quinta-feira, 8 de agosto de 2013

PAISAGEM DO EGIPTO ANTES DA BATALHA




Não estou a parafrasear um título de Juan Goytisolo (sobre quem escreverei brevemente), mas o ambiente no Egipto, neste dia de Aïd al-Fitr, que marca o fim do mês do Ramadhan, é de uma festividade expectante, atendendo às declarações do chefe do Estado, Adly al-Mansur, quanto à obrigatoriedade dos partidários de Mohamed Morsi abandonarem a partir de hoje os acampamentos que mantêm há semanas nas praças Rabaa al-Adawiya e Nahda, no Cairo, se necessário recorrendo à força, e a vontade dos mesmos de permanecerem nos locais até à reintalação no poder do presidente deposto.

Os Irmãos Muçulmanos continuam a apelar à resistência, não só no Cairo, mas também em Alexandria, em Qena e noutras cidades, recusando o diálogo com o Governo enquanto as suas pretensões (o regresso de Morsi) não forem satisfeitas. As Forças Armadas, que agora controlam realmente o país, e que fizeram o ultimato aos manifestantes, consideram que não é possível nenhum acordo enquanto durarem os sit-in dos islamistas.



Goradas que foram as negociações com a intermediação dos representantes dos Estados Unidos e da União Europeia, e atendendo aos muitos milhares de pessoas que estão acampadas ou que estão a convergir para a capital, a expectativa é grande, receando-se um banho de sangue se os militares e a polícia levarem por diante a sua determinação de "limpar" as zonas em causa.

Há ainda a esperança que possam ser entabuladas conversações de última hora, in extremis, que evitem um confronto de consequências imprevisíveis e indesejáveis.

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