quarta-feira, 14 de agosto de 2013

PAISAGEM DO EGIPTO DEPOIS DA BATALHA




Registámos aqui, o aviso do Governo egípcio aos partidários do ex-presidente Mohamed Morsi que se mantinham acampados, há um mês, em duas grandes praças do Cairo, Rabaa al-Adawiya e Nahda. O ultimato era claro: ou dispersavam voluntariamente ou seria usada a força para desocupar os locais. Os irmãos muçulmanos e seus apoiantes insistiram em permanecer. O aviso governamental concretizou-se hoje com a expulsão manu militari dos contestatários do novo poder estabelecido.

Como era previsível, dos confrontos, que ainda decorrem, não só no Cairo mas em Alexandria, Suez, Assuão, Ismaïlia, Assyut, Fayum, etc., resultaram já mais de 300 mortos e cerca de 2.000 feridos. Aquelas praças assemelham-se ao cenário de uma batalha campal, que, na verdade, foi e verificam-se manifestações e ajuntamentos noutros pontos da capital.

O Governo interino decretou o estado de emergência por um mês, com recolher obrigatório, suspendeu a circulação ferroviária, mandou encerrar os bancos, os museus, os sítios arqueológicos  e adoptou outras medidas adequadas à situação de grande tensão que se vive no país. Entretanto, como protesto contra o ataque aos sit-ins, o vice-presidente da República, Mohamed ElBaradei, renunciou ao cargo.



Não é expectável que a situação evolua para um estado de guerra civil, tipo Síria, mas é provável que a Irmandade Muçulmana, que já no passado foi responsável por ataques terroristas, retome actividades menos recomendáveis, como ataques contra estrangeiros, especialmente turistas, a exemplo dos que se verificaram há anos frente ao Museu Egípcio do Cairo e no Templo de Hatshepsut  Verdade se diga que o turismo no Egipto era já residual desde a deposição de Mubarak e ficará praticamente extinto a partir de hoje.

Entretanto os islamistas assaltaram 22 igrejas coptas e sete católicas, e o papa copta Tawadros II recolheu-se num mosteiro com receio de ser assassinado. Temem-se confrontos entre islamistas e coptas, já que a Irmandade Muçulmana fez um apelo à população para sair para a rua em protesto contra o "massacre".

A chamada "primavera árabe" está a deixar atrás de si um rasto de sangue e destruição, olhe-se para a Tunísia, a Líbia, o Egipto, a Síria. Interroga-se hoje muita gente quanto à forma como eclodiram as revoluções contra os regimes daqueles países, supostamente para estabelecer governos democráticos. Que, no caso da Líbia, determinou uma aberta intervenção estrangeira. Quem ganha com a instabilidade no mundo árabe? Quem aproveita com a queda de ditadores, depois substituídos por dirigentes fundamentalistas, que acabarão por ser contestados por grande parte das populações? Desde a invasão anglo-americana (etc.) do Iraque que não há sossego no Médio Oriente e no norte de África. Será que toda esta agitação obedece a um plano ainda parcialmente invisível. E digo parcialmente porque o petróleo é um dos objectivos. Está em curso um redesenhar estratégico da região. Aguardemos.

1 comentário:

Anónimo disse...

Tem que se esperar para descortinar o futuro do Mèdio-Oriente. As fronteiras coloniais acabarão por ser postas emcausa. Algo de novo surgirá