terça-feira, 15 de agosto de 2017

AL-JÂHIZ E OS JOVENS





Chegou-me recentemente às mãos o Livre des mérites respectifs des jouvencelles et des jouvenceaux (Kitâb mufâkharat al-jawârî wa-l-ghilmân), do prosador árabe Al-Jâhiz (de seu nome completo Abu Uthman Amr ibn Bahr al-Kinani al-Basri), que nasceu em Basra (Bassorá) em 776, onde morreu em fins de 868 ou princípios de 869, obra traduzida e editada em França em 2000.

O texto deste livro, que poderá ser considerado o mais antigo tratado de erotologia árabe, é uma obra que tanto pela sua raridade como pelo seu valor literário, deverá ser considerada fundamental.

A vida de Al-Jâhiz coincide com o apogeu de Basra, na época de ouro dos califas Abássidas, que governaram o mundo árabo-muçulmano entre 750 e 1258. É a época da Casa da Sabedoria (Bayt al-Hikma), fundada em Baghdad pelo califa Harun al-Rashid e desenvolvida por seu filho Al-Ma'mun.

Basra partilhava então com Kufa o estatuto de grande metrópole do Iraque. Aliás, na sua obra, Al-Jâhiz procede a uma larga digressão sobre a rivalidade entre as duas cidades. Mas com a queda da dinastia Omíada, em Damasco, e a transferência da capital do Califado para Baghdad o prestígio daquelas duas cidades entrou em declínio.

Sem nos determos nos complexos meandros político-religiosos da época (lembremos o mutazilismo), recorde-se que a intensa actividade intelectual da época foi acompanhada de uma relativa liberdade de costumes, que deu lugar ao mujûn, estilo de vida e filosofia que se poderia classificar de hedonista e libertino. Nesse ambiente frívolo e ligeiro, os poetas encontraram inspiração para uma poesia moderna, essencialmente erótica e báquica. Também a música e o canto conheceram um prodigioso desenvolvimento. Os chefes de fila da corrente modernista foram Bashar ibn Burd e Abu Nuwas, e a sua irrupção no meio literário provocou uma forte reacção por parte dos poetas tradicionais.

Al-Jâhiz em árabe é uma alcunha (o homem dos olhos salientes), devido a uma deformação da córnea. O escritor pssou a maior parte da vida em Basra, mas viajou pela Síria e teve longas estadas em Baghdad, onde beneficiou da protecção do poder, mas conservando sempre a sua independência intelectual.

Autor de uma obra abundante, mais de duzentos títulos, apens nos chegou um pequena parte. As suas três obras mais célebres são igualmente as mais volumosas: constituem uma condensação do saber acumulado na época: o Livro dos animais (Kitab al-hayawân); o Livro da Exposição e da Demonstração (Kitab al-bayân wa-l-tabyîn), um tratado de retórica e de poética em glória ao talento oratório e poético dos árabes; e o Livro dos Avarentos (Kitab al-bukhala'), colocando em cena avarentos, a maior parte das vezes de origem iraniana.

Pouco preocupado com o conformismo, interessou-se por todas as formas de amor e de sexualidade, não só no livro agora em apreço como em vários outros. Também neste domínio foi um pioneiro, pois abriu caminho a numerosos escritores, jurisconsultos e teólogos  que redigiram tratados de erotologia. Esta corrente culminará com As Mil e Uma Noites (Alf Layla wa-layla), um monumento do género, cuja trama foi esboçada no século X, tomando a sua forma quase definitiva no século XV.

Não cabe aqui discorrer sobre a sexualidade no islão (Malek Chebel tem notáveis obras sobre o assunto), matéria interminável. Desde a divisão entre a sexualidade lícita (halâl) e a sexualidade ilícita (harâm), da interpretação do Corão e dos Hadiths, ao aborto e à prostituição, da tradição (Sunna)  à jurisprudência (fiqh), é todo um universo por vezes difícil de compreender no contexto da cultura dita ocidental. Uma coisa é certa. Entre o proibido em teoria e aquilo que realmente se pratica a diferença é abissal, especialmente no que ao homem diz respeito. Que o digam os viajantes, investigadores, turistas e todos quantos há séculos visitam ou se estabeleceram no mundo árabe. De todos os desvios, o mais repreensível (e também o mais comum) é a homossexualidade masculina, mas a sociedade não podia senão fechar os olhos a uma prática que tendia a banalisar-se não só por causa da segregação sexual e da promiscuidade mas também pela moda. O califa abássida Al-Amin (809-813) possuía um verdadeiro "harem" masculino, tal como o emir aghlabida de Ifrîqiya (a actual Tunísia), Ibrahim II (875-902). Os adolescentes cristãos foram muito cobiçados, como o atesta Abu Nuwas num dos seus poemas. A pederastia conheceu tal voga que, de desvio em relação à religião tornou-se mesmo norma em poesia. Numerosos poetas, insuspeitos de qualquer inclinação homossexual, sacrificaram ao gosto da época cantando um amor puramente fictício por jovens efebos.

Al-Jâhiz traduz bem a amplitude do fenómeno, oferecendo a um amante de rapazinhos a ocasião de dar réplica, neste livro, a um amante de raparigas, "com armas iguais".

O livro é composto por uma introdução e por duas partes distintas. A introdução destina-se a justificar a escolha de um assunto tão delicado e critica os místicos e os ascetas. A primeira parte, a mais importante, ocupa-se do debate entre um amante de rapazinhos e um de donzelas, cada um justificando as suas preferências, com o a ajuda de argumentos que vão do Corão à opinião pessoal. Na última parte, o autor relata uma série de vinte e oito anedotas irreverentes (na realidade, trinta, já que duas estão incluídas nas vinte e oito), com a intenção de despertar o interesse do leitor.

Esta obra insere-se num costume do período árabe pré-islâmico, os torneios oratórios e poéticos, que se realizavam principalmente por ocasião das grandes feiras anuais, como a de 'Ukâz. Esta tradição, uma verdadeira instituição social, perpetuou-se até à época omíada, perdendo, na época abássida, o seu carácter sociológico para se converter em simples género literário.

Registe-se que Al-Jâhiz mantém uma estrita neutralidade no debate, embora seja suposto ele preferir as donzelas. Os actores do debate recorrem a vários poetas, como Al-A'shâ, Imru l-Qays, 'Alqama b. Abada e Abu Nuwas. Com este texto, Al-Jâhiz dá-nos uma visão global bastante completa sobre a sexualidade e as suas diversas formas. Mas sempre com a preocupação de torná-lo divertido, de não aborrecer o leitor.

Não podemos deixar de ficar surpreendidos com a liberdade desta obra. Ainda que marcado pelo helenismo ambiental, Al-Jâhiz está profundamente ligado aos valores do mundo muçulmano. Todavia, curioso de tudo, tem a preocupação de se abrir a um vasto universo, incluindo o modo de funcionamento do corpo. Naquele tempo, se o compararmos à exigência actual de um puritanismo excessivo, a Arábia era feliz. Os tratados de Al-Jâhiz são um reflexo de um mundo desaparecido.

O próprio Charles Pellat, que estabeleceu e publicou em árabe o texto deste tratado (1957), recusou-se a traduzi-lo em francês, "pela sua obscenidade". Escreve Malek Chebel: « Há certamente que fazer uma história cruzada, que consisitiria em demonstrar como os tradutores ocidentais [...] fazem valer a moral cristã na apresentação dos textos, a exactidão científica. Sem dúvida para não chocar os seus leitores ou para não serem classificados de "racistas", têm muitas vezes a tendência para mascarar ou atenuar os aspectos incongruentes (sexualidade por exemplo) da cultura islâmica.» (Ephèbes et Courtisanes, p. 83)




De facto, este tratado decorre de uma interrogação que remete para a Antigudade Clássica e de que é testemunho, por exemplo, o diálogo de Os Amores, do Pseudo-Luciano de Samósata, que é incluído neste volume, bem como outras obras que retomaram esta problemática no Ocidente, como é violentamente atestado no começo do século XVII, em Veneza, com Alcibiade enfant à l'école, de Antonio Rocco (também inserido neste volume), ou, nos nossos dias, com os estudos de Michel Foucault.


Em 1983, as edições &etc publicaram uma tradução (adaptada e resumida) de Os Amores, de Luciano de Samósata, considerado hoje como Pseudo-Luciano.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

QUE FAZER?




Acabou de ser reeditado, em livro de bolso, o livro Que Faire ? Dialogue sur le communisme, le capitalisme et l'avenir de la démocratie, dos jornalistas Martin Duru e Martin Legros, inicialmente publicado em 2014, constituído por um diálogo entre os filósofos Alain Badiou e Marcel Gauchet, nomes maiores do pensamento francês, com percursos inversos: o primeiro,  nascido numa família de tradição socialista, foi discípulo de Sartre, Althusser e Lacan e acabaria por ser definitivamente marcado pelo Maio de 68 e pela Revolução Cultural na China; o segundo, nascido num meio popular, foi influenciado por Cornelius Castoriadis, descobriu a política, desmontou algumas teses de Foucault e tornou-se um pensador da democracia liberal. O primeiro é professor emérito da École Normale Supérieure, o segundo, director de estudos da École des Hautes Études en Sciences Sociales.

Transcrevemos do prólogo dos jornalistas, intitulado  "L'avenir d'une alternative":

«Nous ne sommes pas des enfants que l'on peut nourrir avec la bouille de la seule politique "économique"; nous voulons savoir tout ce que savent les autres, nous voulons connaître en détail tous les côtés de la vie politique et participera ctivement à chaque événement politique. Pour cela il faut que les intellectuels nous répètent un peu moins ce que nous savons bien nous mêmes, et qu'ils nous donnent un peu plus de ce que nous ignorons encore. [...] Ces connaissances, vous pouvez les acquérir, vous autres intellectuels, et il est de votre devoir de nous les fournir en quantité cent et mille fois plus grande que vous ne l'avez fait jusqu'ici, non pas de nous les fournir seulement sous forme de raisonnements, brochures et articles (auxquels il arrive souvent d'être - pardonnez-nous notre franchise! - un peu ennuyeux), mais absolument sous forme de révélations vivantes sur ce que notre gouvernement et nos classes dominantes font précisement à l'heure actuelle dans tous les domaines de la vie. Acquittez-vous avec un peu plus de zèlede cette tâche qui est la vôtre [...].» Cet appel à la responsabilitédes intellectuels pour soustraire leurs concitoyensà la domination de la «politique "économique"» et les éclairer, sous forme de «révélations vivantes», sur ce qu'il est possible de changer dans tous les domaines de la vie date de... 1902. Il est signé Vladimir Ilitch Oulianov, dit Lénine, dans un opuscule intitulé Que faire? - un ouvrage qui a marqué durablement l'Histoire...»

* * * * *

Não é  fácil condensar em algumas linhas o diálogo, e o pensamento, de Badiou e Gauchet, conduzido pelos jornalistas organizadores do encontro.  Por isso, transcrevemos algumas afirmações avulsas, traduzidas para português. Designaremos Alain Badiou por AB e Marcel Gauchet por MG.

AB - ... Marx rompe com qualquer  concepção idealista do comunismo; com ele, filósofo materialista, a ideia desce do céu intelectual para a terra material. É o fim do "socialismo utópico" em benefício do "socialismo científico", para retomar as expressões do seu amigo Engels... Lénine traiu Marx em toda a linha. Isso não quer dizer que o marxismo seja necessariamente verdadeiro! Isso significa que não se poderá imputar a Marx o que retorna a Lénine. (pp. 38/39)

MG - ... Depois da morte de Lénine em 1924, Staline leva essa lógica ao paroxismo. O estalinismo está no prolongamento exacto do leninismo e tira  todas as consequências das suas premissas - enquanto Lénine derruba Marx, assim Staline permanece um fiel leninista. (p. 42)

MG - ... Assim, fascismo, nazismo e comunismo correspondem a religiões seculares..   (p. 53)

AB - ... O ressentimento contra as democracias parlamentares foi um tom maior do que se passou na URSS e na Alemanha. Nestes dois países desenvolveu-se um clima particularmente revanchista, propício às guinadas violentas. Lembro que a Rússia teve de assinar a paz de Brest-Litovsk em 1918 em condições verdadeiramente vergonhosas e que a Alemanha se sentiu como a grande lesada do tratado de Versalhes. (p. 55)

AB - ... O terceiro critério da organização comunista é que ela obedece a uma lógica internacionalista. Marx insistia especialmente neste ponto, razão por que criou a primeira Internacional ... Os comunistas são internacionalistas; mas devem sê-lo no próprio seio dos processos de emancipação locais. (p. 84)

MG - ... No papel, o capitalismo deveria estar de perfeita saúde: nunca teve tanta capacidade de manobra, presentemente, pode desenvolver-se à escala do mundo. Contudo está doente, grave e cronicamente doente. O capitalismo está roído do interior por um dos seus aspectos mais salientes: a globalização económica e financeira. ... A finança é verdadeiramente o Far West em estado puro. (p. 118/9)

MG - A mundialização que se iniciou a partir dos anos 1970 é verdadeiramente uma metamorfose extraordinária. Aqui, mais uma vez, vamos deter-nos nos nos próprios termos que empregamos. Nós temos estas palavra em francês, "mundialização", que me parece resolver o problema - conservemo-la.. Parece-me mais adequada, mais apropriada que a de "globalização", que é a tradução do inglês globalization... (p. 120)

MG - Nas nossas sociedades, não é mais do que uma palavra, mais do que uma noção fantoche que dissimula o poder efectivo exorbitantes, do esquema individualista e do complexo económico-financeiro. (pp. 122/3)

AB - Abordei a situação contemporânea tal como a entendo sob o triplo ponto de vista geoestratégico (com a mundialização), ideológico (com o liberalismo) e económico (com o capitalismo). Medimos agora melhor o abismo que nos separa. (pp. 151/2)

AB - Pour reprendre la main, la démocratie parlementaire, c'est fini. Décidément, on n'arrivera pas à s'accorder... (p. 191)

MG - Porque se esta dimensão constitutiva é esquecida, então, com efeito, não se verá mais na democracia senão uma concha vazia, senão uma forma política replicando o mercado económico: o cidadão é um consumidor, dirige-se às eleições como ao supermercado para escolher o melhor produto, etc. Tal é o triste espectáculo oferecido pela situação contemporânea. (pp. 192/3)

* * * * *

O leitor interessado encontrará no livro o suporte da argumentação dos dois filósofos, de que traduzimos algumas passagens. Mas é inegável o interesse do confronto de posições que só a leitura integral da obra poderá esclarecer.


quarta-feira, 9 de agosto de 2017

A FACE DIPLOMÁTICA DE SALAZAR



O embaixador Bernardo Futscher Pereira, chefe da nossa representação em Dublin, publicou agora o segundo volume de uma obra dedicada à diplomacia do Estado Novo, isto é, de Salazar.
Intitula-se o livro Crepúsculo do Colonialismo - A Diplomacia do Estado Novo (1949-1961). Trata-se da continuação de A Diplomacia de Salazar (1932-1949), dado à estampa em fins de 2012, e a que nos referimos aqui.

Segundo o autor, haverá um terceiro volume que cobrirá o período que vai desde 1949 até à queda do regime, em 25 de Abril de 1974.

No presente livro, sempre devidamente documentado, o autor ocupa-se principalmente da questão de Macau, da base das Lajes, da relação com Nehru, do "advento" do Terceiro Mundo, do relacionamento complicado com os EUA,  Reino Unido e Brasil, de Humberto Delgado e Henrique Galvão, da eclosão dos movimentos nacionalistas em África, dos primeiros incidentes em Luanda e, finalmente, da invasão de Goa pela União Indiana, em 17 de Dezembro de 1961 (hora de Lisboa).

Uma das preocupações do autor é frisar uma atitude muito peculiar de Salazar: atrasar as decisões, para evitar soluções que poderiam ser então inconvenientes e esperar que o tempo se encarregue de resolver as situações mais difíceis.

Tendo sempre como pano de fundo a situação política internacional nesta década, o fim dos impérios, a mudança da estratégia norte-americana, o surgimento dos "não-alinhados", a ascensão à independência das colónias africanas, que eram a quase totalidade do continente negro.

Não havendo aqui espaço para comentar em profundidade tão importante obra, pela qual o embaixador Bernardo Futscher Pereira é credor dos agradecimentos de todos os que se interessam por estas matérias, atrever-me-ia a fazer duas rectificações, aliás de pormenor e que em nada afectam a essência da obra.

A primeira diz respeito ao Padroado do Oriente, questão que opunha Nehru a Salazar e incomodava a Santa Sé. Desde há muito que o arcebispo de Goa usava o título de Patriarca das Índias (Orientais). O título de Patriarca das Índias Ocidentais pertencia à Espanha. O último a usá-lo foi o arcebispo de Madrid Eijo y Garay, que morreu em 1963.

Em 1953, o cargo era exercido por D. José da Costa Nunes. Tratava-se mais de uma questão simbólica do que substancial mas fazia parte da estratégia de Nehru que pressionava o Vaticano para reduzir a influência do catolicismo português na Índia. Salazar não desejava abrir mão de qualquer privilégio e Costa Nunes, que devotara a vida ao Padroado não desejava sair. Para tal, Salazar exigia da Santa Sé gestos compensatórios de carácter honorífico para Costa Nunes.

Escreve Futscher Pereira (p. 78): «Em maio, em plena crise diplomática com a Índia, foram finalmente concedidas a D. José da Costa Nunes as honrarias reclamadas, em boa verdade bem modestas. D. José foi nomeado vice-camerlengo da Cúria Romana e presidente dos Congressos Eucarísticos Internacionais e elevado a arcebispo.» Esclareço: em 1953 a Santa Sé oficializou a renúncia ao cargo de D. José, mas este não foi elevado a arcebispo (já era arcebispo de Goa). Passou sim a ser arcebispo de Odessa (in partibus), conservando o título pessoal de patriarca, pelo que passou a ser designado por Patriarca de Odessa.

A outra tem a ver com a invasão de Goa. Relativamente ao choque que o acontecimento provocou em Salazar, escreve o autor (p. 259): « Salazar comentou para Franco Nogueira: "Querem pegar-me fogo. Está bem. Mas deixem-me primeiro explicar as coisas como se passaram. E depois peguem-me fogo." Por fim, porém, eximiu-se dessa tarefa ingrata. Alegando rouquidão, pediu a Mário de Figueiredo, seu amigo de sempre, para ler o discurso que escrevera para a sessão da Assembleia Nacional realizada a 3 de Janeiro de 1962. Sua Excelência o Presidente do Conselho não estava preparado para dar a cara por derrotas.» Ora Salazar esteve presente nessa sessão da Assembleia Nacional. Eu vi a transmissão integral pela RTP. Ele começou mesmo a ler o discurso, mas, passados alguns minutos, devido a visível rouquidão, talvez de carácter nervoso, pediu a Mário de Figueiredo, presidente da Assembleia, que co-presidia à sessão, que continuasse a ler o discurso. Recordo até um aparte, quando Mário de Figueiredo interrompeu a leitura para colocar uma questão sobre o que Salazar tinha escrito (creio que sobre a falta de solidariedade da Aliança Luso-Britânica). Salazar olhou-o rispidamente e limitou-se a dizer: "Continue".

É claro que estes pormenores nada invalidam o mérito da obra em apreço.

NOTA DO BLOGGER: A Aliança Inglesa, ao longo da História, serviu apenas para satisfação dos interesses britânicos. Foi unívoca e não biunívoca. Uma tristeza.



O MERCADO CENTRAL DE BUDAPESTE




Muito interessante o livro Market Halls in Budapest - from the turn of the century to the present, que adquiri recentemente numa loja de artigos diversos do próprio mercado central.

Extraordinariamente bem documentado e esplendidamente ilustrado, o livro começa por historiar a construção dos mercados na Europa (sempre com fotografias ou desenhos), desde Les Halles, em Paris a Covent Garden, em Londres, com passagem pelo Zentralmarkhalle, de Berlim  e o Mercato Centrale, de Florença, entre muitos outros. Pena que o autor desconhecesse a Praça da Figueira ou o Mercado da Ribeira, em Lisboa.

Mercado Central

Seguem-se, depois, os mercados de Buda e de Pest, e finalmente o Mercado Central de Budapeste, felizmente ainda activo, no fim da Vámház körút (Avenida da Alfândega), do lado esquerdo quem desce, à entrada da Szabadság hid (ponte da Liberdade), mais concretamente na Fövám tér (Largo da Alfândega). Aí ficava a grande alfândega e a seguir ao Mercado encontra-se agora a Universidade de Economia.


Idem 

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Uma grandiosa estrutura com as mais diversificadas lojas.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

OS BANHOS DE BUDAPESTE




Regressei mais uma vez de Budapeste sem ter frequentado os banhos que tornam a cidade famosa. Alguns são célebres em todo o mundo.

São muitas as nascentes que existem na cidade, incluindo as fontes termais e as suas águas têm especiais indicações para o tratamento de muitas doenças. Além, é claro, de proporcionarem numerosas piscinas. Existem em Budapeste 120 nascentes, que emitem mais de 70 milhões de litros de água por dia.  E banhos termais da cidade contam-se pelo menos 17, alguns com departamentos clínicos.

A esta bacia dos Cárpatos, os celtas, que aqui viveram até 400 BC chamavam-lhe AkInk. Talvez por isso, aquando da ocupação romana, a cidade (Buda) foi chamada Aquincum,  cujo nome contém a palavra latina para água, aqua. Com a ocupação otomana, os banhos conheceram um apreciável desenvolvimento, dado o interesse que os turcos professavam por este género de estabelecimentos. Criaram hammam's, que faziam parte da vida social e a utilização dos banhos ultrapassava em muito as obrigações rituais da purificação islâmica. Os Banhos Rudas e Király, ainda hoje existentes, são devidos aos otomanos. Para lá do convívio e da intriga, dos negócios e dos encontros, quando os médicos sírios descobriram as propriedades curativas das águas a afluência aos banhos aumentou.

Na Idade Média, os banhos eram uma prerrogativa dos doentes. O rei Géza II (1141-1146) criou a primeira ordem monástica de enfermagem, chamada Szent István Király, alusão a Santo Estêvão, primeiro rei da Hungria. A Ordem de São João de Jerusalém teve uma presença activa nos Banhos Gellért. Como outras ordens hospitalárias, também a Ordem de São João construiu o seu hospital sobre uma "nascente sagrada". Os primeiros banhos públicos da Hungria abriram em 1351 em Pozsony (hoje Bratislava), que foi capital do país de 1536 a 1783, quando a coroa húngara foi transferida para Viena de Áustria.

Durante o período socialista os banhos foram mais utilizados para tratamento do que para recreação. Depois das modificações democráticas de 1989-90 não foram construídos mais banhos, mas os existentes têm sido renovados e modernizados.


Banhos Gellért

Entre os banhos mais famosos contam-se os Banhos do Hotel Gellért, no sopé da colina de Buda, no fim da Ponte da Liberdade (antiga Ponte Francisco José). É um edifício magnífico, com piscinas interiores e exteriores e uma piscina termal.

Idem

Os Banhos Rudas constituem os maiores e mais magníficos banhos termais otomanos na cidade.  Construídos a sul da Ponte Elisabeth a sua arquitectura e decoração faz lembrar As Mil e Um Noites.


Banhos Rudas

Os Banhos Rácz incluem 13 piscinas em três secções diferentes e o seu nome provém dos sérvios (rác, em húngaro), anteriores ocupantes do sítio. Uma das principais atracções de Rácz é o terraço no cimo do edifício, com uma vista espectacular. Há ainda uma piscina com vinte e três metros de comprimento e três de largura, cuja temperatura das águas é de 28º-30º no Verão e de 36º-38ª no Inverno.


Banhos Rácz


Os Banhos Király estão localizados também em Buda, a sul da Ponte Margaret (Margit hid). A sua arquitectura é também otomana, com as correspondentes abóbodas. O chão, as paredes interiores e as piscinas são feitas de mármore vermelho. A existência destes Banhos deve-se a Sokollu Mustapha Pasha, de Buda, durante a ocupação turca. Nos dias de hoje, a água é canalizada de duas das seis nascentes dos Banhos Lukács. Depois de diversos proprietários, os Banhos foram comprados em 1817 por Mihály König que procedeu ao seu restauro, após o que lhe mudou o nome para Király (que em húngaro significa rei, sendo em alemão König).


Banhos Király

Os Banhos Lukács, um pouco decadentes, são os banhos favoritos dos intelectuais da cidade. Como os anteriores, estão localizados em Buda, perto do Danúbio e no interior de um parque. Estas termas devem o seu nome a São Lucas e apesar do complexo ter sido fundado em 1894, eles datam do período otomano. As suas nascentes mantêm as piscinas aquecidas durante todo o ano. São frequentados por razões de saúde e também para diversão. Podem ser frequentados pelos turistas.


Banhos Lukács
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Os Banhos Római também em Buda, possuem a maior piscina da cidade. No Verão são o paraíso das crianças e dos pais. O seu nome deriva da sua utilização pelos romanos, que consideravam esta água sagrada. Durante a sua reconstrução em 2001, foram encontrados sarcófagos romanos e diversos artefactos que expostos à entrada constituem um pequeno museu.


Banhos Római

Os Banhos Dagály estão localizados no lado e Pest a norte da Ponte Árpád. Possuem 11 piscinas, no meio de um arvoredo de acácias e álamos. Ficam na margem do Danúbio e oferecem uma vista espectacular sobre Buda. É o único complexo que se mantém aberto durante o Inverno (4 piscinas). Dispõe de uma piscina olímpica exterior e de um eficiente serviço de massagens. Há também uma piscina infantil para diversão das crianças e uma dedicada à instrução.


Banhos Dagály

Os Banhos Széchenyi, com as suas colunas, cúpulas e arcos mais parece um palácio do que um complexo de piscinas, o maior do seu género na Europa. Encontra-se situado em Pest, no Parque de Városliget, em frente ao Jardim Zoológico e ao Circo de Budapeste. As três entradas dão para um vasto átrio com colunas coríntias, candelabros de bronze, estátuas e pinturas. A sua arquitectura é complexa: uma mistura dos estilos grego e romano com elementos renascentistas e barrocos.  Dispõe de restaurantes à beira da grande piscina e no exterior do edifício. Para ele convergem tantos turistas que se pode ouvir falar em numerosas línguas.

Banhos Széchenyi
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Idem
Idem

Os Banhos Palatinus estão situados numa reserva natural na parte ocidental da Ilha Margarida. Dispõe de uma piscina de 50 metros de comprimento e de outras com diversas temperaturas. Tem cataratas e diversas atracções aquáticas e constitui uma atracção para as famílias.



Banhos Palatinus

Desta muito resumida descrição se pode avaliar da riqueza da capital húngara em matéria de banhos, onde não faltarão, com certeza, personal trainers para incentivar os mais hesitantes.


NOTA: As fotografias, à excepção de duas, foram extraídas da publicação que se comenta.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

SOBRE PASOLINI

 

A homossexualidade heróica de Pasolini

Pasolini integrou a sua sexualidade na luta política e entendeu que o sexo era algo que tinha de entrar nos cálculos da sua luta contra a burguesia, que ele viu como agente do apocalipse.
Morreu Giuseppe Pelosi, o “ragazzo di vita” condenado pelo assassínio de Pasolini na praia de Ostia, arredores de Roma, na madrugada do segundo dia de Novembro de 1975. Tinha 59 anos e um tumor no pulmão. A confissão em tribunal e a reconstituição do crime não impediram que o caso ficasse desde sempre envolvido em dúvidas. E agora, anunciando a morte de Pelosi, os jornais regressaram à teoria do mistério: houve uma motivação política no crime? Foi cometido por aquele rapaz, sozinho, que Pasolini tinha “engatado” umas horas antes na praça frente à estação Termini, ou houve mais pessoas implicadas no assassínio?

Nos dias seguintes, a reacção pública à morte de Pasolini era polarizada desta maneira: para uns, ele tinha morrido como sempre tinha vivido, como “um rato de esgoto”; para outros, era o herói trágico de uma forma de vida que, tanto na sua dimensão privada como pública, tanto na literatura, no cinema e na teoria como na sua vida sexual, tinha a radicalidade política e a irredutibilidade idiomática de um herege.

A obra de Pasolini, de uma coerência estrita, na sua pluralidade de géneros e disciplinas, continua vivíssima e até se deu nos últimos anos uma “Pasolini-renaissance”. O que, da lição pasoliniana, pertence ao passado é uma ligação, nas grandes cidades, entre homossexualidade e delinquência: a homossexualidade vista como uma categoria da criminalidade.

Aos olhos da polícia e da justiça, mesmo um intelectual como Pasolini era uma figura típica de um “meio” obscuro, em que as vítimas são tão culpadas como os assassinos. Podemos com toda a segurança pensar que Pasolini sempre preferiu pertencer à categoria dos criminosos, quando a alternativa era ser incluído na categoria psiquiátrica dos “desviantes”.

Ele representou a figura de uma homossexualidade heróica que já não tem lugar no nosso tempo. Pelo tempo em que viveu e pela sua atitude política, Pasolini não aspirava a uma neutralização da homossexualidade, à sua integração estatal, à modelação pelo Estado. Vemo-lo como “uma força do passado” que chega até nós para perturbar a nossa boa consciência, dizendo-nos coisas que agridem e com as quais já não sabemos conviver. Diz-nos ele: antes delinquente que turista do sexo no parque urbano programado ou representante avançado nos horizontes de prazer das mais distintas ordens, corporações e profissões.

Pasolini não foi uma figura respeitável e nunca se deixou neutralizar. Vista a partir do seu observatório (instalado num tempo histórico, mas também num tempo político), a homossexualidade, hoje, embora bem sinalizada com as cores do arco-íris, é uma homossexualidade “branca”. Passámos a um modelo unissexual, uniformizado, comum aos homossexuais e heterossexuais. Pasolini, neste aspecto, surge hoje como um resquício heróico e prodigioso de uma época que parece tão distante de nós como aquela em que os grandes aristocratas e viajantes ingleses e alemães desciam aos países do Sul para “conviverem” com os jovens das classes pobres.

Não é que a atitude seja a mesma: Pasolini não descia aos bas-fonds da Roma proletária com a disposição esteticista com que o barão Von Gloeden se instalou em Taormina, no início do século passado e fotografou os efebos usando as suas prerrogativas de rico aristocrata neo-clássico, imaginando que estava na Grécia Antiga. Pasolini, pelo contrário, integrou a sua sexualidade na luta política e entendeu que o sexo era algo que tinha de entrar nos cálculos da sua luta contra a burguesia, que ele viu como agente do apocalipse, executora do fim do mundo.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

PÔNCIO PILATOS




Foi publicado recentemente em francês (Ponce Pilate, 2017) o livro do historiador e director do Instituto Italiano de Ciências Humanas, Aldo Schiavone, (Ponzio Pilato, 2016) cujo tema é a figura do governador romano da Judeia que condenou Jesus Cristo à morte, mais concretamente, do dilema de Pilatos, das suas hesitações, dos seus problemas de consciência (e de interesse político), etc., nos momentos que precederam a decisão final, que iria influenciar a humanidade nos vinte séculos que se seguiram.

Começa Schiavone por evocar o ambiente na Judeia no tempo do governo de Pilatos (26 a 36 DC), província para onde fora enviado, contra vontade, pelo imperador Tibério, já que os judeus tinham a fama de serem, em todo o Império, o povo mais difícil de governar, nomeadamente pelas questiúnculas religiosas, alheias ao restante território sob o domínio de Roma.

Pilatos foi o quinto prefeito ou governador da Judeia, na altura em que Lúcio Vitélio (seu superior) era propretor da Síria. Já tinha havido episódios desagradáveis para Pilatos, como aquele em que os judeus se queixaram a Tibério, por intermédio de Vitélio, tendo Pilatos sido desautorizado pelo imperador. Tudo pelo facto de ter gravado o nome de Tibério em escudos dourados colocados no palácio de Herodes. Ou por ter entrado em Jerusalém com a efígie do imperador, atitudes que os judeus condenavam. Ou ainda por ter desviado dinheiro do templo para a construção de um (indispensável) aqueduto,


Assim sendo, embora dispusesse do poder de Roma, Pilatos tinha sempre sobre a cabeça os queixumes dos sacerdotes judeus. A prisão de Jesus no Monte das Oliveiras, a reunião precipitada do Sinédrio, o pedido urgente de audiência do sumo-sacerdote Caifás e de seu sogro Anás e a exigência da crucificação do Messias foram para o governador motivo de noites de insónia, já que os judeus ameaçaram-no de se queixar dele se não condenasse Jesus à morte, já que Jesus se intitulava rei dos judeus e os sacerdotes, hipocritamente, clamavam não reconhecer outro soberano além de César.

Toda, ou parte, desta história vem abundantemente descrita nos Evangelhos sinópticos, e mesmo no de João, com alguma variante de pormenor, e que merecem tão só a credibilidade atribuída aos livros religiosos, mas também, ainda que vagamente, por historiadores coevos como Philon de Alexandria e mais especialmente por Flavius Josephus nas suas obras A Guerra dos Judeus e as Antiguidades Judaicas.


No livro de Schiavone, por entre múltiplas considerações, tudo decorre como ensina a doutrina cristã. Cristo é crucificado, o que não obsta a que posteriormente, e por outras razões, Pilatos seja enviado a julgamento por Vitélio. Mas, chegado a Capri após a morte de Tibério, e sendo desterrado por Calígula, terminou os seus dias em Vienne (França), onde se terá suicidado


Entre as várias precisões que Schiavone estabelece figura a da impossibilidade de Pilatos lavar as mãos do sangue a derramar por Jesus (o que seria inadmissível para um romano) ou de ser incorrecta a afirmação dos Evangelhos de que Jesus fora condenado à morte pelos judeus, quando apenas o representante do imperador tinha o direito de vida e de morte sobre os seus súbditos.

O livro, que é um pouco repetitivo, não deixa de ser interessante, e é acompanhado de uma vastíssima bibliografia, onde se nota uma ausência gritante: a do livro do sociólogo e escritor francês Roger Caillois (1913-1978), um pequeno mas iluminado conto publicado em 1961, Ponce Pilate, traduzido para português em 1972.


O livro de Caillois é muito semelhante ao de Schiavone (não estou a acusar este de plágio) nos seus aspectos essenciais, mas tem um final surpreendente. Atormentado pelas suas dúvidas sobre a culpabilidade de Jesus, e tendo consultado um amigo caldeu, Marduk, sábio experiente na história das religiões, exilado na Judeia, refere-lhe este que o Messias tem de ser condenado para que se cumpram as Escrituras, e desvenda-lhe a história da Humanidade nos vinte séculos por vir.

Pilatos não encontra culpas em Cristo, nem nada que possa fazer perigar a administração romana, mas receia que os sacerdotes se queixem ao imperador. Já houvera precedentes. Há depois o sonho de sua mulher Prócula, os conselhos de Menenius, prefeito do Pretório, e a aversão de Pilatos pelos sacerdotes, cuja religião não compreende. Até estaria mais de acordo com a pregação de Jesus e aprovava  mesmo a expulsão dos vendilhões do templo. Por entre múltiplas atribulações, e uma noite de insónia, Pilatos decide não condenar Jesus, antes lhe facultando uma escolta de legionários para o proteger. Assim, não existe Crucificação, os apóstolos ficam desiludidos e afastam-se pouco a pouco, as previsões do Mestre obviamente não se cumprem e Jesus morrerá de velho. A Ressurreição e a Ascensão não se verificarão. Toda a história do Mundo, submetido a uma nova religião, a novos valores, profetizada por Marduk, toda a sua antevisão não terá lugar.

O CRISTIANISMO NUNCA EXISTIU.

Convenhamos que o livro de Roger Caillois, omitido na bibliografia, é mais estimulante que o estudo, porventura exaustivo e científico de Aldo Schiavone.


sexta-feira, 21 de julho de 2017

TOMAR, TERRA TEMPLÁRIA





Alguns dias atrás, fugindo do caos que se instala em Algés, anualmente, durante três dias, por causa da realização do inenarrável festival Optimus Alive, patrocinado pela  Câmara Municipal de Oeiras, entidade que se dedica igualmente a cortar de quando em vez, por causa de corridas, a circulação na Marginal, entre Algés e Oeiras (triste sina a destes munícipes), decidi passar um fim de semana alargado em Tomar.

Coincidiu a minha deslocação (mero acaso) por ocasião da Festa Templária na antiga cidade, o que me permitiu assistir a inesperadas celebrações.


Se é evidente que a principal atracção tomarense é o Convento de Cristo no Castelo que foi dos Templários, também algumas igrejas, como a de São João Baptista, a de Santa Maria do Olival ou a do antigo convento de São Francisco, bem como a minúscula Sinagoga, merecem atenção.

Castelo
Convento de Cristo
Idem
Idem
Idem
Idem
Idem
Aqueduto
Igreja Nª Sª Conceição

Ermida São Gregório
Igreja São Francisco
Idem
Sinagoga
Idem
Idem
Idem
Idem
Igreja São João Baptista
Idem
Idem
Idem
Idem
Igreja Santa Maria do Olival
Idem
Idem
Idem
Idem, lápide funerária de Gualdim Pais
Idem, Panteão dos Mestres Templários
Teatro Municipal
Arraial Templário no Parque do Mouchão
Idem
Idem, com a nora do Rio Nabão
O arraial, com a estalagem,  visto da piscina do hotel
Marcha templária
Idem
Idem
Idem
Idem
Idem
Idem

Havia ainda um concorrido Arraial Templário no Parque do Mouchão, junto ao meu hotel, e na última noite um cortejo nocturno, equestre e pedestre, desfilou desde o Castelo até à igreja de Santa Maria do Olival, onde se encontra sepultado o fundador da cidade e primeiro mestre templário local, Gualdim Pais.

Como curiosidade, não quero deixar de referir o Museu dos Fósforos, nas instalações do antigo convento de São Francisco, que reúne, graças a um emérito coleccionador, mais de 63.000 caixas de fósforos, oriundas de todos os países do mundo, com particular destaque para os conjuntos temáticos.

Não é este o lugar para nos alongarmos sobre a história de Tomar, mas importa referir o interessante livro de Vieira Guimarães, Thomar - S.ta Iria, que reúne importante informação sobre a cidade.



E por hoje, ficaremos assim.