quinta-feira, 26 de novembro de 2009

AO QUE ISTO CHEGOU

A propósito da situação que se vive no país, em progressivo agravamento de ano para ano, o sociólogo Manuel Villaverde Cabral declarou esta manhã, no programa Fórum TSF, que o estado das coisas é semelhante ao que precedeu a Revolução de 28 de Maio, que acabaria por chamar ao poder o Doutor Salazar. E recomendou, para quem tivesse dúvidas, que se consultassem os jornais da época e se estabelecesse um paralelo. Concluiria, dizendo que os compromissos europeus, estou a citar de cor, não permitiriam uma intervenção militar nos termos em que foi desencadeada aquela acção revolucionária.

Assim, fica no ar a pergunta: que fazer? Sem partidos políticos não há democracia. Com partidos políticos, nomeadamente com estes partidos políticos, a democracia é o que se vê! Um só partido político resulta num governo dito ditatorial ou, no mínimo, autoritário.

É claro que o mal não está nos sistemas mas nos homens que os servem, ou se servem deles. A cultura de novo-riquismo que se instalou no Ocidente e se estende a todo o mundo fez apodrecer os valores morais que, durante séculos, constituíram a essência da nossa civilização.

Ainda me recordo de alguns homens que se suicidaram por não poderem honrar uma dívida. Hoje, o mais normal é matarem os credores. E dizendo isto está tudo dito.

3 comentários:

Anónimo disse...

MUITO BEM OBSERVADO.

MAS JÁ NÃO HAVERIA NINGUÉM PARA LÁ PÔR SE HOUVESSE UM GOLPE MILITAR.

Anónimo disse...

Confesso algumas perplexidades com este post,após ter lido o seguinte,apelando a uma nova "Internacional" chavista. Afinal,para que servem os partidos políticos senão para complicar a vida do iluminados governantes? Aliás,o regime instaurado depois do golpe militar ilustrado na foto apresentada, não se baseava noutro princípio,evitando até que a "União Nacional" viesse a configurar-se como partido a sério,como bem documenta o excelente livro de Ribeiro de Menezes,acabado de saír do prelo. Julgo que para a Internacional chavista-ahmadinedjista,que creio cristalizar o pensamento político do autor do blog,que tenho lido com atenção ao longo destes meses,os partidos no sentido tradicional/ocidental não têm qualquer interesse. Vale sim a imposição de um líder inspirado,destinado a conduzir o seu povo para fins de glória,unidade de sentimentos patrióticos,e no plano externo tentar exterminar poderes maléficos,como os E.U.A.,Israel,e os valores da democracia clássica "ocidental",que interpretam como exclusiva de um decadente recanto do globo. Julgo não estar errado,embora o desejasse. Infelizmente(para mim) com Internacional chavista ou não,o facto é que globalmente se está efectivamente a assistir a um declínio do chamado "Ocidente",vide a situação na América Latina,Médio Oriente,etc,e o terrivel problema do Afganistão que talvez venha a consagrar mais um sério passo nessa direcção,como bem sintetizou o V.P. Valente numa das suas ultimas crónicas.

Do Médio-Oriente e afins disse...

PARA O ANÓNIMO DAS 18:39:

Quanto ao meu pensamento, já lhe respondi ao comentar o seu comentário ao post que publiquei a seguir. Isto começa a tornar-se confuso, quando passa os seus comentários de um post para outro.

Acrescentarei apenas o seguinte:
1) Não julgo que os Estados Unidos ou Israel sejam um exemplo de democracia, por razões sobejamente conhecidas.
2) Eu mesmo escrevi neste post que sem partidos políticos não há democracia. Mas a democracia pode soçobrar se os partidos existentes não cumprirem um mínimo de requisitos para a governação do país. Atente-se ao que aconteceu em Portugal com a I República.