quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O REGRESSO DE SÓCRATES




Sócrates regressou. Não! Não se trata do velho filósofo da Grécia Antiga, condenado à morte por corromper a juventude, mas do ex-primeiro-ministro de Portugal, também ele, agora, filósofo à sua maneira, neste país exangue e nesta Europa alucinada que já ninguém rapta tão perto se encontra do caos.

Não haja ilusões. José Sócrates está de volta. Preparou cuidadosamente o terreno, com comentários na televisão, entrevistas nos jornais, a publicação de um livro. José Sócrates sabe o que quer, não sei se sabe já para onde vai.

Verdade seja que o ex-primeiro-ministro tem a vida facilitada. O seu sucessor é, quiçá, a maior desgraça que tombou sobre o povo português desde o começo do constitucionalismo. Sujeitando a maior parte da população a uma austeridade inconsequente e por isso inútil, Passos Coelho é acusado de ter chumbado o famigerado PEC IV, porventura muito menos doloroso do que o programa da "troika" e de, à custa de mentiras eleitorais, se ter guindado ao poder para impor um resgate ominoso alienatório da soberania nacional.

Pode gostar-se ou não de José Sócrates, duvidar-se ou não da sua honestidade, competência ou sinceridade, mas é hoje por demasiado evidente, para a maioria dos portugueses, que, apesar de todas as questões delicadas que atravessaram o seu consulado, teria sido preferível continuar com uma figura original do que com uma imitação manhosa.

Assim, embora declare não ter (para já) ambições políticas, Sócrates abster-se-á de beber a cicuta. Regressou e está, supostamente, perdoado.

1 comentário:

Anónimo disse...

Adorei a "imitação manhosa",é mesmo do que se trata. Podemos não gostar do Sócrates, mas pelo menos, já sabemos ao que vamos.
Claro que tem ambições políticas e, nisso é coerente. Ele sabe muito bem o que quer mas, sobretudo o que não quer. E não quer que lhe seja aplicado o provérbio brasileiro que diz: " em político afastado nem o vento lhe bate nas costas".