Revisito interessadamente Portrait - Jean Genet, publicado em 2006.
O coffret inclui um livro; um DVD de dupla-face (o filme Un Chant d'Amour (1950) e as entrevistas com Antoine Bourseiller e Bertrand Poirot-Delpech de um lado e as entrevistas com Leïla Shahid, Roland Dumas, Albert Dichy e Hélène Martin do outro); um CD com a peça Haute Surveillance, entrevista e extractos de Les Bonnes e Jean Genet falando sobre George Jackson; e um CD com poemas de Jean Genet musicados por Hélène Martin.
O livro contém sete partes: a começar, um texto breve introdutório intitulado "Jean Genet, la page et l'écran", que é uma oportuna referência à sua actividade na Sétima Arte, como realizador, como argumentista e como autor de textos que foram mais tarde adaptados ao cinema, com particular destaque para Querelle, de Rainer Werner Fassbinder; e outro texto sobre "L'histoire chaotique d'un film controversé": Un chant d'amour, ambos pela pena de Marine Jaffrézic.
A segunda parte inclui notas sobre as entrevistas concedidas por Genet a Antoine Bourseiller e a Bertrand Poirot-Delpech.
A terceira parte regista as notas a propósito das entrevistas sobre Genet efectuadas a Leïla Shahid, Roland Dumas, Albert Dichy e Hélène Martin.
A quarta parte contém notas sobre Le Condamné à mort e sobre os poemas de Genet, e o manuscrito de Le Condamné à mort.
A quinta parte inclui notas sobre Haute surveillance e sobre Les Bonnes e um texto de Albert Dichy e Michel Corvin sobre "Le théâtre de Jean Genet".
A sexta parte trata de "Genet et la politique", incluindo um texto "Pour George Jackson"
A sétima parte é consagrada aos "Souvenirs de Jean Genet": textos para Siné e Ann Bloch.
Em apêndice, uma cronologia indicativa, a bibliografia activa e passiva e o índice dos CDs.
O jovem fotografado na capa de Un chant d'amour é o actor Lucien Sénémaud (1927-2000), então com 23 anos, que era amante de Genet desde os 18 anos e que foi um dos seus intérpretes preferidos. Foi a ele que Genet dedicou uma das versões de Haute surveillance e os poemas de Le Pêcheur du Suquet e Un chant d'amour.
Passados 39 anos sobre o seu desaparecimento, o morto enterrado em Larache permanece uma referência do pensamento livre e da literatura ocidental. Por algumas razões, Jean Genet escandalizou muita gente no seu tempo; continuaria, por outras razões, a escandalizar muita gente nos nossos dias. Tem havido discretas tentativas de o cancelar. Mas ele reaparece sempre, como uma força da natureza.

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