"E agora, que vai ser de nós sem bárbaros? Essa gente, mesmo assim, era uma solução." C.P. Cavafy
domingo, 25 de março de 2012
ANTONIO TABUCCHI
Morreu hoje em Lisboa, aos 68 anos, vítima de cancro, o escritor italiano Antonio Tabucchi, uma das grandes figuras da literatura italiana, portuguesa e europeia do nosso tempo.
Professor da universidade de Siena, Tabucchi apaixonou-se muito cedo por Portugal, depois de ler, em tradução francesa, uma antologia poética de Fernando Pessoa, que incluía "Tabacaria", poema que o levou a aprender a língua portuguesa. Com 22 anos veio pelo primeira vez a Portugal, e desde então não mais deixou de visitar assiduamente o nosso país. Nele acabaria por morrer,
Casado com Maria José de Lencastre, a autora da primeira fotobiografia de Fernando Pessoa, Tabucchi traduziu Pessoa para italiano e organizou a publicação na sua língua das obras do poeta.
Escreveu sobre Pessoa (pessoana mínima, 1984 e Os Últimos Três Dias de Fernando Pessoa, 1995) , sobre Portugal (Afirma Pereira, 1994 e A Cabeça Perdida de Damasceno Monteiro, 1997), e mesmo directamente em português (o romance Requiem), ainda que quase toda a sua obra esteja traduzida na nossa língua.
Deixando para o obituário uma mais desenvolvida notícia da sua vida e obra, importa contudo referir que, como apaixonado da língua e da literatura portuguesa, poderíamos mesmo escrever, como um apaixonado de Portugal, Antonio Tabucchi foi, no estrangeiro, um incansável divulgador da cultura portuguesa, que, com a sua morte, perde um precioso amigo.

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