quinta-feira, 30 de junho de 2011

A OBSCENIDADE DA DEMOCRACIA


É suposto (e escrevo que é 'suposto' pois já de quase nada tenho a certeza) que a Grécia é a mãe da DEMOCRACIA. A própria palavra 'democracia' é grega. Todavia, os acontecimentos que se verificam desde há semanas (ou meses) naquele país, não abonam muito a favor do conceito de 'governo ou poder do povo'.  As sucessivas medidas de austeridade impostas à Grécia ameaçam a sobrevivência desta nação enquanto estado independente e a contestação às mesmas na praça pública (poderíamos dizer na 'agora') tem-se revelado, por enquanto, relativamente inócua.

Parece que os gregos têm vivido "acima das suas possibilidades", expressão hoje largamente utilizada na indigente comunicação social nacional mas que foi usada várias vezes, em tempos idos, por Salazar, a propósito do reequilíbrio das finanças portuguesas. Não sei se a generalidade dos gregos trabalha pouco e ganha muito, mas de certeza que a crítica situação financeira a que chegou a Grécia se deve em especial à má governação, à corrupção da classe política (como é atestado pelas cerca de três centenas de fotografias identificadas que constam dos cartazes afixados nas principais ruas de Atenas) e à especulação financeira globalizada que, se não for travada, destruirá completamente o planeta.

Ensinou-me a idade e a experiência da vida que não há regimes bons, sendo que uns são piores do que outros. Assim, considerando-se as democracias superiores às ditaduras, e havendo democracias más e muito más e ditaduras más e muito más, poderá ocorrer que uma ditadura má seja superior a uma democracia muito má. De resto, é bom não esquecer, foi na velha democracia ateniense que Sócrates (o Filósofo) foi condenado no Tholos da Agora a beber a cicuta.

Ruínas do Tholos na Agora de Atenas

As medidas draconianas (o termo é apropriado, já que Drácon foi uma espécie de ditador) impostas agora ao povo grego têm o mérito de revelar a face oculta de uma organização totalitária (a União Europeia) e de uma classe que não ousa dizer o nome (a banca internacional). Não creio que essas medidas salvem a Grécia e receio mesmo que contribuam para o desastre total da Europa, governada por criaturas ambiciosas, ineptas e inaptas, mergulhando o Velho Continente na miséria e no caos.

Reclamando-se a União Europeia dos mais lídimos princípios da democracia (que até pretende exportar, tal como os Estados Unidos, para outras latitudes e longitudes), não poderemos deixar de contemplar o rosto obsceno desse tipo de democracia.

Essa contemplação levou-nos a reflectir sobre o livro de Jacques Vergès La démocratie à visage obscène. O seu autor é um advogado controverso, todavia um dos mais notáveis advogados da França e do mundo. Apelidado muitas vezes  de "advogado do Diabo", tem defendido, ao longo da sua extensa carreira, as mais controversas figuras da vida internacional.

O livro em questão tem a ver com a invasão do Iraque por George W. Bush, e com os procedimentos criminosos das forças armadas americanas. Mas é igualmente um libelo acusatório contra os países, e os políticos, que envergando as vestes da democracia, actuam como os próceres das mais sanguinárias ditaduras.

Assim, deveremos acautelar-nos dos rótulos democráticos e dos propósitos dos democratas. Todo o cuidado é pouco com os falsos profetas. Atente-se nas palavras do Evangelho: «Pelos frutos os conhecereis».

2 comentários:

O Gajo Tá Vivo Mas Nã Se Meche disse...

a democracia é a dos clãs

desde as hordas primitivas aos vikings

a democracia dos thing's das assembleias da tribo

لويه جرګه as loya's jirgas das tribos de montanha ou dos povos da floresta

os gregos apenas institucionalizaram uma forma de democracia

tal como os sovietes foram subvertidos pelo estado russo...apenas isso

O Gajo Tá Vivo Mas Nã Se Meche disse...

لويه جرګه heeft gegeven demo cracia