sábado, 7 de janeiro de 2012

AS TRÊS PARCAS


As Três Parcas, deusas da mitologia romana (Moiras, na mitologia grega), determinavam o destino dos homens, fabricando, tecendo e cortando o fio da vida de todos os indivíduos. Utilizavam para o efeito a "Roda da Fortuna".

Tem o mundo estado sujeito, também, nos últimos anos, a três outras parcas que, através de guerras mortíferas, decidiram da vida e da morte de milhões de pessoas. Refiro-me às três secretárias de Estado norte-americanas, a judia-checa-americana Madeleine Albright, a afro-americana Condoleezza Rice e a WASP-americana Hillary Clinton.

Todas elas estão ligadas a decisões sinistras para a história da humanidade, mas as três estão ainda vivas. Retenhamos apenas alguns aspectos fundamentais.


Madeleine Albright (n. 1937) foi secretária de Estado de 1997 a 2001, durante a presidência de Bill Clinton. Foi uma das artífices da desintegração da Jugoslávia e impôs à NATO, na reunião de Rambouillet, o bombardeamento da Sérvia, incluindo a cidade de Belgrado. Eu mesmo vi, no ano seguinte, os efeitos provocados pelas bombas. Uma parte das infraestruturas sérvias foi destruída e o país foi reduzido à miséria. Seguiu-se a criação da república do Kosovo, que muitos estados ainda não reconhecem como nação independente, e que alberga bases militares norte-americanas. Entretanto o presidente da Jugoslávia, Slobodan Milosevic, foi destituído e posteriormente transferido para o Tribunal Internacional da Haia, onde morreu, provavelmente assassinado.



Condoleezza Rice (n. 1954) foi secretária de Estado de 2005 a 2009, durante o segundo mandato de George Bush. Havia sido Conselheira Nacional de Segurança durante o primeiro mandato do dito, quando Colin Powell era secretário de Estado (2001-2005). A sua influência junto de Bush tornou-se determinante para as decisões mais controversas, ultrapassando o próprio Powell. Foi uma das principais defensoras da guerra do Afeganistão e da invasão do Iraque e contribuiu em grande medida para a chamada "revolução laranja" na Ucrânia.


Hillary Clinton (n. 1947) é secretária de Estado desde 2009, durante a presidência de Barack Obama. Tem intervindo, umas vezes mais discretamente, outras publicamente, nas revoluções que estão a abalar o mundo árabe. Defendeu a invasão da Líbia e é uma das mais fervorosas partidárias de um ataque à Síria e ao Irão. Igualmente, tem fingido procurar uma solução equitativa para a resolução do conflito israelo-palestiniano, sem resultados aparentes, tendo-se oposto tenazmente à admissão da Palestina na UNESCO.

Estas três parcas, que se sucederam (com o intervalo do período Colin Powell) na condução da política externa dos Estados Unidos, isto é, desde 1997 até hoje, são algumas das responsáveis (há também, como sempre, os responsáveis ocultos) pelas tragédias que desde há década e meia assolam o planeta.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O DESMEMBRAMENTO PROGRAMADO DO MUNDO ÁRABE

Publicado em 3.01.2012 pelo blogue "OCTOPUS"

(Vermelho) Países em crise (cor-de-laranja)  Manifestações (cor-de rosa)  Poder deposto


O complô está dirigido contra a Síria e não contra Bachar al-Assad, este só é atingido porque é o presidente do país. A ordem instaurada após a primeira guerra mundial está-se a chegar ao fim. 

Atingir o Irão através da Síria  

A influência crescente do Irão, aliado da Síria, está a perturbar os planos geoestratégicos da NATO. O ocidente está a tentar retomar em mão a situação. A desestabilização da Síria, como a do Iraque, faz parte do projecto de desmembramento do mundo árabe com base em nas diferenças étnicas, tribais e religiosas.

Pretende-se criar mini-Estados antagonistas no mundo árabe. O "caos construtivo e controlado", preconizado pelos neoconservadores, durante a governação de George W. Bush, arrisca-se a acabar simplesmente e apenas no caos. Para as multinacional tanto faz, o principal objectivo para elas é o controlo dos campos petrolíferos e... a sobrevivência de Israel como Estado judaico.

O número de vítimas civis anunciado pela ONU, que dá cobertura "humanitária" à operação contra a Síria, nunca foi confirmado. Para a NATO e Israel, depor o regime de Damas, liquidar o Hezbollah libanês e o Hamas palestiniano, representam apenas etapas.

Os americanos e os franceses pediram várias vezes a Bashar al-Assad de se distanciar do seu aliado iraniano. Ele recusou por suspeitar que quando a sua vez chegar, ele ficaria só e desprotegido perante a máquina de guerra ocidental.

Bases americanas à volta do Irão

Cercar o Irão

Neste momento temos um "arco xiita" ao qual os ocidentais querem contrapor um "crescente sunita" que reúne os Emirados do Golfo, os réis da Arábia Saudita e da Jordânia, e os partidos político-religiosos que lhes são mais ou menos favorável, mais não seja por oportunismo, como é o caso da Irmandade Muçulmana.


Cerco militar americano à Rússia


Enfraquecer a Rússia

Sendo a Rússia um obstáculo, no plano americano, os Estados Unidos rapidamente tornaram-se o porta-voz de certos blogues russos e das Organizações Não-Governamentais (ONG), que eles financiam na Rússia, para denunciar pretensas fraudes eleitorais durante as últimas eleições legislativas.

O antigo presidente Mikhail Gorbatchev, apoiado pelas oligarquias refugiadas no Reino Unido, chegaram a reclamar novas eleições. Manifestações anti-Putine foram organizadas e Gorbatchev "aconselhou" a Putine a apresentar a sua demissão.

Todos os ingrediente utilizados pelo milionário George Soros, especialista em "revoluções coloridas", estavam reunidos. Centenas de milhões de dólares de "fundos estrangeiros" cedo começaram a circular na Rússia para influenciar o escrutínio.

Esses fundos financiam as ONG russas pro-ocidentais transitando pelo National Democracy Institute presidido pela antiga secretária de estado Madeleine Albright, uma organização que também tínhamos visto por trás de muitos blogues na origem das "primaveras árabes". 

O objectivo era livrar-se de Putine, ou denegrir a sua imagem, para evitar o veto dos russos no Conselho de Segurança da ONU quando for necessário intervir na Síria ou no Irão.


Cerco militar americano à China


A ONU legítima os crimes da NATO

A ONU é responsável pelos crimes que legaliza através das medidas tomadas pelo seu Conselho de Segurança. A ONU foi criada para servir os interesses dos vencedores da segunda guerra mundial. Nenhum membro da ONU deveria estar acima das leis e das convenções internacionais, como é o caso dos Estados Unidos.

Alargar o Conselho de Segurança aos grandes países emergentes, a Índia, o Brasil e a África do Sul, é necessário mas não suficiente. A reforma do direito de veto é fundamental. Muitos são os que querem que o papel da ONU seja apenas "um local para fazer discursos", como é o caso do Council on Foreign Relations, sendo que o "governo mundial" seria o G20. Muitos interesses estão em jogo, talvez tenhamos que esperar pela terceira guerra mundial para assistir ao nascimento de uma organização mais representativa.

Não sou o único a pensar que para colmatar o seu declínio económico e político, os Estados Unidos e os seus aliados irão atacar a Rússia e a China. O plano actual de cercar e desestabilizar estes dois países é sinal disso.

 

Tradução Octopus de um excerto de uma entrevista de Gilles Munier, secretário-geral da associação Amitiés Franco-Irakiennes, ao jornal de informação independente argelino "La Nouvelle République":

Gilles Munier escreve no blogue: http://www.france-irak-actualite.com/


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A POLÉMICA SOBRE A MAÇONARIA


A polémica que se instalou na sociedade portuguesa a propósito da Maçonaria, leva-me a transcrever, com a devida vénia, o texto que José Antóno Barreiros publicou no seu blogue "A Revolta das Palavras", e que na generalidade subscrevo: 

Sociedade iniciática destinada ao conhecimento esotérico, através de rituais simbólicos, associação benemerente, clube filosófico, deísta na tradição inglesa ou agnóstica na tradição francesa, a Maçonaria pode ser uma agremiação de pessoas de bem, afirma-se ser de «homens livres e de bons costumes», como consta de um dos seus textos fundadores. O problema é a definição do que sejam «bons costumes»
Fernando Pessoa, que não era maçon, defendeu-a honradamente num memorável escrito, quando foi promulgada legislação que levou à sua extinção pelo Estado Novo. 
Estado Novo, diga-se, de que muitas das suas figuras gradas pertenciam a lojas maçónicas e detinham altos graus. Foi maçon o próprio Presidente da República, Óscar Fragoso Carmona, foi maçon e fundador da loja Fernandes Tomás, na Figueira da Foz, o professor de Direito José Alberto dos Reis. O primeiro, promulgou a lei que ilegalizou a Maçonaria, o segundo presidiu à Assembleia Nacional onde se votou. Figuras da Igreja Católica, com grau de Bispo, foram membros da Maçonaria. Fiéis ao seu Deus e ao Supremo Arquitecto do Universo.
O facto de a sociedade dos pedreiros-livres se prestar a conluio e a perversões  é tão antiga como a sua existência. A sua defesa e os ataques contra ela são parte da História Contemporânea. Trata-se de uma entidade que já recebeu como irmão o ditador Augusto Pinochet e de que fizeram parte a quase totalidade dos Presidentes dos Estados Unidos da América e grande número de membros da Família Real Inglesa. Além de uma multidão de pessoas que, em termos de importância social, são nada. E gente decente que nada tira e tudo dá.
Há nela de tudo. E há sobretudo quem esteja nela pelas mais díspares razões, incluindo as moralmente honestas. E quem a abandone pelos mais variados motivos, incluindo os miseráveis e até pela inconsciência de ter estado. E o seu contrário. 
Alexandre Herculano, ao ter saído, mal entrara, escreveu, em 1876: «Uma das minhas rapaziadas foi ser pedreiro livre. Não tardei a deixá-la (à Maçonaria). Achei a coisa mais inepta, mais inútil e muito mais ridícula que uma irmandade de carolas». Sucedeu a muitos.
Salazar, um católico que o CADC animara, sobrepôs a sua ânsia de poder total à sua moderação conservadora, e fez decretar, através de uma Lei n.º 1901, proposta na Assembleia Nacional pelo deputado José Cabral, a extinção da Maçonaria, Lei das Associações Secretas, a votada sob Alberto dos Reis e firmada por Carmona, em nome da qual todos os funcionários públicos teriam de jurar não pertencer nem jamais pertencer-lhes. 
Foi por causa do jamais pertencer que o filósofo Agostinho da Silva, em nome da liberdade de poder vir a pertencer, se exilou no Brasil. Quis, já agora, o paradoxo que voltasse a Portugal para um encontro secreto com o mesmo Salazar, através de um arranjo organizado por Franco Nogueira, Ministro dos Negócios Estrangeiros do antigo regime, mas quiseram as fadas que o encontro não tivesse lugar, porque tinha havido uma indiscrição. E daí que esse encontro secreto tivesse passado a um momento discreto na vida do filósofo que não abjurara o secretismo, e que era, aliás, um grande homem e um notável vulto da Cultura.
Escrevo isto porque está na ordem do dia a questão de, a coberto da Maçonaria, poder haver arranjos interesseiros entre políticos, negócios e serviços secretos e outras tropelias. E estar em causa quem deve ou não pertencer. E discutir-se se o mal não é a Maçonaria em si ou aquelas ovelhas negras do rebanho laico.
Não faz dúvida ao meu espírito nada do que se discute. Por isso aqui estou.
Não há uma Maçonaria, sim lojas maçónicas. Cada uma tem autonomia e pode albergar uma corja de bandidos ou um grupo de ingénuos. Não há uma Maçonaria, sim várias Maçonarias, com várias orientações filosóficas e diversos rituais, de que os ritos Escocês Antigo e Aceito e o Francês são os mais difundidos em Portugal.
Não se trata em rigor de uma sociedade secreta, porque tudo o que ali se passa de regular e lícito consta de uma imensa biblioteca disponível em qualquer livraria e cada um é livre de declarar a sua pertença. O segredo da Maçonaria, a justa e perfeita, é outro, é o conhecimento gnóstico que a fraternal cadeia de união, através do ritual, permite alcançar, o mistério da morte e ressurreição, a transmutação da imperfeição, uma  alquimia em que se torna o chumbo corpóreo na alma aurífera. O tentar o encontro do homem com o Homem, a semente do Humanismo. Como se num êxtase, uma celebração, uma epifania. Quando sucede.
Problema é o que se possa passar nos bastidores, pior, nos esgotos dali. E que a natureza da organização torne suspeito porque menos claro. Daí que eu ache que magistrados não devem fazer parte de nada que não seja público, laico ou religioso. Porque não se podem expor à mínima dúvida.
Claro que, acossadas pela simplificação que os media servem e a política instiga, as pessoas perdem o fiel da balança mental que é o elemento comparativo. O medo ajuda a não pensar. E nada como quem não pensa muito para condenar depressa, tudo e todos.
Num país maioritariamente católico, ridiculariza-se o usar avental em cerimoniais, esquecendo que os padres católicos andam de saias, casulas, estolas e se munem de báculo e hissope e outros artefactos que, vistos de fora, podem ser tão absurdos como ridículos para os que perderam o respeito ao que é simbólico e cuja alarvice os levaria seguramente a rir à gargalhada quando, no momento agónico de uma missa, aquele sujeito assim vestido eleva os braços com uma roda de farinha e a um cálice e dele bebe o vinho! 
E com isso se faz blague e risota fácil.
A partir daí está aberta a porta à argumentação barata, mesmo vinda da boca dos que deveriam ter da inteligência um pouco mais de sobejos. Transformada, no arengar desses, em baile de máscaras, a Maçonaria degradada a Carnaval, os seus membros tornam-se palhaços idiotas enfeitados e o Zé Povinho ri, apoucando, às escâncaras, como se o circo tivesse descido à cidade.
Claro que tudo isto é fácil de passar a espectáculo nos meios de comunicação de massa onde se perdeu pudor na argumentação e sobretudo respeito, tudo afogado pela rudeza vil e pela insolência canalha. Basta ligar a TV e ver o lixo nauseabundo que é servido ao País como entretenimento, a devassa sórdida, a violência sanguinária, a repugnância verbal do palavrão a passar por humor, a demagogia.
 Mas não é só do ridículo que cuidam os que vêm para a praça pública por causa da Maçonaria. É que, segundo alguns, ela permite ilegalidades e crimes impunes, porque secreta. Ora está aí o ponto por causa do qual vim aqui.
É que os mesmíssimos que assim o proclamam são os que esquecem, em amnésia conveniente, que, em igual critério, a própria Igreja Católica escorre sangue e vergonha porque se comprometeu, em nome da Fé, com coisas bem mais graves do que negociatas e combinas, quando legitimou a carnificina das Cruzadas contra o Infiel ou o extermínio indiscriminado pela "Santa" Inquisição. Para não falar da pedofilia, em Papas sodomitas e assassinos. Houve tragicamente de tudo. 
Com uma diferença para pior. É que, na hora do apuramento das contas, dos maçons os honrados ainda podem dizer que, dada a discrição com que tudo se passa no seu seio, não sabiam do que de gravemente errado se passava na Obediência, e dada a autonomia de cada loja e seus triângulos poderão argumentar que só algumas estarão em crime de prevaricação e que ainda há quem se salve. 
Na Igreja Católica, das catedrais carregadas de ouro às capelinhas rurais despidas de qualquer adorno, tudo se passou e passa sempre de casa cheia e à vista de todos. Todos os que se ajoelham em oração ou no silêncio dos seus lares rezam ao santo da sua devoção não ignoram o que foi e o que é o Templo Universal a que pertencem e sobretudo a sua História. Impõe-se-lhes humildade e pedido de perdão. Quem estiver livre de pecado que atire a primeira pedra.
As centenas de milhares de seres humanos que, em nome da Fé Cristã, foram exterminados, no dia do Juízo Final levantarão, acusadores, o dedo, sim, para para toda a cristandade. O mesmo Deus que permitiu a matança terá de absolver os matadores.
Inocentes há seguramente também no catolicismo, os que estão na religião por uma união mística com o Divino, os da Igreja de Paulo pedindo perdão pela Igreja de Pedro. Os que rezam a Deus e não a sacerdotes, os que renegam o Bezerro de Ouro, os que clamam por Jesus Cristo e seu azorrague contra os Vendilhões do Templo. Como em todos aqueles cuja Fé passa por Igrejas e Templos.
Um dia, na aldeia de Abravezes, era eu garoto, ouvi, à porta de minha casa, a minha mãe, no dia de hoje precisamente e a esta hora entregue na mesa cirúrgica ao acaso da vida e da morte, rematar uma altercação violenta com o cura da paróquia, que se recusara a ir encomendar o corpo de um pobre tuberculoso, que vivia de esmolas num palheiro, por não ser dos que pagava a côngrua. Rematando o responso, ela que tinha ido ao cemitério, de livro na mão rezar o «dai-lhes Senhor eterno descanso», o que qualquer Baptizado pode fazer como última oração antes que o pó se torne pó, lançou-lhe, como se em danação moral, àquele vergonhoso vigário: «E saiba Senhor Padre, que a minha Religião é directamente com Deus, dispensa Padres!». 
É a diferença entre a Fé, os ideias, os princípios e as organizações humanas que dizem servi-los.
Eis o que nesta manhã, o meu coração íntimo dorido sentiu e a minha cabeça privada cansada pensou.
Enfim a parte cívica, pública, social: se há que denunciar vigarices, arranjismos, compadrios, pulhices a coberto de organizações, vamos a isso! Mas vamos a direito. Que não seja só nos serviços de informações. 
Há uma forma simples: cada um declara a sua pertença presente e passada e o porquê: mas que isso suceda nos jornais, nos tribunais, na política, nas organizações religiosas.
Quanto a mim o que havia para saber sabe-se e soube-se pela minha boca.
Mas, já agora, porque quando o Sol nasce é para todos e o de hoje teimou em chegar, há horas com este texto que arranco às entranhas da alma, não só ser maçon: que nada escape. Que se faça um varejo de alto a baixo da influência e penetração que tiveram outras organizações, essas à pala da religião, na vida portuguesa. 
Basta de hipocrisia, chega de velhacaria! 
A certos e determinados que estão silenciosos quais fantasmas, lembro-lhes, para incutir ânimo, o que o seu Jose Maria Escrivà de Ballaguer escreveu: «Vira as costas ao infame, quando sussurra aos teus ouvidos: "Para que te hás-de meter em complicações?"».  Venham esses também, para a praça pública, que agora é que isto está bom e sobretudo apetitoso e é a oportunidade sacrificial da mortificação. 
Querem portanto discutir os organismos de influência em Portugal e no Mundo? Embora, vamos a isso! Até por uma questão de higiene moral e cívica.
É pois hora de barrela!  Hora de arregaçar mangas, pôr a água a correr, venha a sabonária e a lixívia. 
Que este Pais, que mete nojo e cheira mal, está a precisar de uma boa esfrega!

ATENTADO SUICIDA EM DAMASCO


Um bombista suicida fez-se explodir esta manhã num muito movimentado cruzamento do bairro de Al-Midan, no centro de Damasco, provocando pelo menos 25 mortos e mais de 50 feridos, em grande parte crianças, já que a detonação teve lugar próximo de uma escola. Sendo a área uma das mais populosas da capital síria, houve a preocupação de causar o maior número de vítimas.

A oposição a Bachar Al-Assad acusou o regime de ter perpetrado o ataque, enquanto o Governo responsabiliza pelo atentado a Al-Qaeda e forças oposicionistas associadas.

Como escrevemos ontem, existe a deliberada intenção de desencadear uma guerra civil no mundo árabe, em que estariam particularmente interessados os Estados Unidos, o presidente cessante francês Nicolas Sarkozy "grand criminel devant l'éternel" (que esperamos e desejamos abandone rapidamente a vida política) e alguns países do Golfo, que reprimem tenebrosamente as suas manifestações, sem que a imprensa internacional disso dê conta, nem mesmo a cadeia televisiva Al-Jazira, et pour cause.

SUL-AMERICANOS NO FUTEBOL NACIONAL


Os futebolistas sul-americanos não param de se transferir para Portugal. Agora é a vez do brasileiro Alexandre Luiz Reame (Xandão), de 23 anos, natural de Araçatuba (1988). Xandão, que mede 1,93 m (estes latino-americanos são todos muito altos), jogou a época passada no São Paulo, tendo sido agora emprestado por 18 meses ao Sporting pelo Desportivo Brasil, a que pertence. Segundo relatos da imprensa, Xandão é considerado um jogador de grandes recursos, assegurando a comunicação social que não ficará enganado quem recorrer aos seus préstimos.


Todavia, sempre me surpreendeu a facilidade com que os jogadores de futebol são comprados, vendidos, alugados, emprestados, etc., e até têm um passe (honny soit qui mal y pense) que permite a sua utilização por terceiros. De facto, tudo é muito mais difícil na "vida normal".

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

PEDRO OSÓRIO


Faleceu hoje, no Hospital de São Francisco Xavier, o maestro, músico e compositor Pedro Osório, de 72 anos, que se encontrava doente há algum tempo.

Reservando para os obituários a descrição das suas actividades, recordemos apenas que Pedro Osório começou a actuar no princípio dos anos 60, integrou vários conjuntos, compôs numerosas músicas e deixa uma vasta discografia.

A GUERRA CIVIL NO IRAQUE


O Iraque voltou a ser hoje abalado por uma vaga de explosões, nomeadamente em Baghdad e Nasiriya, que provocou, segundo as primeiras informações, mais de 70 mortos e cerca de 200 feridos.

Como já tivemos ocasião de referir, por várias vezes, um dos objectivos da invasão anglo-americana do Iraque foi a instalação da guerra civil naquele país. As presentes acções agudizam a rivalidade religiosa entre sunitas e xiitas, e destes com os cristãos (recordemos os ataques a igrejas) que viveram sempre em paz no tempo de Saddam Hussein, aliás como os próprios muçulmanos de ambos os ramos; embora o regime tendesse a favorecer, naturalmente, os sunitas. A única etnia que foi realmente perseguida foi a curda, mas as suas vítimas estão longe do número de mortos, feridos, enlouquecidos, estropiados, desalojados, expatriados, etc., que entre as forças invasoras e os habitantes iraquianos se eleva, segundo as estatísticas, a cinco milhões.

Saddam Hussein, que foi julgado por um tribunal fantoche, é hoje chorado pela maior parte dos iraquianos.

A "comunidade internacional", que interferiu na Tunísia e no Egipto, invadiu a Líbia e se prepara agora para atacar a Síria e depois o Irão, preservando embora as ditaduras da Península Arábica, não se detém perante o número de vítimas, o que parece dar razão àqueles que proclamam que está em curso um programa de redução da população mundial, pela via do extermínio, a fim de preservar os escassos recursos do planeta.

A ISLÂNDIA TAMBÉM É EUROPA


Não constituindo propriamente novidade,transcrevo oste mail enviado por um amigo:

Porque silenciam a ISLÂNDIA?

OBRIGATÓRIO LER E DIVULGAR


Troika, ministros, presidentes, economistas, jornalistas, chanceleres, membros da nato e da CE, comentadores, politólogos, génios das soluções já inventadas - mas e o exemplo da Islândia ninguém fala nele?

Qual a razão?

Porque silenciam a ISLÂNDIA?

Estamos neste estado lamentável por causa da corrupção interna - pública e privada com incidência no sector bancário - e pelos juros usurários que a Banca Europeia nos cobra.

Por isso, acho que era altura de falar na Islândia, na forma como este país deu a volta à bancarrota, e porque não interessa a certa gente que se fale dele.

Não é por acaso que não se fala da Islândia (o primeiro país a ir à bancarrota com a crise financeira) e na forma como deu a volta à crise.

Ao poder económico mundial, e especialmente o Europeu, tão proteccionista do sector bancário, não interessa dar notícias de quem lhes bateu o pé e não alinhou nas imposições usurárias que o FMI lhe impôs para a ajudar.

Em 2007 a Islândia entrou na bancarrota por causa do seu endividamento excessivo e pela falência do seu maior Banco que, como todos os outros, se afogou num oceano de crédito mal parado.

Exactamente os mesmo motivos que tombaram com a Grécia, a Irlanda e Portugal.

A Islândia é uma ilha isolada com cerca de 320 mil habitantes, e que durante muitos anos viveu acima das suas possibilidades graças a estas "macaquices" bancárias, e que a guindaram falaciosamente ao 13º no ranking dos países com melhor nível de vida (numa altura em que Portugal detinha o 40º lugar).

País novo, ainda não integrado na UE, independente desde 1944, foi desde então governado pelo Partido Progressista (PP), que se perpetuou no Poder até levar o país à miséria.

Aflito pelas consequências da corrupção com que durante muitos anos conviveu, o PP tratou de correr ao FMI em busca de ajuda.

Claro que a usura deste organismo não teve comiseração, e a tal "ajuda" ir-se-ia traduzir em empréstimos a juros elevadíssimos (começariam nos 5,5% e daí para cima), que, feitas as contas por alto, se traduziam num empenhamento das famílias islandesas por 30 anos, durante os quais teriam de pagar uma média de 350 Euros/mês ao FMI.

Parte desta ajuda seria para "tapar" o buraco do principal Banco islandês.

Perante tal situação, o país mexeu-se, apareceram movimentos cívicos despojados dos velhos políticos corruptos, com uma ideia base muito simples: os custos das falências bancárias não poderiam ser pagos pelos cidadãos, mas sim pelos accionistas dos Bancos e seus credores.

E todos aqueles que assumiram investimentos financeiros de risco, deviam agora aguentar com os seus próprios prejuízos.

O descontentamento foi tal que o Governo foi obrigado a efectuar um referendo, tendo os islandeses, com uma maioria de 93%, recusado a assumir os custos da má gestão bancária e a pactuar com as imposições avaras do FMI.

Num instante, os movimentos cívicos forçaram a queda do Governo e a realização de novas eleições.

Foi assim que em 25 de Abril (esta data tem mística) de 2009, a Islândia foi a eleições e recusou votar em partidos que albergassem a velha, caduca e corrupta classe política que os tinha levado àquele estado de penúria.

Um partido renovado (Aliança Social Democrata) ganhou as eleições, e conjuntamente com o Movimento Verde de Esquerda,
formaram uma coligação que lhes garantiu 34 dos 63 deputados da Assembleia).

O partido do poder (PP) perdeu em toda a linha.

Daqui saiu um Governo totalmente renovado, com um programa muito objectivo: aprovar uma nova Constituição, acabar com a economia especulativa em favor de outra produtiva e exportadora, e tratar de ingressar na UE e no Euro logo que o país estivesse em condições de o fazer, pois numa fase daquelas, ter moeda própria (coroa islandesa) e ter o poder de a desvalorizar para implementar as exportações, era fundamental.

Foi assim que se iniciaram as reformas de fundo no país, com o inevitável aumento de impostos, amparado por uma reforma fiscal severa.

Os cortes na despesa foram inevitáveis, mas houve o cuidado de não "estragar" os serviços públicos tendo-se o cuidado de separar o que o era de facto, de outro tipo de serviços que haviam sido criados ao longo dos anos apenas para serem amamentados pelo Estado.

As negociações com o FMI foram duras, mas os islandeses não cederam, e conseguiram os tais empréstimos que necessitavam a um juro máximo de 3,3% a pagar nos tais 30 anos.

O FMI não tugiu nem mugiu.

Sabia que teria de ser assim, ou então a Islândia seguiria sozinha e, atendendo às suas características, poderia transformar-se num exemplo mundial de como sair da crise sem estender a mão à Banca internacional.

Um exemplo perigoso demais.

Graças a esta política de não pactuar com os interesses descabidos do neo-liberalismo instalado na Banca, e de não pactuar com o formato do actual capitalismo (estado de selvajaria pura) a Islândia conseguiu, aliada a uma política interna onde os islandeses faziam sacrifícios, mas sabiam porque os faziam e onde ia parar o dinheiro dos seus sacrifícios, sair da recessão já no 3º Trimestre de 2010.

O Governo islandês (comandado por uma senhora de 66 anos) prossegue a sua caminhada, tendo conseguido sair da bancarrota e preparando-se para dias melhores.

Os cidadãos estão com o Governo porque este não lhes mentiu, cumpriu com o que o referendo dos 93% lhe tinha ordenado, e os islandeses hoje sabem que não estão a sustentar os corruptos banqueiros do seu país nem a cobrir as fraudes com que durante anos acumularam fortunas monstruosas.

Sabem também que deram uma lição à máfia bancária europeia e mundial, pagando-lhes o juro justo pelo que pediram, e não alinhando em especulações.

Sabem ainda que o Governo está a trabalhar para eles, cidadãos, e aquilo que é sector público necessário à manutenção de uma assistência e segurança social básica, não foi tocado.

Os islandeses sabem para onde vai cada cêntimo dos seus impostos.

Não tardarão meia dúzia de anos, que a Islândia retome o seu lugar nos países mais desenvolvidos do mundo.

O actual Governo Islandês, não faz jogadas nas costas dos seus cidadãos.

Está a cumprir, de A a Z, com as promessas que fez.



Se estas linhas servirem para esclarecer uma única pessoa deste pobre Portugal, que anda ao sabor dos acordos milionários que os seus governantes acertam com o capital internacional, e onde parte dos seus cidadãos passam fome para que as contas dos corruptos se encham, então o tempo gasto para as escrever já pode ser dado por bem empregue.