quarta-feira, 31 de agosto de 2011
IMPOSTO SOBRE O SEXO
Segundo a imprensa, o município de Bona decidiu, como medida de justiça fiscal, criar um imposto sobre as prostitutas de rua, dado que as que operam em recintos fechados são já tributadas em sede de "imposto sexual". Assim, as meninas que exerçam actividade de rua entre as 20.15 h e as 6 h da manhã deverão pagar uma taxa diária de seis euros, colocando o dinheiro num "sexímetro" (uma espécie de parquímetro), e obtendo o recibo que, caso lhes seja solicitado, deverão apresentar às autoridades.O incumprimento da lei implica uma multa que poderá ascender a 100 euros. Com a aplicação do novo imposto, as autoridades de Bona esperam arrecadar cerca de 300 mil euros anuais.
Esta medida poderá ser obviamente alargada aos prostitutos, porventura menos referenciáveis nas ruas da antiga capital da República Federal da Alemanha. Mas não é de excluir, se um estudo de mercado justificar aos gestores a sua adopção.
Sendo a Alemanha um país a que se pode chamar rico, não sei porque os ministros das Finanças dos países com sérias dificuldades financeiras, como Portugal, não adoptam semelhante procedimento. É certo que no nosso país a prostituição de rua, aliás como tudo o resto, entrou em franca decadência. Mas ainda se encontram meninas e senhoras disponíveis nas nossas artérias ao serviço da mais antiga profissão do mundo. E quanto à prostituição masculina, apesar da devastação provocada pelos casos mediáticos dos últimos anos, um repovoamento de zonas como o Parque Eduardo VII, os jardins de Belém e do Campo Grande, a avenida da Índia, o Rossio, o Cais do Sodré, as estações de comboios, etc., talvez pudesse contribuir para atenuar o deficit das contas públicas.
Uma ideia a seguir com atenção.
MANUELA DE AZEVEDO
Comemora hoje o seu 100º aniversário a jornalista e escritora Manuela de Azevedo, uma das grandes figuras da imprensa portuguesa. Mulher de cultura, autora de várias obras de ficção, de biografias de escritores portugueses e de um livro de memórias, Manuela de Azevedo foi, durante muitos anos, crítica teatral do Diário de Notícias (no tempo em que todos os jornais tinham um crítico de teatro). E foi devido ao teatro que eu a conheci há mais de quatro décadas e que mantive com ela um contacto regular ao longo de 20 anos.
Além do seu trabalho como jornalista, Manuela de Azevedo empenhou-se em outras causas. Recordo-me que colaborou estreitamente com Madalena de Azeredo Perdigão na criação do extinto Ballet Gulbenkian e que foi uma ardorosa defensora da reconstrução da Casa de Camões, em Constância, tendo presidido à associação que promoveu essa obra.
A Câmara Municipal de Santarém assinala hoje o centenário de Manuela de Azevedo com uma exposição da colecção de arte contemporânea doada por ela ao município em finais dos anos 80, juntamente com a sua biblioteca. A exposição terá lugar no auditório da Casa-Museu Anselmo Braamcamp Freire, em Santarém.
Assinale-se que Manuela de Azevedo foi a primeira mulher a receber, em Portugal, a carteira profissional de jornalista.
PARABÉNS, MANUELA DE AZEVEDO.
terça-feira, 30 de agosto de 2011
O AJUSTE DE CONTAS
É conhecida a frase de Lord Acton: «O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente». Quando o poder absoluto é exercido pelo mesmo indivíduo durante quatro décadas, o que supõe que muitas pessoas nasceram, viveram e morreram na vigência do seu regime, esse poder absoluto não só corrompeu o ditador e os seus próceres, como corrompeu o próprio tecido nacional (supondo a existência de uma nação propriamente dita) ou a consciência de grande parte dos habitantes de um país.
O caso da Líbia é exemplar. Muammar Qaddafi, que se alcandorou ao poder através de um golpe de estado, logrou permanecer durante perto de meio século à testa do regime que criou, menos tempo do que Luís XIV mas mais tempo do que Catarina II, através da criação de um simulacro de democracia directa, que lhe permitiu a perpetuação no poder.
No momento em que o regime do Coronel se desfaz, e as tropas revoltosas marcham sobre Syrte, a sua cidade natal (cite-se, a propósito, o livro de Julien Gracq Le rivage des Syrtes, galardoado com o prémio Goncourt, que Pedro Támen tão bem traduziu para português, mas que nada tem a ver com a Líbia), começou, ou prosseguiu, a hora do ajuste de contas. Na Líbia que foi de Qaddafi, muito poucos estarão absolutamente isentos de qualquer cumplicidade com o regime deposto. Nem poderia ser de outra maneira. A coexistência com o poder vigente era condição sine qua non da existência tout court. Tanto mais imperiosa quanto mais tempo o regime durava. Alguns terão cultivado a indiferença, outros uma cumplicidade distante, a maior parte uma adesão mais ou menos aberta em função dos benefícios recebidos, uma minoria a oposição total. Na hora da verdade, ganharam os que primeiro saltaram da carruagem, independentemente das suas "convicções" anteriores. E as deserções continuaram à medida que se esboroava a fictícia unidade nacional proclamada pelo homem que pretendeu ser o líder do mundo árabe. Os últimos combatentes lutam in extremis para salvar a própria pele.
Num país tribal, de fidelidades complexas e duvidosas, não teria o Coronel qualquer devotado partidário? Com certeza que tinha. E se a maior parte dos que durante os últimos meses defenderam o regime o fizeram mais pelo seu enquadramento militar ou na esperança de um improvável volta-face que lhes garantisse umas quaisquer prebendas, outros houve, e ainda há neste momento, que arriscam tudo na defesa de uma causa perdida, por uma questão de honra, de dignidade ou mesmo de fé. Serão relativamente poucos mas existem.
Conquistada Syrte, uma questão de dias, chegará o final ajuste de contas. Já o celta Brennus, no século IV A.C., proclamou o seu Vae victis (Ai dos vencidos), a propósito dos romanos. Este ajuste de contas terá mais a ver com rivalidades pessoais, com intrigas domésticas, com os desastres da guerra, do que propriamente com questões políticas. Mas é a lei da História.
E as vinganças pessoais serão tão mais violentas e exteriores a um poder judicial (aliás praticamente inexistente) quão longa foi a vigência do regime. Um poder absoluto de cerca de meio século corrompe um país inteiro e destrói a consciência dos indivíduos. Por muitas razões mas especialmente por ter permitido (e incentivado) a corrosão mental do país, Muammar Qaddafi, se não for julgado pelos homens, enfrentará o julgamento da História.
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
ATENTADO EM BAGHDAD
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| Mesquita Umm Al-Qura, Baghdad |
Segundo o jornal Guardian, um bombista suicida fez-se explodir esta noite, durante as orações, na maior mesquita sunita de Baghdad, provocando pelo menos 29 mortos e 38 feridos.
A paz que Bush prometeu para o Iraque é a paz dos cemitérios, «la pace dei sepolcri», como o marquês de Posa diz a Filipe II, na ópera Don Carlo, de Verdi.
A JAMAICA A CORRER
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| Yohan Blake |
Os jamaicanos são especialmente dotados para a corrida. Mas importa não pôr um pé em falso. Foi o que aconteceu agora ao campeão olímpico e campeão mundial Usain Bolt que por uma falsa partida foi desclassificado nos Mundiais de Atletismo da Coreia do Sul. Mas a Jamaica conserva o título, pois ganhou o seu compatriota Yohan Blake.
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| Usain Bolt |
sábado, 27 de agosto de 2011
ATENTADO NA ARGÉLIA
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| Academia de Cherchel |
Dois bombistas suicidas fizeram-se explodir ontem à noite à entrada da Academia Militar de Cherchel, a 100 quilómetros a oeste de Argel, segundo informação do jornal Al Watan. Os dois terroristas, um deles transportando-se de moto, pretenderam causar o maior número de vítimas ao provocarem as explosões com segundos de intervalo junto à entrada do refeitório, quando oficiais e alunos se preparavam para a refeição do iftar (quebra do jejum) neste mês sagrado do Ramadão.
As últimas notícias dão conta, para já, de 18 mortos (16 militares e dois civis) e 35 feridos, alguns em estado muito grave. Desde o começo do Ramadão, mês considerado propício para a jihad, que se têm registado vários atentados e assassinatos na Argélia, de que resultaram vários mortos e feridos. Os ataques são atribuídos à Al-Qaeda no Maghreb Islâmico (Aqmi).
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
PARA UMA OUTRA UNIÃO EUROPEIA
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| Averróis (Ibn Rushd) em Córdova |
Enquanto a actual União Europeia se desmorona progressivamente, como se deveria ter oportunamente previsto, surge cada vez com mais apoiantes a ideia de uma União Mediterrânica, perfeitamente realizável uma vez ultrapassados os problemas que agora se verificam no norte de África e Próximo Oriente, em parte resultantes da falta de visão da política externa europeia dos últimos anos.
No seu artigo publicado no "Jornal de Notícias", que transcrevemos parcialmente, Daniel Deusdado fornece alguns argumentos em abono dessa nova União, mais conforme aos usos e costumes dos povos das duas margens do Mediterrâneo:
Nós, os do Sul
Uma das coisas mais interessantes desta crise é a de verificarmos semelhanças entre os países do Sul da Europa, nomeadamente entre nós, Espanha, Itália e Grécia. A história do mundo ocidental que hoje conhecemos assenta em boa parte no que foi gerado nestes quatro países em termos de cultura, história, equilíbrio entre o homem e a natureza, e o grande prazer de viver com o Sol, os sabores gastronómicos riquíssimos, as praias, a paisagem. Se nos tivermos de virar para algum lado, parece claro que a nossa herança genética está aqui.
E este pode ser o nosso plano B. Talvez tenhamos de construir um destes dias a tal Europa do Sul com italianos, gregos e espanhóis a fazerem-nos companhia. Será mais pobre mas pode incluir uma moeda para os quatro, ter França como uma zona de passagem neutra, talvez incluir os países dos Balcãs como novos mercados. E nós, os do Mediterrâneo europeu, não metemos medo aos turcos, aos marroquinos, aos egípcios, etc.. Não somos a Europa xenófoba.
Estamos numa luta contra o tempo e no nosso sangue não corre a geometria decimal com que a troika nos obriga a vender tudo como se não houvesse no fundo da nossa memória esta questão: quase mil anos como nação independente. Sim, é essencial tornar o país menos dependente do financiamento externo e pôr as contas em ordem. Mas que países do Norte da Europa nos vão perdoar, mesmo depois de termos feito tudo, e não for suficiente? Não tenhamos ilusões: quem trata mal os gregos, vai-nos tratar mal a nós.
Demorará algumas gerações a recuperarmos a noção de país de influência mediterrânica que somos. País do pão e da terra, da pequena agricultura, de alguma indústria de ponta, mas também de gente ligada às artes e que mistura no seu sangue o Sol, as cores do céu e das flores, o peixe e o sal do mar, os muitos cheiros de vegetação única. É destas coisas que se formam as moléculas de gente diferente, abençoada pela diversidade de luz no céu nas quatro estações. Um país que precisa de ser mais capaz de vender turismo e gastronomia a par da cortiça de vanguarda, das madeiras inteligentes, das plantas aromáticas biológicas nascidas ao ar livre num país ainda com poucas chuvas ácidas, ou as frutas e legumes com sabor e sem proximidade a centrais nucleares ou a carvão.
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A rapaziada do Norte da Europa, nos seus ratings AAA, mais tarde ou mais cedo vai precisar do nosso Sol e sabores para que a sua confortável vida tenha cor. Nós, os do "Mediterrâneo", que criamos a filosofia e a mitologia grega, o Império Romano com o legado universal do seu Código Civil, nós os das rotas do Oriente de Marco Polo ou dos Descobrimentos de Quinhentos, não estamos condenados a morrer à fome ou a viver na depressão. Temos é de reaprender a produzir, comer e a gastar de forma diferente. E a ir pensando no plano B.
E este pode ser o nosso plano B. Talvez tenhamos de construir um destes dias a tal Europa do Sul com italianos, gregos e espanhóis a fazerem-nos companhia. Será mais pobre mas pode incluir uma moeda para os quatro, ter França como uma zona de passagem neutra, talvez incluir os países dos Balcãs como novos mercados. E nós, os do Mediterrâneo europeu, não metemos medo aos turcos, aos marroquinos, aos egípcios, etc.. Não somos a Europa xenófoba.
Estamos numa luta contra o tempo e no nosso sangue não corre a geometria decimal com que a troika nos obriga a vender tudo como se não houvesse no fundo da nossa memória esta questão: quase mil anos como nação independente. Sim, é essencial tornar o país menos dependente do financiamento externo e pôr as contas em ordem. Mas que países do Norte da Europa nos vão perdoar, mesmo depois de termos feito tudo, e não for suficiente? Não tenhamos ilusões: quem trata mal os gregos, vai-nos tratar mal a nós.
Demorará algumas gerações a recuperarmos a noção de país de influência mediterrânica que somos. País do pão e da terra, da pequena agricultura, de alguma indústria de ponta, mas também de gente ligada às artes e que mistura no seu sangue o Sol, as cores do céu e das flores, o peixe e o sal do mar, os muitos cheiros de vegetação única. É destas coisas que se formam as moléculas de gente diferente, abençoada pela diversidade de luz no céu nas quatro estações. Um país que precisa de ser mais capaz de vender turismo e gastronomia a par da cortiça de vanguarda, das madeiras inteligentes, das plantas aromáticas biológicas nascidas ao ar livre num país ainda com poucas chuvas ácidas, ou as frutas e legumes com sabor e sem proximidade a centrais nucleares ou a carvão.
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A rapaziada do Norte da Europa, nos seus ratings AAA, mais tarde ou mais cedo vai precisar do nosso Sol e sabores para que a sua confortável vida tenha cor. Nós, os do "Mediterrâneo", que criamos a filosofia e a mitologia grega, o Império Romano com o legado universal do seu Código Civil, nós os das rotas do Oriente de Marco Polo ou dos Descobrimentos de Quinhentos, não estamos condenados a morrer à fome ou a viver na depressão. Temos é de reaprender a produzir, comer e a gastar de forma diferente. E a ir pensando no plano B.
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
CONFRONTOS NO CHILE
Segundo informa o "Público", os protestos que se vêm registando no Chile, especialmente em Santiago, degeneraram em violentos confrontos, com barricadas, pneus e pilhas de lixo a arder, montras partidas, lojas saqueadas, autocarros danificados, bloqueios de estradas e ruas, supermercados assaltados e estações de serviço vandalizadas.
Dos confrontos resultaram já dezenas de feridos e cerca de 400 detidos, na que é a maior manifestação anti-governamental desde a queda do regime de Pinochet.
Apesar do considerável crescimento económico do Chile (6,6%), o aumento de riqueza não tem correspondido a uma melhoria do nível de vida, o que provocou a presente greve geral e os protestos que desde há semanas se verificam no país.
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