quinta-feira, 8 de novembro de 2012

REGRESSANDO AOS MORTOS



No mês passado publicámos um post sobre o Cemitério do Père Lachaise. Voltamos hoje ao "reino dos mortos" discreteando sobre o Panthéon.

Templo cívico da França, o Panthéon começou por ser uma igreja dedicada a Santa Genoveva, em cumprimento de uma promessa de Luís XV, que atribuiu à santa a cura de uma doença grave. O projecto desta basílica foi confiado ao arquitecto Soufflot em 1755, tendo como ambição rivalizar com a basílica de São Pedro, em Roma. O edifício foi concluído em 1790, já sob a direcção de Jean-Baptiste Rondelet.

No mesmo local, fora erigida uma igreja real, por ordem de Clovis (ou Clodoveu), rei dos francos, em 496, dedicada à mesma Santa Genoveva, padroeira de Paris, cujo corpo foi inumado na cripta. Saqueada pelos normandos em 857, foi reconstruída no século XII mas com o passar dos anos o edifício foi-se degradando, encontrando-se no século XVII em perigo de ruir.

Todavia, em 1790, a França encontrava-se em ebulição revolucionária e o templo não chegou a ser consagrado. Surgiu então a ideia, devida ao marquês Charles de Villette, de transformar a igreja em "panteão" dos homens ilustres. Em 1791 são colocados no Panteão Mirabeau (que será retirado mais tarde) e Voltaire e em 1794, Marat, que será também posteriormente retirado. Em 1795 o edifício apresenta fissuras e a comissão nomeada para resolver a situação não chega a um acordo. A solução acabará por vir de Napoleão Bonaparte. A concordata de 1801, celebrada  com o papa Pio VII, previa a reabertura dos lugares de culto. Em 1806, o imperador visita o templo, desbloqueia a verba necessária para o restauro e devolve o Panteão ao culto religioso (de Santa Genoveva), reservando todavia a cripta para a sua vocação cívica de túmulo dos homens ilustres, como se lê no frontão: "Aux grands hommes la patrie reconnaissante". Em 1816, Luís XVIII coloca a basílica sob a autoridade do arcebispo de Paris e assiste à cerimónia de consagração em 1822, após a realização de diversas obras.

Em 1830, Luís-Filipe restabelece o culto cívico e o clero abandona o templo. Em 1848, a II República, que sucedeu á monarquia de Julho, pretende fazer do Panteão o "Templo da Humanidade". Durante alguns meses, o físico Léon Foucault utiliza a cúpula para demonstrar a existência do movimento da Terra, suspendendo o pêndulo que o tornou célebre. O clero volta a regressar sob Napoleão III, em 1851, e o edifício volta a ser basílica nacional sob a invocação de Santa Genoveva. Estas voltas e reviravoltas levam Edgar Quinet a escrever: «Monument de Janus au double visage, l'un tourné vers le passé, l'autre vers l'avenir, il change de nom suivant la différence des temps.»

Com a queda do Segundo Império, em 1870 é proclamada a III República, mas as forças prussianas que cercam Paris disparam sobre a basílica, provocando significativos estragos. Em 1871, uma facção revolucionária insurge-se contra as condições da paz de Versalhes e constitui a Comuna de Paris, que pretende substituir-se ao Estado centralizado. Os "communards" ocupam a basílica mas são desalojados, num banho de sangue, pelas tropas regulares de Mac-Mahon. Esta III República, cuja assembleia nacional é maioritariamente católica e monárquica, repara os estragos e mantém o culto religioso.

Com a morte de Victor Hugo, em 22 de Maio de 1885, o governo pode já, sem protestos, decretar o regresso do edifício ao seu destino cívico. Os funerais do escritor têm lugar a 1 de Junho, e o cortejo leva nove horas a desfilar. O Panteão será desde então, com sucessivas redecorações, o lugar dos túmulos dos grandes homens que mereceram o reconhecimento nacional. Aí estão sepultadas figuras que todos conhecemos, e muitas que, notáveis no seu tempo, são hoje praticamente desconhecidas não só dos estrangeiros como dos próprios franceses.

Já na V República, em 1964, o general De Gaulle preside à trasladação das cinzas de Jean Moulin, e em 1981 François Mitterrand entra sozinho no Panteão para depor uma uma rosa vermelha nos túmulos de Jean Jaurés, Victor Schoelcher e Jean Moulin, três defensores dos direitos do homem.

Em 1987 é inumado René Cassin, prémio Nobel da Paz, em 1989, Jean Monnet, fundador da comunidade europeia e em 1989, bicentenário da Revolução, o matemático Gaspar Monge, o Abbé Grégoire e o filósofo Condorcet. Em 1995 é a vez dos físicos Pierre e Marie Curie. Sob a presidência de Jacques Chirac, André Malraux entra em 1996 e com a maior pompa e circunstância, em 2002, Alexandre Dumas.

Registámos algumas imagens:


O pêndulo de Foucault
A Convenção Nacional
O coração de Léon Gambetta
Voltaire
Soufflot, o arquitecto do Panteão
Jean Moulin, André Malraux, René Cassin, Jean Monnet
Marie Curie
Pierre Curie
Alexandre Dumas
Victor Hugo
Jean Jaurés
Rousseau

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O DESMANTELAMENTO DO ESTADO-PROVIDÊNCIA



O saneamento das contas públicas é o pretexto para o desmantelamento do Estado-providência. Uma análise de Jorge Bateira no jornal "i" , que constituiu uma reflexão importante e por isso, com a  devida vénia, transcrevemos:


Ao assinar o Memorando de entendimento para obter o financiamento que lhe permitiria satisfazer todos os compromissos financeiros, Portugal estava a sujeitar-se a um programa de ajustamento estrutural idêntico ao de muitos países de África, da América Latina, da Ásia e até da Rússia. O currículo do FMI é um verdadeiro desastre no que toca às políticas de ajustamento que impôs, a ponto de diversos países (destaque para Malásia, Rússia e Argentina) se verem forçados a romper com ele para, com políticas diferentes, finalmente porem as suas economias a crescer, criar emprego e desendividar-se. Com uma diferença crucial: esses países tinham uma moeda própria, embora no caso da Argentina com uma paridade fixa e irrevogável com o dólar. Já agora, desmentindo a narrativa posta a correr pelos comentadores neoliberais acerca do caso da Argentina, importa recordar um facto central: no segundo trimestre após a ruptura com o dólar (Janeiro de 2002), a economia argentina retomou o crescimento. Seis anos depois tinha acumulado 63% de crescimento do produto, deixando para trás três anos e meio de recessão e a desastrosa política de “desvalorização interna” que bem conhecemos.

Guiados por um governo devoto do neoliberalismo em versão radical, ao fim de um ano e meio estamos mais conscientes de que entrámos numa espiral idêntica à da Grécia. Sabíamos que, ao contrário dos anteriores contratos com o FMI, desta vez não poderíamos contar com a desvalorização, e também sabíamos que a “austeridade expansionista” nunca passou de um mito porque na verdade a desvalorização sempre fez parte do pacote das políticas nos países apontados como exemplo. Por isso estava escrito nas estrelas que a execução orçamental de 2012 ia ser um fiasco, como será a a de 2013, embora agora o fiasco seja proclamado aos quatro ventos por muita gente que está bem na vida, sobretudo porque agora também vão ter de pagar algum… para nada.

A UE conhece esta dinâmica mas não muda a política porque o liberalismo alemão (ordoliberalismo) não só está inscrito nos tratados, como é ideologicamente hegemónico na UE. Os sociais-democratas alemães e os socialistas franceses também defendem que os estados devem financiar-se exclusivamente nos mercados financeiros. Os portugueses, tal como os restantes povos do Sul da Europa, pensavam que tinham aderido a uma comunidade de estados solidários e que, integrando a moeda única, poderiam prosperar saudavelmente (sem endividamento excessivo) no seio de uma União cada vez mais integrada também do ponto de vista dos direitos sociais. Enganaram--se, porque embarcaram numa aventura que tinha todos os ingredientes para acabar mal. De facto, não há moeda sem estado, pelo que, ou a UE cria rapidamente um estado europeu federal, o que implica impostos e dívida europeus e transferências de recursos para os estados mais pobres, ou esta zona euro acabará, pelo menos para os seus membros menos desenvolvidos.

A Alemanha fez a sua escolha. As exigências serão implacáveis até que o nosso país, destroçado como a Grécia, finalmente desista. Por isso fechou os olhos à (inevitável) derrapagem do Orçamento português. O preço da benevolência foi agora revelado: em 2013 dar-se-á início à destruição do modesto Estado-providência que a custo fomos construindo segundo os princípios da Constituição de 1976.

Chegados a esta encruzilhada, já não podemos adiar a escolha. Desmantelamos o Estado-providência a pretexto de sanear as contas públicas após o que, já sem financiamento europeu, acabaremos por deixar o euro. Ou assumimos que chegou a hora de dizer basta!, recuperamos a soberania sobre a nossa moeda e reestruturamos a dívida pública.

RAMALHO EANES ALERTA PARA O RISCO DA VIOLÊNCIA



Na conferência "Portugal, o país que queremos ser", promovida pela Comissão Nacional Justiça e Paz, na Fundação Gulbenkian, o general Ramalho Eanes alertou, segundo o jornal "i" , para a necessidade de um "projecto comum", sem o qual as sociedades deixam de ser "tolerantes" e correm até o risco de ser "violentas".

Transcrevemos a intervenção do general:

O antigo Presidente da República Ramalho Eanes defendeu hoje um "pacto de crescimento e modernização do país", argumentando que o ajustamento do Estado tem que acautelar uma "remuneração mínima" e serviços públicos que garantam "integração social e unidade".

Questionado pelos jornalistas sobre o papel do PS no "pacto" para o crescimento que defendeu numa conferência em Lisboa, Ramalho Eanes, respondeu que os socialistas devem, como outro atores políticos e da sociedade "empenhar-se na análise da situação para, a partir daí, encontrar soluções que possam ser consensualizadas, nomeadamente através de um pacto de crescimento e modernização do país" que faça o país sair da situação em que se encontra.

"É indispensável que o Estado, os partidos políticos também e a sociedade em conjunto, em relação dialógica, analisem correctamente a situação, vejam o que é indispensável para que a unidade se mantenha, e aquilo que é indispensável para que o país possa crescer e satisfazer os seus encargos, satisfazer as necessidades dos seus cidadãos e abrir-lhes um horizonte de mobilização e esperança", argumentou.

Interrogado sobre se está a referir-se a uma "refundação", o antigo Chefe de Estado disse não querer "falar em refundações", considerando, contudo, que é "indispensável olhar as funções do Estado, ajustá-las".

"Não esquecendo nunca que o Estado tem que exercer funções que são como segurança, justiça, defesa, mas também assegurar aquilo que é necessário para que um povo se mantenha unido, que é responder a todos, com uma remuneração mínima, que lhes garanta dignidade suficiente, responder a todos nas crises pessoais e familiares - desemprego, doença, incapacidade - e também fazer com que toda a população disponha de serviços de saúde, educação, que lhe garantam a integração social e a unidade", sustentou.

Sobre o papel do Presidente da República, Cavaco Silva, o general respondeu que "tem que ser um trabalho conjunto de todos os órgãos de Governo, do sistema político, dos partidos, e também, naturalmente, do senhor Presidente".

Relativamente à posição que Cavaco Silva tem tido, Ramalho Eanes afirmou que como antigo Chefe de Estado sabe "que é necessário ter um cuidado muito grande em apreciar as atitudes e os comportamentos do senhor Presidente da República".

"É preciso ter muito cuidado porque há um ditado português extremamente inteligente que diz 'só quem mexe a panela é que sabe o que vai nela' e eu não tenho informação suficiente para saber o que vai na panela", defendeu.

Na conferência "Portugal, o país que queremos ser", promovido pela Comissão Nacional de Justiça e Paz, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, Ramalho Eanes defendeu que "não há democracia real que não seja também participativa", defendendo a importância das recentes manifestações no país.

Essas manifestações, mesmo que inorgânicas, representam "energia" e "grande vontade de participação", que devem ser aproveitadas, assinalou.

O general defendeu a importância da reflexão, que "prepara para a acção".

"A acção hoje é extremamente exigente, a ação hoje é extremamente necessária para que Portugal volte a ter esperança de ter um futuro", argumentou.

Ramalho Eanes sublinhou que a força da sociedade civil já obrigou a mudanças de decisões, dando como exemplo a decisão de localização do futuro aeroporto de Lisboa, que passou da Ota para Alcochete.

Para o antigo Presidente, é necessário um "projecto comum", sem o qual as sociedades deixam de ser "tolerantes" e correm até o risco de ser "violentas".
 

domingo, 4 de novembro de 2012

O GOLPE DE ESTADO



Em declarações ao jornal "i" , António Marinho e Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, afirmou que está em curso "um golpe de Estado palaciano" para subverter a Constituição.

Transcrevemos, com a devida vénia:

O bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho e Pinto, afirmou hoje que se está a querer “subverter” e não rever a Constituição, estando em curso no país uma “espécie de golpe de Estado palaciano”.

“É uma espécie de golpe de Estado palaciano. Quer-se destruir a Constituição, quer-se alterar radicalmente a fisionomia do Estado constitucional por um Estado que corresponde aos modelos ideológicos de quem hoje tem as rédeas do poder”, salientou António Marinho e Pinto, à margem da Universidade da Juventude Popular (JP) que termina hoje em Vila Real.

Para o bastonário, quer-se “subverter, não é rever a Constituição”. “Porque para isso era preciso respeitar as regras de revisão que estão na própria Constituição, designadamente as maiorias da Assembleia Constituinte”, acrescentou.

O debate à volta da “refundação” foi lançado pelo primeiro-ministro, no encerramento das jornadas parlamentares do PSD e do CDS-PP.

Na altura, Pedro Passos Coelho afirmou que até 2014 vai realizar-se uma reforma do Estado que constituirá "uma refundação do memorando de entendimento" e defendeu que o PS deve estar comprometido com esse processo.

Desde então que se debate no país a “refundação” e uma revisão constitucional.

Marinho e Pinto lembrou o projecto de revisão constitucional apresentado há dois anos pelo PSD e que foi da autoria de Paulo Teixeira Pinto.

“Essa refundação está lá nessa revisão constitucional que foi retirada à pressa da discussão pública pelo escândalo que provocou”, sublinhou.

O O NOVO PATRIARCA COPTA



A Igreja Copta Egípcia elegeu hoje, na Catedral de Abbassiya, no Cairo o seu novo Papa e 118º Patriarca de Alexandria (sucessor de São Marcos). Trata-se do bispo Tawadros, da província de Beheira, no Delta do Nilo.

Dos três candidatos finais, cujos nomes haviam sido depostos numa urna sobre o altar, um rapaz de olhos vendados retirou um dos boletins com o nome do que haveria de ser proclamado, pelo papa interino Pachomios, o sucessor de Shenuda III, que pontificou a Igreja Copta durante cerca de quatro décadas  e morreu em Março com 88 anos.

Numa população de mais de 80 milhões de habitantes, os cristãos coptas representam entre 10 a 15% da totalidade dos cidadãos. Durante o governo do presidente Hosni Mubarak manteve-se uma paz relativa entre muçulmanos e coptas, só quebrada violentamente pelo atentado a uma igreja em Alexandria em 1 de Janeiro de 2011, e que aqui fizemos referência, sob o título "Alexandria - O Fim de um Tempo". E foi.

Pouco depois estalaram sucessivas revoluções em diversos países árabes, e aguarda-se, com curiosidade e inquietação, o novo desenho geo-político do mundo árabe. E, aliás, também o do mundo ocidental e do planeta em geral.

Os tempos que se avizinham são de grande angústia, e prefiguram já a eclosão de uma terceira guerra mundial.

"LE GRAND MACABRE" E PORTUGAL



A ArtHaus Musik editou recentemente em bluray a ópera de György Ligeti, Le Grand Macabre. Trata-se de um espectáculo apresentado no Gran Teatre del Liceu, de Barcelona, encenado por La Fura dels Baus, dirigido por Michael Boder à frente da Orquestra Sinfónica do Teatro e realizado conjuntamente com o Théâtre Royal de la Monnaie, com a Opera di Roma e com a English National Opera.



O argumento da ópera é baseado na Balade du Grand Macabre (1934), do escritor belga  Michel de Ghelderode, com adaptação do próprio Ligeti e de Michael Meschke. Tivemos acesso à peça, durante anos esgotada, através da edição castelhana, mas existe hoje uma reedição francesa (língua original) em formato de bolso.



É forçoso reconhecer-se que Le Grand macabre se assemelha cada vez mais a Portugal. Ou vice-versa. Embora, provavelmente, com um fim mais sinistro. Quem tiver dúvidas leia a peça ou veja a ópera. Registamos um clip da versão apresentada em Barcelona:



De uma observação atenta, as dúvidas dissipar-se-ão. O grande Nekrotzar está entre nós.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

NÃO HÁ ALTERNATIVA ???



Num livro publicado em França o ano passado, Il n'y pas d'alternative, mas cuja leitura é particularmente aconselhável aos portugueses de hoje, os autores evocam a desregulação dos mercados protagonizada por Margaret Thatcher e Ronald Reagan e a famosa frase daquela que ficou conhecida pela Dama de Ferro: " There Is No Alternative" ou o seu acrónimo "Tina". Esta frase tem sido repetida vezes sem conta pelos políticos dos mais diversos países, nomeadamente na Europa e nos Estados Unidos. Bush disse-a a propósito da Guerra do Golfo, e ela foi citada até à exaustão sobre as mais diversas matérias, mas sempre com o objectivo de justificar o injustificável. Porque existem obviamente alternativas, mas não no quadro do capitalismo neo-liberal.

A respeito de Thatcher, referem os autores: « Elle déteste toutes les formes de socialisme, de la social-démocratie au communisme. Pour Maggie, il n'y a aucune différence: c'est stalinisme et compagnie». E ainda: «Elle n'a peur de rien et surtout pas du regard des autres. Elle a conquis un parti historiquement tenu par la gentry masculine britanique. Maggie n'hésite pas à rappeler  le peu de respect que lui inspirent ses prédécesseurs, tous issus de la grande bourgeoisie. Elle s'est faite à la force du poignet et sait parfaitement jouer de ses origines modestes. Lorsqu'elle refuse que la contribuition britanique européenne aide d'autres pays que le sien, elle assume sans complexe son rôle de ménagère ladre: "I want my money back."

«Ronald Reagan, lui, arrive à la Maison Blanche après une suite de catastrophes: le Watergate et le départ de Richard Nixon, le désastre vietnamien, la prise d'otages de l'ambassade de Téhéran et la présidence de Jimmy Carter... Cela fait beaucoup pour un seul pays. Reagan comprend vite l'intéret qu'il peut tirer de cette situation. Gouverneur de Californie, ancien acteur de second plan, il obtient enfin le premier rôle: celui du héros qui rendra sa fierté aux États-Unis. Son numéro est parfaitement point. Rendant grâce à Dieu à chaque discours, patriote, proche des gens, émaillant des interventions publiques de clins d'oeil, l'homme sait être charmeur et persuasif.»

Não me vou alongar em citações mas aconselho vivamente a leitura do livro.

A emergência destas duas figuras sinistras, ambas anglo-saxónicas (como posteriormente se haveria de verificar com a maldita aliança Bush/Blair), demonstra à evidência a relação privilegiada entre os dois países. Razão tinha o general de Gaulle, que detestava ingleses e americanos, em considerar que a Inglaterra não fazia propriamente parte da Europa. Coisa que os seus sucessores, nomeadamente Sarkozy ignoraram totalmente. Seria um favor que a placa geotectónica empurrasse, definitivamente as Ilhas Britânicas para o Novo Mundo, sobre o qual, lamentavelmente, Dvorak escreveu uma belíssima sinfonia. O título é que deve estar errado.

Qualquer estudioso, minimamente objectivo, da História Universal, conhece os malefícios que o Reino Unido, o Império das Índias, a Commonwealth, têm provocado no resto do mundo. E os dois séculos da pseudo-democracia americana, com a invasão militar e depois económica da Europa e o controlo de uma parte do globo através da fomentação de golpes militares, nada abona em favor da confiança que os americanas pretextam a Deus. Verdadeiramente "In God we Trust" significa "In Gold We Trust".

Leiam o livro.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O EMBAIXADOR E O HOLOCAUSTO



Na sessão de encerramento do ciclo de conferências realizado na Fundação Gulbenkian sobre o tema "Portugal e o Holocausto, aprender com o passado, ensinar para o futuro", o embaixador de Israel em Lisboa, Ehud Gol, dirigiu severas críticas a Portugal, afirmando, entre outras coisas, segundo o PÚBLICO, que o facto do governo português ter colocado a bandeira a meia-haste, há mais de meio-século, pela morte de Adolf Hitler, "É uma nódoa que para nós, judeus, vai aparecer sempre associada a Portugal" e exortou Portugal a assumir as suas responsabilidades.

Num país com um Governo com o mínimo de dignidade, coisa que não se verifica em Portugal,  este senhor deveria ter sido considerado persona non grata e convidado a abandonar imediatamente o território nacional. Não é o caso. Não têm os portugueses de hoje qualquer responsabilidade quanto à política de Salazar no tempo, sendo que os estudos mais recentes têm demonstrado que ela nada teve de uma "cumplicidade involuntária", coisa para que não se encontra uma definição apropriada,  e que também já foi precipitadamente evocada nesse círculo de conferências.

O escritor judeu Norman Finkelstein, num oportuno livro, A Indústria do Holocausto, demonstra como a perseguição nazi aos judeus tem sido aproveitada por estes para justificar todo o tipo de acções, a começar pela espoliação dos palestinianos dos seus territórios. E não me alargo sobre este assunto que tem feito correr rios de tinta a judeus (israelitas ou não) e a não judeus. Parece que o embaixador Gol pretende dinheiro de Portugal para reconstrução da casa de Aristides de Sousa Mendes, ou mesmo para outras coisas não devidamente especificadas. Sendo certo que os banqueiros judeus continuam a dominar o mundo, Goldman Sachs como exemplo mais sinistro, talvez o senhor Gol possa dirigir-se a essas instituições e solicitar a ajuda que julga necessária.

Toda a gente sabe, mesmo os mais néscios, que o Governo de Israel, na sua perseguição aos palestinianos, prossegue uma política semelhante à de Adolf Hitler, ainda que por outros meios, tal como a entendia também o famoso Clausewitz. O mundo é testemunha, desde há mais de meio século, dessa realidade. E por ínvios caminhos, a finança mundial continua a ser dominada por cidadãos judeus, constituídos em poderosíssimos lobbies, como se pode constatar à vista desarmada nos Estados Unidos da América.

Nada nos move contra os judeus, assim como nada nos move contra qualquer outra raça, etnia ou confissão religiosa. Mas exige-se, pelo menos, um pouco de decência.