Celebra-se hoje, 15 de Maio, o 78º aniversário da “Nakba”, que em árabe significa “Catástrofe”, consequência da criação unilateral do Estado de Israel no território da Palestina, em 14 de Maio de 1948.
Mas a catástrofe que vitimou o Povo Palestiniano começou verdadeiramente mais cedo.
Desde a publicação do livro “O Estado Judaico”, de Theodor Herzl, em 1896, e na sequência dos Congressos Sionistas Mundiais realizados desde essa data em Basileia, preconizando a criação de um Estado nacional para os judeus, com especial enfoque na Palestina, que se iniciou uma migração progressiva de judeus da Diáspora para o território palestiniano, então província do Império Otomano.
A Palestina era então habitada quase exclusivamente por árabes muçulmanos e árabes cristãos. No último recenseamento realizado no Império Otomano, ainda antes da eclosão da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a população judaica da Palestina era inferior a 10%.
Os judeus tinham sido maioritariamente expulsos da Palestina em 70 DC, por Tito, filho do imperador Vespasiano, que destruiu o Templo de Jerusalém e parte da cidade. Como as revoltas contra o Império Romano prosseguiam, em 135 DC o imperador Adriano reconquistou o país, pondo termo à revolta de Bar Kokhba, destruiu o resto da cidade, construiu um templo dedicado a Júpiter no local do antigo Templo de Salomão e expulsou quase todos os judeus que ainda restavam no território. Baptizou Jerusalém com o nome de Élia Capitolina e deu o nome de Palestina (como era então designada a Faixa de Gaza: Filistina) à antiga Judeia. Desde essa data, a presença dos judeus na Palestina tornou-se residual ao longo dos séculos.
A Palestina ficou assim integrada no Império Romano e posteriormente no Império Bizantino. Com a conquista do território pelos árabes, passou a fazer parte dos sucessivos Califados até se tornar uma província do Império Otomano, no tempo do sultão Selim I.
A Primeira Guerra Mundial alteraria a geografia do Médio Oriente. O Acordo secreto Sykes-Picot (1916), negociado entre britânicos e franceses, estabeleceu a partilha do Levante entre aquelas potências, que seria concretizada após a derrota dos turcos em 1918. Foi criada pela Sociedade das Nações a figura jurídica do “mandato”, tendo sido atribuídos globalmente ao Reino Unido os territórios da Jordânia e do Iraque e à França os da Síria e do Líbano, devendo Jerusalém permanecer sob administração internacional, atendendo à localização dos lugares sagrados. Mas a Palestina acabaria por ser transformada também em mandato britânico. Outro acontecimento modificaria os acordos previamente celebrados, a célebre Declaração Balfour, de 1917, em que o ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Lord Balfour, em carta a Lord Lionel Rothschild (líder da comunidade judaica da Grã-Bretanha) se mostrava favorável à criação de um lar nacional judaico na Palestina.
Todavia, motivados pelos apelos sionistas, muitos judeus começaram a chegar à Palestina, vindos de muitos países, ainda durante a guerra mundial. A historiadora americana Amy Dockser Marcus, no seu livro “Jerusalem 1913”, fixa a data de 1913 como o início das grandes migrações judaicas.
Os novos colonos, segundo as próprias instruções de Theodor Herzl, iniciaram um processo de aquisição e expropriação das casas e terrenos da população árabe, não recuando nos meios para atingir os seus objectivos. Foi o ponto de partida para o estabelecimento de um clima de violência anti-árabe que dura até aos nossos dias. Os judeus recém-instalados criaram milícias armadas, que hoje seriam classificadas de bandos terroristas, como os movimentos Haganah, Irgun e Stern, que levaram a cabo não só acções contra os árabes mas até contra os britânicos, com o intuito de acelerar o fim do período do mandato. Foi o caso do atentado contra o Hotel King David, em Jerusalém (1946), sede da administração britânica, organizado pelo Irgun, dirigido por Menachem Begin (que seria mais tarde primeiro-ministro de Israel) e que causou quase cem mortos e numerosos feridos. Ou o ataque do Irgun e do Stern (liderado por Itzhak Shamir,que também seria primeiro-ministro israelita) à aldeia de Deir Yassin, em 9 de Abril de 1948, que resultou no massacre de cerca de cento e cinquenta palestinianos, incluindo mulheres e crianças.
Entretanto, as Nações Unidas discutiam um projecto de partilha da Palestina, largamente desfavorável à população árabe, com a criação de um Estado judaico e de um Estado árabe. Em 29 de Novembro de 1947, a ONU decidiu, pela Resolução 181, atribuir 55% do território ao Estado judaico e 45% ao Estado árabe, ficando Jerusalém sob jurisdição internacional.
Em 14 de Maio de 1948, David Ben-Gurion, líder do Conselho do Povo de Eretz-Israel proclamou a independência do Estado judaico que foi baptizado como Estado de Israel.
A Resolução 181 das Nações Unidas nunca foi cumprida tal como nunca o foram as suas resoluções contra o expansionismo de Israel, que não cessou durante os últimos setenta e oito anos.
Ficam aqui registados factualmente, de forma muita resumida, os acontecimentos ocorridos na Palestina até 1948. A história posterior a 1948 encontra-se profundamente documentada e é do conhecimento geral.

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