sábado, 13 de julho de 2013
ADRIANO GONÇALVES (BANA)
Morreu hoje em Lisboa, com 81 anos, o cantor cabo-verdiano Adriano Gonçalves, conhecido por Bana, considerado o "Rei da Morna".
Tendo gravado mais de cinquenta discos, ao longo da sua carreira, iniciada em 1942, com 10 anos de idade, foi apadrinhado por B.Leza, um dos maiores músicos, poetas e cantores de Cabo Verde.
Segundo o PÚBLICO, o primeiro-ministro de Cabo Verde afirmou que Bana é não só um património nacional mas um património da Humanidade e a melhor homenagem que se lhe poderá prestar é elevar a Morna a Património Mundial da Humanidade.
Como tantos cabo-verdianos que escolheram Portugal para viver e trabalhar, e que entre nós conquistaram sólidas amizades, também Bana se ligou aos portugueses e a sua morte deixa profundas saudades.
terça-feira, 9 de julho de 2013
CHORAR OS MORTOS
Segundo o PÚBLICO, o Papa Francisco foi a Lampedusa "chorar os mortos" dos naufrágios de embarcações que transportam imigrantes do Médio Oriente e Norte de África - os mortos que ninguém chora.
Esta atitude do Papa - é a primeira vez que um pontífice romano visita a ilha de Lampedusa - reveste-se, na minha opinião, do maior significado, não só pelo acto em si (Lampedusa, a sul da Sicília, é o primeiro porto europeu para onde se dirigem clandestinamente, desde há décadas mas especialmente depois das "primaveras árabes", milhares de tunisinos e líbios e outros africanos) mas pelo associação que me é permitido fazer entre o nome da ilha e o célebre príncipe de Lampedusa, autor do romance Il Gattopardo (O Leopardo), que Luchino Visconti adaptou ao cinema numa realização magistral.
O Papa pediu um "despertar das consciências" para combater a "globalização da indiferença" e lamentou que ninguém chore todos os que, ao longo dos anos, têm morrido no mar no naufrágio das frágeis embarcações em que se transportam.
Esta expressão do Papa - "chorar os mortos" - recordou-me o apelo, há meio século, de um político português, que formulou o mesmo pedido, para o caso de os vivos não merecerem esses mesmos mortos.
Parece que, novamente, agora os europeus, não merecem os mortos africanos que demandam, ainda hoje, o Velho Continente, já semi-apodrecido, na miragem de obterem uma vida melhor.
segunda-feira, 8 de julho de 2013
O EGIPTO: UM PRECEDENTE PERIGOSO PARA A TURQUIA
A revolução ou golpe de Estado no Egipto (deixo a escolha do termo aos especialistas e aos directamente interessados) constitui um precedente que está a inquietar profundamente o governo islamista do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan.
A agitação que desde há semanas reina na Turquia, devido à projectada destruição pelo Governo do Parque Gezi, na praça Taksim, em Istanbul, ultrapassa largamente a questão (em si-mesma importante) da devastação daquela zona verde no centro da maior cidade do país. O que está agora em causa é a islamização progressiva da Turquia, conduzida lentamente mas com mão firme pelo Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP).
A contestação ao Governo não parou, e ainda hoje se registaram violentos confrontos entre manifestantes e a polícia na zona de Taksim e na famosa Istiqlal Caddesi, bem como em outras cidades da Turquia.
Há vários caminhos para o país trilhar: o regresso ao estilo do "Pai da Pátria", Atatürk, defendido pela maioria dos militares e a evolução para uma sociedade mais ou menos islamizada, mas com diferenças de relevo: ou as posições cada vez mais radicais de Erdogan, cuja popularidade (também devido à recessão económica) começa a decair, ou as posições moderadas do presidente da República Abdullah Gül, cuja rivalidade com Erdogan no Partido já ninguém ignora.
Pretende Erdogan alterar a Constituição e dotar a Turquia de um regime presidencialista do qual ele seria o presidente e chefe do Governo, relegando o seu compagnon de route, Gül, para um lugar secundário. Ora Gül dispõe de consideráveis apoios no partido e a sua popularidade entre os turcos não pára de crescer.
Com uma parte significativa dos oficiais não considerados de confiança na prisão, Erdogan julgou afastar a possibilidade de um golpe militar (factos em que a Turquia é fértil), mas os acontecimentos dos últimos dias no Egipto poderão despertar a vontade dos muitos militares kemalistas ainda em funções de comando de reeditarem um novo golpe que ponha termo ao AKP, partido que aliás fora em tempos, ainda que com outro nome, ilegalizado pelos governos "militares".
Importa, todavia, salientar que as intervenções secretas, discretas ou concretas das chamadas potências ocidentais no Médio Oriente nos últimos anos se têm caracterizado, para além das ambições costumadas, por uma falta de inteligência, ausência de visão estratégica, ignorância histórica e crassa estupidez verdadeiramente confrangedoras.
A guerra aberta na Síria, o estado de pré-guerra civil no Egipto, a permanente instabilidade no Iraque, a desagregação da Líbia e a agitação na Turquia, só para citar os casos mais relevantes, são de molde a provocar as maiores inquietações.
Parece que Blair, enviado do Quarteto para o Médio Oriente, se pronunciou hoje, segundo ouvi na rádio, sobre a situação no Egipto. Não consigo compreender como não foi ainda possível calar definitivamente tão abominável personagem.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
GOLPE DE ESTADO NO EGIPTO
As Forças Armadas Egípcias depuseram hoje o presidente da República Mohamed Morsi, suspenderam a Constituição e anunciaram a realização de eleições presidenciais e legislativas, segundo um comunicado à Nação, efectuado pelo chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, general Abdel Fattah Al-Sisi.
Os militares justificam a sua intervenção pela necessidade de garantir o regular funcionamento das instituições, atendendo à contestação de milhões de egípcios à islamização do país, protagonizada por Morsi e pela Irmandade Muçulmana.
Até à eleição do novo presidente a chefia do Estado será assegurada pelo presidente do Tribunal Constitucional, Adly Al-Mansur, devendo ser constituído um Governo de transição formado por tecnocratas que assegurará a gestão do país.
General Abdel Fattah Al-Sisi
Neste momento, multidões eufóricas, não só no Cairo, na praça At-Tahrir, mas em Alexandria, Suez, Port-Saïd, Assiut, Luxor, etc. celebram o derrube do governo e a suspensão de uma Constituição não representativa da pluralidade de opiniões de uma população de cerca de 90 milhões de habitantes.
Entretanto, além da alocução do general Al-Sisi, falaram também pela televisão, apelando à concórdia nacional, o representante das forças de oposição laicas, o prémio Nobel Mohammed El-Baradei, o grande imam de Al-Azhar, sheikh Ahmed Al-Tayeb e o patriraca copta de Alexandria,Tawadros II.
Como referimos aqui, em 12 de Agosto do ano passado, a demissão do presidente da Junta Militar e Comandante Supremo das Forças Armadas, marechal Mohamed Hussein Tantawi e dos principais chefes militares, que provinham da época Mubarak mas tinham assegurado a transição, constituiu um erro colossal por parte do ex-presidente Morsi. Era inevitável uma intervenção dos militares. Levou mais tempo do que eu julguei, mas acabou por acontecer.
terça-feira, 2 de julho de 2013
A JUSTIÇA CONTRA A LITERATURA?
Publicamos abaixo as páginas em apreço:
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DA CASA DOS MORTOS
Abertura da ópera Da Casa dos Mortos (Z Mrtvého Domu), de Leos Janácek, a partir da obra de Dostoievski - Direcção musical de Pierre Boulez; encenação de Patrice Chéreau
segunda-feira, 1 de julho de 2013
O ULTIMATO
Com o país à beira da guerra civil, os militares egípcios, pela voz do chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, general Abdel Fattah Al-Sisi, fizeram um ultimato aos líderes políticos (leia-se, à Irmandade Muçulmana e ao presidente Mohamed Morsi) para encontrarem, em 48 horas, uma solução que responda às reivindicações expressas pela população nos últimos dias, em que milhões de pessoas saíram à rua para contestar o que consideram a islamização do país. Na ausência de um acordo, as forças armadas intervirão para garantir a segurança nacional e o funcionamento das instituições.
As manifestações, que ocorrem no momento em que se assinala o primeiro ano da tomada de posse de Morsi como presidente da República, exigem a sua imediata demissão, e verificam-se por todo o país, reunindo multidões muito superiores às que levaram à queda do antigo presidente Hosni Mubarak.
O povo egípcio, especialmente os jovens, consideram que a revolução de há dois anos foi traída pela Irmandade Muçulmana e pelos seus aliados salafistas, e que a liberdade está a ser progressivamente confiscada em função de uma agenda islamista, num país com mais de 10% de cristãos (o que equivale globalmente a 10 milhões de pessoas) e elevado número de cidadãos laicos e de esquerda.
ANTÓNIO RAMA
Morreu hoje, aos 69 anos, o actor António Rama, com significativas interpretações no palco e na televisão ao longo de uma carreira de quase meio século e que integrava desde 1981, o elenco do Teatro Nacional D. Maria II.
Tive o prazer de o conhecer pessoalmente e dele guardo as melhores recordações.
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