quarta-feira, 11 de março de 2026

RENAUD CAMUS E A GRANDE SUBSTITUIÇÃO

Foi publicado no mês passado L'homme par qui la peste arriva, dos jornalistas Gaspard Dhellemmes e Olivier Faye, uma espécie de biografia de Renaud Camus (1946- ), curiosa e controversa personagem da segunda metade do século passado e da primeira metade deste século.

Importa começar por dizer que o livro está mal escrito, e isto nada tem a ver com a figura que descreve. As frases são descosidas e por vezes desconexas, o texto parece ter sido escrito à pressa. Pior, são as imprecisões e as incorrecções. Menciono uma como exemplo, logo no começo: «Sa propre mère admirait le dictateur portugais Salazar, lui aussi un fou de Dieu,» (p. 22) É discutível que Salazar, que foi chefe de um Governo autoritário durante algumas décadas, tenha sido verdadeiramente um ditador, mas aceita-se essa afirmação dos autores. Agora, dizer que Salazar foi um louco de Deus manifesta uma grande ignorância. Que era oficialmente católico, sem dúvida; que tenha sido católico praticante no princípio da vida, certamente. Mas ao longo da sua permanência como chefe do Governo Salazar não só manteve uma conveniente atitude de distância em relação à Igreja como nunca mostrou uma especial devoção religiosa. Recorde-se que em 1937 ainda ia assistir  habitualmente à missa na capela particular da casa de Josué Trocado, na avenida Barbosa du Bocage, 96 (foi nesse ano que ocorreu o atentado), mas mais tarde perdeu o hábito da missa dominical (a própria capela da residência oficial de São Bento foi "desactivada"). Não se lhe conhece prática religiosa nas ultimas décadas de vida. Serviu-se da Igreja Católica como apoio da sua governação mas sempre com uma atitude de reserva, que já se mostrara aquando da assinatura da Concordata com a Santa Sé, em 1940. Aliás, refira-se ainda que não costumava invocar Deus mas sim a Providência. Portanto, louco de deus, mão!

Mas voltemos ao tema.  

O presente livro resulta de uma série de entrevistas concedidas, com alguma relutância, por Renaud Camus aos autores no seu Castelo de Plieux, no Gers, onde o escritor vive hoje, recolhido.

A trajectória de Renaud Camus pode ser considerada surpreendente, mas talvez não tanto. Nascido numa família abastada, frequentou instituições universitárias e desde cedo manifestou a vontade de escrever. Educado sobretudo à direita, foi um admirador do general De Gaulle, mas rapidamente aderiu ao Partido Socialista, tornando-se um adepto convicto de François Mitterrand. Embriagou-se com o clima libertário do Maio de 68, vindo a publicar Tricks (1979), onde relata os seus encontros homossexuais, livro prefaciado por Roland Barthes, com quem teve um caso. Por esta altura, Renaud Camus era um ícone dos movimentos homossexuais franceses. Frequentando os meios literários e artísticos, conviveu com Louis Aragon (de quem foi íntimo), Marguerite Duras, David Hockney, Andy Warhol, Yves Saint-Laurent, Philippe Sollers, Emmanuel Carrère, etc.

Começando a sentir-se incomodado com o aumento do número de pessoas em Paris, Renaud decide isolar-se, comprando o castelo de Plieux, há muito desabitado mas que conseguiu viesse a ser classificado como Monumento histórico graças à sua amizade com o ministro da Cultura, Jack Lang. Assim, obtém do Estado um subsídio para os trabalhos de restauro. (p. 115)

Durante alguns anos o castelo foi palco de acontecimentos culturais, mas devido à falta de subvenções, Renaud Camus, que luta cronicamente com falta de dinheiro, deu por terminada essa animação.

As suas aparições no célebre programa cultural televisivo Apostrophes, de Bernard Pivot, tornaram-no conhecido dos franceses mais do que os seus livros, mas também tornaram pública, para escândalo especialmente da família, a sua homossexualidade militante. Mas Renaud abomina a palavra "gay", vinda dos Estados Unidos, que pretende ver substituída pelo termo "achrien", composto a partir de letras escolhidas ao acaso num livro. (p. 88)

Antes do seu "exílio" em Plieux, frequentou intensamente os meios literários e sociais franceses e viajou pelos Estados Unidos, pela Europa (incluindo Lisboa), pelo norte de África, só ou acompanhado pelo americano William Burke, com quem viveu muitos anos, ou por um amante brasileiro, Rodolfo Junqueira Franco, ou por um amante judeu de origem tunisiana, Denis.  Conhecido pelos seus escritos sobre Fernando Pessoa, chegou mesmo a ser convidado para um jantar de Estado no Eliseu, oferecido por François Mitterrand em honra do presidente da República de Portugal. (p. 98)

É depois da sua mudança de Paris para Plieux que começa a ficar obcecado pela "raça", convencendo-se de que os estrangeiros, nomeadamente os norte-africanos, seriam um perigo para os homossexuais. Recorde-se que em tempos tinha sido perseguido, embora sem consequências, por um grupo de homens supostamente argelinos. E também por causa dos costumes: «Dans une chronique intitulée "Autres sons de hautbois", l'écrivain raconte le fiasco de sa nuit passée avec Tahir, un étudiant en sciences algérien. Il se plaint de leur sexualité "etriquée, machiste, expéditive, fruste", puis met en scène un dialogue avec un ami dans lequel ils s'alarment du danger représenté par la "civilisation musulmane". Dans un autre billet il évoque une fois de plus le cas d'amants "maghrébins" qui "détestaient l'homosexualité assumée, nous méprisaient de les désirer, tenaient à la plus rigoreuse et définitive répartition des rôles sexuels et estimaient nous faire un grand honneur en jouissant dans nos culs après trente secondes de coup de reins inconsidérés". L'ancien admirateur de Maurice Barrès se dévoile. Il s'épanche sur le besoin que chaque culture aurait se développer de son côté, préservée des influences étrangères. À ses yeux, le racisme serait même justifié par l'attitude de certaines comunautés. Arabes, en particulier, faut-il comprendre.» (pp. 100-101)

[Sendo Renaud Camus uma pessoa inegavelmente culta e inteligente, esta apreciação dos árabes e da sua sexualidade é, no mínimo, bastante estranha] 

O escritor recebia habitualmente no castelo alguns homens para prática sexual, mas com o decorrer dos tempos essa actividade foi decaindo, até por causa dos comentários dos habitantes locais.

«Sa vie amoreuse est tout aussi atone. Rodolfo est rentré au Brésil, Denis a pris ses distances. L'écrivain a par ailleurs congédié le jeune et beau Frédéric, un gendarme qu'il frequentait depuis son installation à Plieux. Il s'agaçait de l'entendre se plaindre de ses escapades sexuelles. Et encore, le militaire ne savait pas tout de ses virées au sauna, à Bordeaux, Toulouse ou Paris. » (pp. 126-127)

Em certa altura [os autores são parcos em datas neste livro, mas parece que foi em 1994] Renaud Camus começou a expressar mais abertamente o seu pensamento em relação aos judeus. Assim, «"Les collaborateurs juifs du Panorama de France Culture exagèrent un peu, tout de même, commence-t-il. D'une part ils sont à peu près quatre sur cinq à chaque émission, ou quatre sur six, ou cinq sur sept, ce qui sur un poste national et presque officiel constitue une nette surreprésentation d'un groupe ethnique ou religieux donné: d'autre part, ils font en sorte qu'une émission par semaine au moins soit consacrée à la culture juive, à la religion juive, à des écrivains juifs, à l'État d'Israël et sa politique, à la vie des juifs en France et de par le monde, aujourd'hui et à travers les siècles. C'est quelquefois très intéressant, ou quelquefois non; mais c'est surtout agaçant, à la longue, par défaut d'équilibre. La pensée juive est certes tout à fait passionnante, en général; mais elle n'est pas au coeur de la culture française. - Ou bien si?" L'expert en équivoques sent qu'il marche sur une plaque de verglas, se raccrochant à ce point d'interrogation final pour ne pas tomber.» (pp. 130-131)

As suas aventuras íntimas prosseguem: «Depuis, Camus multiplie les aventures, les coups d'un après-midi ou d'un soir, dans une frénésie de sexe qui pourrait, espère-t-il, faire éclore une passion. Les saunas visités au gré de ses tribulations, lui offrent un vaste choix d'hommes, blancs, noirs ou arabes, costauds ou chétifs, velus ou imberbes. Les voyages à l'étranger aussi. Malgré son âge, les traits secs de son visage et sa moustache blanchie, il n'a jamais douté de son pouvoir de séduction. Camus est tout faraud lorsqu'un inconnu l'aborde dans la rue ou à la plage. Il y voit l'effet de son régime, qui lui a fait perdre dix kilos sur la balance. En Tunisie, récemment, beaucoup de jeunes lui ont même manifesté de l'intérêt. Flatté, il a fini par prendre conscience qu'ils en voulaient surtout à son portefeuille...» (p. 135)

[Ingenuidade ou maldade dos autores. Certamente que Camus sabia desde o primeiro momento que estes jovens se fariam pagar, como é natural.]

«Depuis plusieurs mois, l'écrivain vit au château avec Pierre, un étudiant en histoire de vingt et un ans. Ce dernier l'a sollicité après avoir lu P.A., ce livre en forme de petite annonce destiné à l'aider à trouver l'amour. Le fils d'une famille de fonctionnaires s'est reconu dans le portrait-robot du prétendant idéal esquissé par l'écrivain ("un jeune homme qui serait historien"). Au départ, Camus s'est agacé des coups de téléphone un peu gauches de ce timide Ariégeois. Impossible d'arracher plus de trois mots au frêle moustachu à l'accent toulousain. Mais Pierre a fini par se glisser à pas de loup dans son univers, et Camus par apprécier son humeur égale, qui l'apaise.» (p. 147)

Os autores referem depois a tentativa de Renaud Camus de ingressar na Academia Francesa:

«Il y a finalement un lieu où cet écrivain nostalgique attaché à la "belle langue" et avide d'honneur serait parfaitement à l'aise. Renaud Camus rêve de siéger sous la coupole de l'Académie française. Le siège de Julien Green, qu'il admirait dans sa jeunesse, est libre depuis la mort de l'auteur américain, en août 1998. Comme le veut l'usage, Renaud Camus monte mener campagne à Paris. Beaucoup d'académiciens le reçoivent avec enthousiasme. Le doyen, Georges Vedel, originaire d'Auch, encourage la candidature de ce compatriote gersoisch. Jacqueline de Romilly se montre tout aussi chaleureuse. Camus décide de lui faire porter son Èlégie de Chamalières, consacrée à sa ville d'origine. Un livre plus chaste, se dit-il. que ses fiévreuses Élégies pour quelques-uns... L'écrivain croit en ses chances de victoire. La course ne compte pas aucun favori clair. Ses deus concurrents sont René de Obaldia et l'ancien ministre et alpiniste Maurice Herzog. Il a observé avec soulagement le retrait du médiatique journaliste et romancier Franz-Olivier Giesbert.

Jean d'Ormesson, qui reçoit Renaud Camus dans son bureau pour sonder ses motivations, lui pose la question rituelle:

- Pourquoi êtes-vous candidat?

- Par fidelité à mon enfance, répond l'écrivain. Je m'y prépare depuis cinquante ans.

Devenir un "immortel" rendrait indiscutable son statut de grand écrivain. Il s'empresserait de siéger à la commission du dictionaire, pour tenter de régenter la langue de ses contemporains.

Le jour du scrutin, au début de l'été 1999, Camus reçot huit voix au premier tour, contre douze pour René de Obaldia et quatre à Maurice Herzog. Un score plus qu'honorable pour une première candidature à l'Académie française. Il se  murmure qu'il faut se présenter à deux ou trois reprises avant de parvenir à enfiler l'habit vert. La prochaine fois sera sans doute la bonne, espère Camus. L'écrivain s'agace seulement du compte rendu de l'élection fait par Le Monde, qui se contente d'indiquer les résultats du troisième tour. Il n'y a obtenu que deux voix.» (pp. 148-149-150)

[Renaud Camus apresentou-se três vezes à Academia Francesa: 1999, 2000, 2009. Mas foi sempre preterido.] 

Os autores (cuja atenção à cronologia não é o seu forte) voltam a referir (p. 152) a indignação de Camus pela omnipresença de jornalistas "judeus" na emissão Panorama de France Culture. O escitor oscila agora nas suas afirmações sobre judeus e tem algumas hesitações devido aos compromissos com os seus editores. Mas o manuscrito do seu livro La Campagne de France (diário, 1994), que envia ao seu editor Paul Otchalovsky-Laurens (que sempre o apoiou, mesmo nos momentos mais difíceis) é recusado. «Comment Paul Otchakovsky-Laurens pourrait-il publier ces pages où Renaud Camus s' "agace" et s' "attriste" de constater que la culture française a "pour principaux porte-paroles et organes d'expression, dans de très nombreux cas, une majorité de juifs, Français de première ou de seconde génération bien souvent, qui ne participent pas directment de cette culture et de cette civilisation - même si c'est très savamment - d'une façon qui lui est extérieure"? L'éditeur, "en tant que "deuxiéme génération", s'avoue "profondément offensé, blessé".» (pp. 155-156) Finalmente o livro é publicado pela Fayard em 2000. O livro provoca uma tempestade. «L' "affaire Camus" est une bombe à fragmentation lente qui connaît un nouveau rebondissement par semaine. À son retour en France, l'écrivain reçoit le soutien - entre autres - d'Emmanuel Carrère, du président du Centre Pompidou Jean-Jacques Aillagon et de Frédéric Mitterrand, qui publient dans Le Monde une pétition lançée à l'nitiative de son ami Jean-Paul Marcheschi. Mais le texte, intitulé "Un livre disparu", se contente de déplorer le retrait de l'ouvrage, qui ôterait à son auteur tout droit à la parole. On a connu défense plus fougueuse. Ces quelque lignes déclanchent néanmoins une riposte d'ampleur. Une "Déclaration-des-hôtes-trop-nombreux-de-la-France-de-souche" est signée, toujours dans Le Monde, par des grandes consciences de la communauté juive telles que le réalisateur de Shoah, Claude Lanzmann, le "chasseurs de nazis" Serge Klarsfeld, ou le philosophe Jacques Derrida. Ces derniers s'insurgent que l'on cherche alors que ses opinions sont "criminelles". 

Parmi ses proches, un tri est en train de se faire. Il y a ceux que ne répondent plus au téléphone, comme la romancière Danièle Sallenave. Ceux qui le défendent avec ardeur, comme l'écrivain Christian Combaz, qui rédige des tribunes exaltées au Figaro et voit en son ami un Flaubert pris les affres de l'affaire Bovary. Et, enfin, les nouveaux convertis, à l'image d'Alain Finkielkraut. Le philosophe n'avait encore jamais lu Renaud Camus avant de l'inviter dans son émission Répliques, sur France Culture, juste avant le déclenchement de l'affaire.

[...]

 Mais c'est d'abord Claude Durand qui aimerait que La Campagne de France soit à nouveau disponible en librarie. L'éditeur a consulté Henri Leclerc. Le pénaliste lui a deconseillé de remettre le texte en vente. Il faudrait couper des pages entières afin d'éviter les condamnations pour incitation à la haine raciale... Qu'à cela ne tienne, le PDG de Fayard obtient l'accord de Renaud Camus, qui consent à faire éditer cette nouvelle version constellée de blancs. L'oeuvre est republié au début du mois de juillet. » (pp. 166-167-168)

«Ce mois de juin 2002, Emmanuel Carrère, qui vient de connaître un succès avec son livre L’Adversaire, consacré à l’affaire Jean-Claude Romand, a pris la plume pour donner sa vision d’une autre affaire, celle provoquée par Renaud Camus. Deux ans se sont écoulés depuis la parution de La Campagne de France. L’écrivain s’en veut de ne pas avoir eu le courage de s’élever pour défendre son ami contre les accusations d’antisémitisme. Carrère vient de lire le dernier essai de Camus, Du sens, un pavé de cinq cent soixante pages publié pour tenter de clarifier sa vision du  monde. C’est sans doute un peu long pour démontrer qu’il n’est pas antisémite, mais l’exercice l’a convaincu. Le livre a été publié par leur éditeur commun, Paul Otchaikovsky-Laurens, qui a décidé de ne pas interrompre sa collaboration avec Renaud Camus, par amitié envers un auteur admiré. Les journaux resteront chez Fayard et le reste de sa production sera édité par P.O.L.

Dans cette tribune, Emmanuel Carrère veut faire barrage de sa popularité pour protéger son ami. « On est libre de trouver certaines de ses opinions réactionnaires et peu sympathiques, mais racistes ou antisémites, non », résume-t-il. Le romancier déplore que Claude Lanzmann ou Jacques Derrida aient pu signer une pétition "sur la base d’un montage de citations indignement truqué". Il fait la pédagogie de la pensée bathmologique de son acolyte, impossible à saisir en isolant quelques phrases de leur contexte. "Pour se demander avec tant de rigueur intellectuelle et morale si on ne serait pas un peu antisémite « quelque part », il faut vraiment ne pas l’être", estime Carrère, invitant ses lecteurs à lire Du sens pour s’en convaincre.

Il n’est pas le seul à vouloir réhabiliter Renaud Camus. Alain Finkielkraut, qui a ferraillé avec ardeur pendant "l’affaire", voit dans de renfort de Carrère une opportunité à saisir. Le producteur de Répliques organise un dialogue entre les deux écrivains sans son émission de France Culture. Scène étrange où Camus parle finalement peu et assiste à la place à une célébration de son œuvre par le duo Carrère-Finkielkraut, qui tente de le défendre face à des "accusateurs" disposant "d’un droit de vie et de mort intellectuels"… Camus bredouille seulement des mots de gratitude. Il remettait pour la première fois les pieds à la Maison de la radio. Le vent tournerai-t-il ? Quelques jours plus tard, Le Figaro décide de publier la tribune d’Emmanuel Carrère.» (pp. 171-172-173)

«C’est une idée qui assombrit ses jours et écoute ses nuits. La France et l’Europe seraient en train de subir une "deuxième occupation". Plus il y pense, plus il y déraille. Des comparaisons indignes lui viennent. Cette fois, les djellabas auraient remplacé les uniformes nazis et les minarets les miradors des camps… Les nouveaux "occupants", les "Africains" seraient cents fois plus nombreux que les Allemands il y a un quart de siècle.» (p. 187)

Entretanto, Renaud Camus tornou-se um admirador de Israel e dos judeus :

«Dans cet entrelacs d’amitiés nouvelles, il a tapé dans l’œil d’un jeune éditeur, David Reinharc. Un juif ashkénaze aux positions musclées, ancien rédacteur en chef d’Altalena, le journal du Betar, mouvement de jeunesse de la droite nationaliste sioniste. Ce dernier a découvert l’écrivain en écoutant les émissions d’Alain Finkielkraut sur France Culture. Il partage sa vision d’un monde secoué par le choc des civilisations. Comme l’animateur de Répliques, Reinharc ne voit pas en Renaud Camus un antisémite. Depuis "l’affaire", le maître de Plieux se montre d’ailleurs un soutien ardent de l’État d’Israël. Il plaint les juifs, qui seraient les premières victimes de l’immigration  musulmane en France. Mais Camus ne se gêne pas, dans le même temps, pour continuer à dresser des listes d’ "Israélites" dans son journal, comme lorsqu’il évalue leur proportion ("entre la moitié et les deux tiers") dans un dossier du Nouvel Obs consacré aux grandes familles françaises.» (p. 189-190)

A certa altura, os autores mencionam o livro Le Camp des Saints, de Jean Raspail que comentei aqui:

«Camus ambitionne de prononcer un discours fondateur. Il ne veut pas être l’homme d’une expression, qui se contenterait de recycler les inquiétudes de Maurice Barrès sur les "nouveaux Français" ou celles de l’écrivain Jean Raspail, l’auteur du Camp des Saints, qui prédisait, dans les années soixante-dix, "la fin du monde blanc", enseveli par les "envahisseurs" du tiers-monde. Il compte décliner en système son concept de "grand remplacement " à la manière d’un Philippe Muray fustigeant "l’Empire du bien" dans des essais de sept cents pages.» (p. 193)

Sobre o livro Le Grand Remplacement, de Renaud Camus, escrevi aqui.

«La chambre d’écho américaine offre à cette théorie du complot un retentissement international: du Premier ministre hongrois, Viktor Orban au président tunisien Kaïs Saïed, des leaders du monde entier s’en empare. Les médias internationaux, de la très respectée BBC à la plus confidentielle des agences de presse turque, appellent Camus pour ausculter la France au lendemain des attentats de Charlie Hebdo ou du 13 novembre 2015, comme s’il était titulaire d’une chaire en choc des civilisations. Espiègle, Michel Houellebecq en fait le conseiller occulte de Marine Le Pen dans son livre Soumission, qui imagine l’arrivée au pouvoir en France d’un parti musulman. Une œuvre d’anticipation vue par de nombreux critiques comme une mise en fiction de la théorie du "grand remplacement", à laquelle Houellebecq croit profondément.» (p. 217)

Sobre Soumission, escrevi aqui.

«Il [Camus] se réfugie dans une langue sans cesse plus obscure et radicale, délaissant peu a peu le "grand remplacement" pour évoquer à la place un  "génocide par substitution" et une "destruction des Européens d’Europe". La Shoah en comparaison, serait "petit bras", juge-t-il. » (p. 222)

Camus tentou ser candidato de extrema-direita e conviveu com Marine Le Pen. Mas foi Éric Zemmour quem acabou por se candidatar. «Renaud Camus est venu assister en voisin au meeting de Éric Zemmour à Agen, ce mois de mars 2022. L'ambiance se veut grandiose, un barnum avec écrans géants et spots bleu-blanc-rouge pour en mettre plein la vue aux deux mille cinq cents personnes présentes et aux caméras chargées de retransmettre l'événement. L'écrivain déborde d'enthousiasme depuis que l'ancien journaliste du Figaro s'est déclaré candidat à l'éléction présidencielle. Jamais un postulant "sérieux" à l'Élysée, donné aux portes du second tour par certains instituts de sondages, n'avait exprimé des vues aussi proches des siennes. Zemmour a fait de la lutte contre le "grand remplacement" la raison même de sa candidature.» (p. 223)

Também se deve ler, sobre Le Suicide Français, de Éric Zemmour, o que escrevi aqui.

Como este texto já vai longo, termino. Este livro é confuso e precipitado. Para quem não conheça Renaud Camus a descrição dos autores não fornece dele um imagem clara, sustentando-se numa sequência de episódios. 

Acresce dizer que a questão da "grande substituição" é um tema artificial. O que hoje acontece é uma imigração em que uma parte dos imigrantes é progressivamente assimilada. Nem todos o serão, certamente. Mas até a uma substituição vai uma longuíssima distância. E, depois, ao longo dos séculos da História, sempre se registaram vagas de migrantes. Contra tais movimentos de massa não há barreiras que resistam, sendo a melhor atitude um processo de integração. Numa conferência de há décadas, salvo erro em Valência, Umberto Eco explicou isso mesmo.