Perfila-se no horizonte a hipótese de Marcelo Rebelo de Sousa, dito "o professor", voltar a ocupar a presidência do PSD. Considera-se Marcelo, e consideram-no alguns, um homem extraordinariamente importante, mestre insigne de Direito, preclaro comentador político, notável analista da situação nacional e internacional, tendo chegado mesmo a arrogar-se dar notas às prestações dos portugueses que, nos diversos quadrantes, melhor ou pior, intervêm na vida pública.Sobre qualquer matéria, as mais diversas, Marcelo tem uma opinião, e por vezes também a contrária, consoantes as semanas e os dias. É omnisciente, quase omnipresente e gostaria de ser, mas não é, omnipotente. Já foi presidente do partido e, presume-se, gostaria de regressar ao lugar, através de uma "vaga de fundo", que não sei bem se já surgiu ou não. Esquece-se, contudo, da velha máxima de que não se deve ocupar duas vezes o mesmo lugar. Aliás, que me lembre, nada ele provou a bem dos portugueses que justifique esta ora negada ora afirmada ambição. Ignoro, é claro, quais os cálculos políticos que se possam ocultar por detrás de tão súbita disponibilidade, ou sacrifício, para reocupar um posto tão invejado por alguns e tão repelido por outros.
É minha convicção, embora possa estar errado, que Marcelo nunca diz aquilo que realmente pensa, se é que pensa realmente alguma coisa , mas só aquilo que pessoalmente lhe convém, ou que, no momento, pensa que lhe convém. Por isso, há tempos, em comentário a um post do blogue "Portual dos Pequeninos" o comparei ao enciclopédico Doutor Dulcamara, o consagrado charlatão da ópera L'Elisir d'Amore de Donizetti, propagandista do célebre elixir para tudo e a qualquer preço.
Porque a famosa cavatina "Udite, udite, o rustici" desta ópera é uma notável peça do belcanto, aqui se deixa a mesma, na interpretação de Simón Orfila, no Gran Teatro del Liceo, de Barcelona, em 20 de Abril de 2004.
Pois,pois,mas os outros? Que se saiba,só Passos Coelho se apresentou como candidato,e para esse, desafio o autor do blog a encontrar personagem operática que lhe corresponda,a não ser alguns figurantes simpáticos e mudos que aparecem frequentemente "para compor" o palco.Se analisar bem,verá que toda a política,em todos os regimes,está cheia de Dulcamaras,uns mais histriónicos do que outros. Aliás,o próprio até acabou por simpàticamente contribuir para a felicidade de Adina e Nemorino.
ResponderEliminarO PSD actual não se distingue por dispor de linhas programáticas claras,alem das talvez justificadas poupanças nos gastos propostas por Ferreira Leite. Aguardemos que os candidatos se definam. E se só aparecerem estes dois,sempre preferiria o intelectual Marcelo ao plástico Passos.