sábado, 20 de julho de 2019

RHODES VII - TEMPLO DE APOLO




O Templo de Apolo fica situado na colina da Acrópole, a sul e no exterior da Cidade Medieval. Construído em estilo dórico, data do período helenístico (III ou II século AC), e foi posto a descoberto pela Escola Italiana de Arqueologia de Atenas entre 1912 e 1945.


Restam poucas colunas da edificação original mas o local tem próximo o teatro antigo e o estádio, além de ruínas dispersas.


O local é também conhecido por Monte Smith, do nome do almirante inglês William Sydney Smith.
 

Alguns investigadores sustentam que o famoso Colosso de Rhodes, uma das Sete Maravilhas do Mundo, não se encontrava à entrada do Porto de Mandraki, versão mais comum, nem mesmo no local onde viria a ser erigido o Palácio dos Grão-Mestres, mas exactamente na Acrópole.



RHODES VI - IGREJA DE EVANGELISMOS




A Igreja de Evangelismos (São João Evangelista), é a catedral ortodoxa de Rhodes. Foi construída em estilo gótico, junto à entrada do porto de Mandraki, segundo o modelo da antiga igreja de São João existente junto ao palácio dos Grão-Mestres e que, já depois de transformada em mesquita após a conquista otomana, foi destruída por uma explosão acidental. É também dedicada à Anunciação e possui valiosos frescos. Foi construída em 1925, durante a ocupação italiana, utilizando pedra da cidade medieval e é o mais importante monumento da cidade nova.









quarta-feira, 17 de julho de 2019

RHODES V - AS MESQUITAS


Mesquita de Solimão

Durante séculos a ilha de Rhodes pertenceu ao Império Bizantino. Após algumas situações um pouco confusas, passou a ser património da Ordem dos Cavaleiros de São João de Jerusalém que, no século XIV, aí instalaram a sua sede. No século XVI a ilha seria conquistada pelo sultão otomano Solimão, permanecendo em poder dos turcos até ao século XX.

Mesquita de Solimão

É por isso natural que existam mesquitas em Rhodes. Algumas construídas de raiz, outras que ocuparam espaço de igrejas cristãs e foram posteriormente desafectadas do culto muçulmano, aquando do fim do domínio da Sublime Porta.

Mesquta de Solimão

Consegui identificar algumas das mesquitas de Rhodes, mas só numa tive possibilidade de entrar. Parece que há duas que abrem em dias especiais para festas dos muçulmanos ainda residentes na ilha, estando as restantes encerradas e em péssimo estado de conservação. Sendo monumentos que representam quinhentos anos de história, lamenta-se que, para lá da diversidade de crenças e de alguma animosidade prevalecente, este património não seja devidamente cuidado, inclusive para fins turísticos.

Mesquita de Solimão

A mesquita mais importante é a de Solimão (Suleymaniye Camii), construída após a conquista da ilha e que recebeu o nome do sultão em comemoração do facto. Encontra-se situada na Rua Orfeos e foi reconstruída em 1808.

Mesquita de Sultan Mustafa
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Yeni Hammam
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A mesquita de Sultan Mustafa está situada na Praça Arionos e tem ao lado o edifício dos banhos públicos (Yeni Hammam), que foi primitivamente uma capela franciscana. Foi construída em 1758 pelo Sultão Mustafa III. Os minaretes foram demolidos e é hoje usada para cerimónias de casamento dos turcos da ilha.

Mesquita de Mehemet Agha

A mesquita de Mehemet Agha encontra-se no cimo de um edifício, a meio da Rua Sócrates. obliquamente em relação à rua, por causa da orientação para Meca. Possui um minarete de madeira e uma varanda no telhado.

Mesquita de Ibrahim Pasha
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A mesquita de Ibrahim Pasha, na Praça de Platão, data de 1531, mantém-se em funções e foi a única que pude visitar.

Mesquita de Sindrivan
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A mesquita de Sindrivan está também situada na Rua Sócrates, sobre um edifício, no caminho para a Porta da Marinha. Presume-se que foi construída em 1888. Terá existido anteriormente no local, no tempo dos Cavaleiros, uma igreja dedicada a São Sebastião. Foi encomendada por Sinan Bey e encontra-se num andar.

Mesquita de Recep Pasha

A mesquita Recep Pasha encontra-se na Praça Dorieos e terá sido encomendada pelo titular em 1588, segundo uma inscrição existente no local. Tem adjacente uma fonte onde os muçulmanos faziam as suas abluções.

Mesquita de Murat Reis
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A mesquita de Murat Reis é uma das mais antigas da ilha. Construída fora das muralhas, próximo do actual Teatro Nacional, está rodeada de jardins e de um cemitério. Aí está sepultado o titular, que foi um dos mais importantes comandantes navais do Império Otomano.

Biblioteca Muçulmana
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A Biblioteca Muçulmana foi fundada em 1793 por Hafiz Ahmet Agha, está situada em frente à mesquita de Solimão e encontra-se devidamente preservada. Possui uma importante colecção de manuscritos turcos, árabes e persas, narrando especialmente o cerco e a conquista da ilha. A primeira sala está aberta ao público.

A indicação de algumas datas é aproximada, dependendo das fontes consultadas.

quinta-feira, 11 de julho de 2019

ALEXANDRIA , OUTRA VEZ




Acabei de ler Jours d'Alexandrie, de Dimitris Stefanàkis, livro publicado em 2007 mas só mais recentemente traduzido do grego. Trata-se de um vasto fresco (quase 600 longas páginas) sobre a notável cidade, desde os tempos imediatamente anteriores à Primeira Guerra Mundial até à tomada do poder no Egipto pelos "Oficiais Livres" e Gamal Abdel Nasser, em 1952.

O tema é a vida de uma abastada família egípcia (grega), ao tempo que em que a vida na cidade estava ainda organizada por comunidades, e onde os gregos detinham um poder fundamental, porventura eventuais reminiscências de Alexandre Magno.

São abordados os mais diversos aspectos da vida desse tempo no Egipto (e também na Europa, por arrastamento óbvio). Dos assuntos estritamente familiares até aos profissionais, políticos, económicos, sociais, sexuais, ao contrabando de antiguidades, à corrupção, à progressiva transformação do estilo de vida.

Este livro pouco ou nada tem a ver com o célebre Quarteto de Lawrence Durrell, mas a cidade é a mesma. E é um prazer para o leitor a referência a tantos locais que conheceu ou outros de que apenas ouviu falar porque já não existiam das vezes que visitou Alexandria. Aliás, Constantin Cavafy, o grande "poeta da cidade" é citado apenas, e brevemente, duas vezes, mas Cavafy não era uma figura muito conhecida no seu tempo. A glória foi-lhe póstuma.

 O centro da história é a comunidade grega de Alexandria, e também a judaica, a italiana, a levantina, a copta, etc. Tal como na obra de Durrell, os egípcios árabes (muçulmanos) servem apenas para compor a paisagem local. Assim foi até aos anos cinquenta do século passado.


domingo, 7 de julho de 2019

RHODES IV - IGREJA PANAGIA TOU KASTROU




A Igreja Panagia Tou Kastrou (da Virgem do Castelo) era a catedral bizantina de Rhodes, cuja arquitectura remonta ao século XI. Era uma igreja em forma de cruz grega e o colapso da sua abóbada deve ter ocorrido aquando do terramoto de 1303.


Depois da conquista da ilha pelos Cavaleiros, entre 1322 e 1334,  foi transformada na sede da recém-criada Arquidiocese  Romano Católica, uma basílica com três naves de que ainda sobrevivem alguns murais da época.


No período otomano (1523-1912) o edifício foi transformado em mesquita, com a denominação de Kanturi (?) Djami. Foi acrescentado um minarete e construído interiormente um mihrab. A Administração Italiana do Dodecaneso (1912-1943) desmantelou os elementos muçulmanos com a intenção de fazer reviver o carácter Hospitalário da cidade.


O terramoto de 1957 danificou o monumento que foi reparado pelos serviços arqueológicos e foram depois realizadas escavações para tentar reconstituir o original. Numa fonte anexa foram encontradas numerosas moedas que permitiram datar a construção da igreja no século XI.


O edifício foi largamente reparado no fim dos anos 70 do século passado e aberto ao público, acolhendo hoje recitais de música clássica e exposições de pintura.

segunda-feira, 1 de julho de 2019

RECORDANDO SCOUFFI



 Alexandre Scouffos, que usou o pseudónimo literário de Alec Scouffi, nasceu em Alexandria em 23 de Abril de 1886, nessa cidade sobre a qual escreve Lawrence Durrell, em Justine: «Cinco raças, cinco línguas, uma dúzia de crenças». Romancista, poeta, jornalista, dramaturgo, actor e mesmo cantor lírico, grego e filho de um rico negociante da cidade (não havia nacionalidade egípcia à época), cedo viajou para a Europa, instalando-se preferencialmente em Paris. Scouffi terá mesmo chegado a conviver em Alexandria com o seu compatriota o célebre poeta Constantin Cavafy, que partilhava gostos idênticos, não sendo despiciendo que se encontrassem por vezes nos cafés da cidade.

Curiosamente, o escritor Patrick Modiano, Prémio Goncourt e mais tarde Prémio Nobel da Literatura,  dedica-lhe algumas linhas em alguns dos seus livros, nomeadamente em Rue des Boutiques Obscures. Scouffi é o tipo de personagens sombrias caras ao gosto de Modiano.




No capítulo XXIII deste seu livro, Modiano, no decorrer da trama do romance, reproduz mesmo uma ficha de informações sobre Scouffi, fazendo-o nascer a 28 de Abril de 1885, pequena margem de erro calculada ou fruto de lapso.

Transcrevemos o capítulo:


Alexandre Scouffi est venu pour la première fois en France en 1920.
Il a résidé, successivement :
26, rue de Naples, à Paris (8e)
11, rue de Berne, à Paris (8e) dans un appartement meublé
Hôtel de Chicago, 99 rue de Rome, à Paris (17e)
97, rue de Rome, à Paris (17e), 5e étage.
Scouffi était un homme de lettres qui publia de nombreux articles dans diverses revues, des poèmes de tous genres et deux romans : Au Poisson D’or hôtel meublé et Navire à l’ancre.
Il étudia aussi le chant et bien qu’il n’exerçât pas la profession d’artiste lyrique, il se dit entendre à la Salle Pleyel et au théâtre de la Monnaie à Bruxelles. A Paris, Scouffi attire l’attention de la brigade mondaine. Considéré comme indésirable, son expulsion est même envisagée.
En novembre 1924, alors qu’il demeurait 26, rue de Naples, il est interrogé pour avoir tenté d’abuser d’un mineur.
De novembre 1930 à septembre 1931, il a vécu à l’hôtel de Chicago, 99 rue de Rome, en compagnie du jeune Pierre D. vingt ans, soldat du 8e génie à Versailles. Il semble que Scouffi fréquentait les bars spéciaux de Montmartre. Scouffi avait de gros revenus qui lui provenaient des propriétés qu’il hérita de son père, en Egypte.
Assassiné dans sa garçonnière du 97, rue de Rome. L’assassin n’a jamais été identifié. 
  



Em 1932, Alec Scouffi foi encontrado morto no seu apartamento da rua de Roma, provavelmente assassinado por um dos seus amantes. Aliás, em Rue des Boutiques Obscures, Modiano regista a opinião de uma das personagens do livro, segundo a qual o presumível assassino, nunca identificado, seria um rapaz com cara de anjo, dos bas-fonds parisienses, conhecido como o Cavaleiro Azul. E Modiano sugere ainda a hipótese de que o autor do crime seria o mesmo que teria morto, em 1933, Oscar Dufrenne, director do Palace, um music-hall do Faubourg Montmartre.

Vem tudo isto a propósito da recentíssima reedição de Au Poiss' d'Or, de Scouffi, livro originalmente publicado em 1929, e que descreve, com a inquestionável competência do autor, a vida de um jovem gigolo e do ambiente que o rodeia, na complexa teia de amor, sexo e dinheiro vigente em Paris nos anos 20 do século passado. Quando uma certa liberdade de costumes convivia com a repressão oficial e coexistia uma grande criatividade artística com uma notória decadência mais moral do que sexual. O livro de Scouffi é bem um retrato da sociedade dessa época.

sexta-feira, 28 de junho de 2019

RODHES III - O MUSEU ARQUEOLÓGICO


O Museu Arqueológico de Rhodes está instalado, desde 1916, no edifício que serviu de hospital à Ordem dos Cavaleiros e que é um dos mais belos e mais bem conservados da época.


A concepção arquitectural deve muito aos caravanserais de Oriente e aos mosteiros bizantinos: uma galeria coberta de dois andares à volta de um pátio rectangular. Todavia, a grande sala dos doentes, toda em comprimento, é típica das salas de hospitais da Europa ocidental.


Duas inscrições gravadas em mármore esclarecem-nos quanto ao uso que era feito do edifício: o ano da fundação e os seus construtores. Na face exterior da abside da capela do Hospital, sobre a porta principal de entrada, dois anjos de mármore suportam o brasão do Grão-Mestre Antonius Fluvian. Uma inscrição menciona que este doou 10.000 florins de ouro para a sua construção e que esta se iniciou em 15 de Julho de 1440. A outra inscrição, sobre uma porta dando para a Rua Dos Cavaleiros, refere, em francês, que Pierre Clouet, dignitário da Ordem, levou a seu termo a construção do Hospital em 1489.

Cabeça do deus Helios

Como foi referido em post anterior, o bailio da "língua" de França era obrigatoriamente investido na dignidade de Grande Hospitalário.


No fundo do pátio pode ver-se um leão da época helenística.


No decorrer da visita encontram-se, entre salas de vária utilização, a cozinha, o refeitório e pequenas "celas" cuja exacta função se desconhece.


Anexo ao Museu existe um jardim e estão expostos pavimentos de mosaicos provenientes da basílica paleocristã de Aghia Anastasia de Arkassa de Karpathos.


Lamentavelmente não está disponível um catálogo do Museu nem são permitidas fotografias.