No início deste ano Stéphane Hessel publicou em França um pequeno manifesto intitulado Indignez-vous!. O opúsculo foi traduzido até hoje em dezenas de línguas, incluindo a portuguesa, e dele foram vendidos milhões de exemplares em todo o mundo. Referi-me aqui a esse grito de indignação de Hessel, que termina com uma citação de Albert Camus: "Os governos, por definição, não têm consciência".
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| Madrid |
Contra a ditadura dos mercados, a especulação financeira, a corrupção da classe política, as medidas de austeridade que se abatem sempre sobre os mais fracos e desprotegidos, a incompetência da governação, realizaram-se hoje em todo o mundo manifestações de protesto que contaram com a participação de milhões de pessoas. Em Nova Iorque, Washington, Boston, Los Angeles, Londres, Madrid, Barcelona, Roma, Lisboa, Zurique, Seul, Hong-Kong, Manila, Marselha, Estocolmo, Atenas, Frankfurt, Paris, Berlim, Bruxelas, São Paulo, Santiago e em mais cerca de 100 cidades, a população saiu à rua para exprimir a sua indignação.
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| Roma |
Começa a constatar-se hoje a falência do actual modelo capitalista, que o ultra-liberalismo prostituiu. Economia de mercado é uma coisa, o roubo institucionalizado é outra. Igualmente, o sistema político da democracia representativa também faliu, não porque não seja teoricamente uma forma admissível de governação, mas porque os candidatos aos cargos passaram a ser eleitos de acordo com programas cujo conteúdo invertem em absoluto mal ocupam os lugares. A perda de confiança dos cidadãos eleitores é total.
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| Londres - Julian Assange fala à multidão |
Esta indignação a nível global, consequência quiçá inesperada da globalização económica, promete traduzir-se em acções mais concretas e permanentes que impliquem a revisão do sistema vigente. Proclamou-se durante anos que o poder político estava na dependência do poder económico; em Portugal era um dos cavalos de batalha no tempo de Salazar. Pois nunca, em todo o mundo o poder político dependeu tão intimamente do poder económico como hoje. Chegamos a interrogar-nos se vale a pena eleger dirigentes políticos que não são mais do que instrumentos nas mãos dos grupos económicos e financeiros que controlam cada vez mais estreitamente a vida dos povos.
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| Lisboa |
Será preciso mudar realmente alguma coisa para que tudo não continue na mesma.





Já há uns tempos que deixei de acreditar na democracia representativa exactamente porque quem ouve os políticos na oposição e depois os vê no governo, não bate a bota com a perdigota!
ResponderEliminarE ainda se dão ao luxo de cobrarem pelo meu voto, ou seja, voto, e na volta ainda pago, como cidadão, uns euros para o partido onde votei.
Como tal deixei de votar e nem me dou ao trabalho do voto branco nem me sujeito a escrever alarvosidades no boletim.
A pulhice, a ladroagem, as máfias, os aventais, a corrupção tomaram conta das nossas vidas e do nosso suor.
Não sei como mas há que dar a volta a isto.
Como dizia (mais ou menos) alguém: "não sei para onde ir. Só sei que por aí não vou!"
Desobediência precisa-se!