em língua inglesa sobre um homem político que profundamente marcou o seu país, saúda-se a sua publicação.

Importa que os admiradores e os adversários de Salazar leiam um livro que se presume sério e documentado, ainda que o autor, investigador português a trabalhar na universidade de Dublin, afirme a impossibilidade de analisar exaustivamente, por falta de tempo e de espaço (as páginas das editoras têm limites) , a vida e a obra de uma figura indelével da história de Portugal.

Aguarda-se que a edição original chegue rapidamente às nossas mãos e que, muito em breve, possamos dispor de uma cuidada tradução portuguesa, a fim de se iniciar um estudo sério, e tão isento quanto possível, da acção política de Salazar (é aí que reside o principal interesse da obra), já que até hoje existia unicamente a biografia, sem dúvida meritória mas visando outros propósitos, realizada por Franco Nogueira.

Talvez esta obra revele facetas inéditas de Salazar, mas só a sua leitura, que certamente aproveitará a apoiantes e inimigos do Estado Novo (regime que o autor não confunde com o próprio Salazar), permitirá que se confirmem ou infirmem as opiniões por uns e por outros expendidas ao longo dos anos e sustentadas até hoje.

3 comentários:

Anónimo disse...

Será com certeza um contributo válido para a história de Salazar e de Portugal

Anónimo disse...

Sendo o autor filho do Embaixador Ribeiro de Menezes,esperemos que o contacto juvenil com as artes diplomáticas proporcione espaço e tempo na sua obra para o aspecto que me parece mais válido da acção de Salazar,ou seja a sua política externa de 36 a 46. A intervenção junto de Franco,coadjuvada pelo excelente Theotónio,de modo a reduzir as influências pró-nazis dos Suñer e companhia,foi relevante,e apreciada em Londres. A dignidade e argúcia que caracterizaram a posição portuguesa na II Guerra,quase sem excepção,constituem dos pontos mais altos da nossa história recente,pese isso embora a alguns comentadores de pacotilha que às vezes murmuram parvoíces. Ao fim de tantos anos,ainda estou para ver publicados os telegramas que Churchill e Truman enviaram a Salazar no fim da guerra na Europa,reconhecendo o papel de Portugal na vitória. Será que Menezes os publica? Aguardemos que a Amazon nos entregue o volume.
Segundo o autor do blog,Salazar e Estado Novo não se confundem. Julgo que se não se confundem a 100% confundem-se a 95%,e esse é um dos vários motivos porque o regime se afunda após a morte do seu máximo responsável. Em que consistia o regime para alem da direcção de Salazar? Por isso parece que Menezes aludirá à indefinição ideológica como meio de garantir a flexibilidade necessária à manutenção do poder. Mas isso veremos.
Não me parece que seja a primeira obra publicada em inglês sobre Salazar.Mas é curioso que até o autor do blog reconheça que será a primeira obra de análise académica aprofundada. E logo em lingua inglesa,imagine-se! Se o autor não fosse tão obnubilado por um anti-americanismo e anti-anglicismo tão excessivos,para não usar por cortesia outros adjectivos que me ocorrem fàcilmente,o teor geral deste espaço muito beneficiaria.Mas o espaço,claro,é seu,e só cá vem quem quer. Mas é pena...

Do Médio-Oriente e afins disse...

PARA O ANÓNIMO DAS 12:48:

É o próprio autor do livro que refere numa entrevista existir uma grande diferença entre Salazar e o Estado Novo. Como ainda não li a obra, mais não posso dizer quanto às afirmações de Meneses.

Quanto às afirmações do comentador, não me considero nem anti-americano nem anti-britânico, limito-me a constatar a realidade, quer a presente, quer a que a história mais isenta revela, e a concluir em conformidade com ambas.