domingo, 29 de junho de 2014

RAMADAN



Começa hoje o mês islâmico do Ramadan, mês de jejum (sawm) diário e de oração (salat) que terminará com a celebração de 'Id Al-Fitr, que ocorrerá no primeiro dia do mês seguinte, Shawwal. A festa 'Id Al-Fitr é designada muitas vezes como 'Id Al-Saghir (a pequena festa) por oposição à outra festa dos muçulmanos , 'Id Al-Adha, a grande festa ('Id Al-Kabir), comemorada no décimo dia do mês de Dhu al-Hijjah, o último mês do calendário islâmico.

No 26º dia do mês de Ramadan (ou num dos dez últimos dias do mês) celebra-se a Noite do Poder ou do Destino (Laylat Al-Qadr), comemorando o aniversário da revelação do Corão ao profeta Muhammad (s.a.w.) pelo anjo Gabriel (Jibril), no ano de 610.

Saúdo todos os meus amigos muçulmanos e lamento profundamente as actuais confrontações entre muçulmanos que se verificam pelo mundo, nomeadamente na Síria e no Iraque, motivadas por questões só aparentemente religiosas, mas cuja verdadeira razão é de natureza política.

sábado, 28 de junho de 2014

SARAJEVO - CEM ANOS DEPOIS



Completam-se hoje cem anos sobre o assassinato do arquiduque Francisco Fernando de Habsburg, herdeiro do Império Austro-Húngaro, e de sua mulher, Sofia, na cidade de Sarajevo, junto à Ponte Latina. Um acontecimento que desencadeou a Primeira Guerra Mundial e provocou milhões de mortos

Entre 1992 e 1995, durante a Guerra da Bósnia, a que o Ocidente não foi alheio, a cidade foi cercada e destruída pelos sérvios bósnios, num conflito de que resultaram milhares de vítimas.

Hoje, no edifício reconstruído da célebre Biblioteca Nacional (Vijecnica), a Orquestra Filarmónica de Viena realizou um concerto, promovido pela União Europeia (cujos dirigentes se abstiveram de comparecer), que terminou com a Ode à Alegria, de Beethoven. Assistiram os presidentes da Áustria, da Bósnia e Herzegovina, da Macedónia e do Montenegro, mas os sérvios primaram pela ausência, promovendo, em Visegrad,  comemorações paralelas de homenagem a Gavrilo Princip, o jovem que assassinou o casal e que consideram um herói da luta pela liberdade.

Como sempre, os dois lados da História.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

MARIA DE FÁTIMA BONIFÁCIO OU OS INFORTÚNIOS DA VIRTUDE




Transcreve-se, e comenta-se, o texto de Maria de Fátima Bonifácio (MFB) no PÚBLICO:


Um simples relance pelas últimas votações do Tribunal Constitucional mostra, como já tem sido sublinhado, que as divisões de opinião entre os magistrados que se sentam nesse augusto órgão de soberania não obedecem a puras divisões partidárias.

Isto sugere uma saudável independência dos eleitos em relação aos partidos que lhes concederam os sufrágios necessários para que lá chegassem, em particular no que se refere aos magistrados indicados pela Direita. Verifica-se, com efeito, uma indisfarçável consonância entre os pronunciamentos do Tribunal e a opinião geral da Esquerda, respaldada, neste particular, pela opinião do homem comum, compreensivelmente empenhado em defender o seu rendimento, venha o dinheiro lá de onde vier.

Esta indiferença pela existência ou não existência de dinheiro, questão que se reputa subalterna perante a preeminência indiscutível dos "Direitos Adquiridos" – ou simplesmente "Direitos" – ; indiferença que deixa perplexo o cidadão minimamente permeável à realidade, ocupa um lugar cada vez mais saliente no discurso da Esquerda, incluindo a do arco da governação, e conduziria, levada às suas últimas consequências lógicas, à recusa de pagar a dívida, que tantos lunáticos e até alguma boa gente reclamam.

Existe, pois, em Portugal um amplo e fundo consenso quanto à prevalência dos nossos direitos sobre os nossos deveres e os nossos meios, um pequeno problema que no entender de alguns se resolverá facilmente fazendo voz grossa na Europa. Nem a deplorável experiência do sr. Hollande levou os socialistas portugueses a compreender que as relações entre Estados se regem pela força dos interesses, e não por solidariedades afectivas ou sequer ideológicas. A parte mais substancial do "programa" de Antonio Costa para reerguer o país depende inteiramente da benevolência europeia, o que só pode inspirar a mais funda preocupação.

O Tribunal Constitucional, ao chumbar reiteradamente (ainda que com uma ou outra incoerência) medidas aprovadas pelo governo e julgadas contrárias à Lei Fundamental, beneficia pois de um larga audiência no país, na exacta medida em que o governo incorre na fúria da Esquerda e até em boa parte da opinião partidariamente desalinhada. Não será demasiado grosseiro dizer-se que os portugueses, de um modo geral, se revêem no Tribunal Constitucional. Mas não maioritariamente por escrúpulo jurídico, antes pelo prosaico e palpável motivo de que o Tribunal constitui uma peça integrante do regime, que até por mera intuição toda a gente percebe que protege as dimensões mais conservadoras da nossa Constituição. O tribunal, ao zelar – e bem – pelo cumprimento da Lei Fundamental, zela, do mesmo passo, pela conservação de toda a "tralha" socialista que nela se contém e que, como escreveu Henrique Raposo, impede a Direita de governar, como tem demonstrado a experiência em curso.

Não obstante, mau grado todos os inconvenientes resultantes dos sucessivos chumbos do TC, a verdade é que o Tribunal não se pode eximir a desempenhar as funções para que foi criado, e ao governo não resta outra solução que não seja, mesmo com muita azia, cumprir pronta e rigorosamente os acórdãos que quase sempre mais não fazem do que condenar medidas que em muitos casos se sabia antecipadamente serem inconstitucionais. A Lei é para respeitar, por dura ou incómoda que seja. Senão, quem amanhã vai punir o assaltante da minha casa?

De nada servindo protestar contra o Constitucional, parece que apenas restar a solução de reformular as suas competências - no âmbito de uma revisão constitucional que produza um texto em que a generalidade dos portugueses se possa finalmente rever e com que todas as forças políticas possam governar.

Seria óptimo mas não é possível. O PS está e estará proibido, pelas suas várias facções esquerdistas, de se entender com o Centro-Direita para beliscar uma Constituição que santifica o Socialismo como o Destino Superior de Portugal. O PS quer a todo o custo preservar o chamado Modelo Social Europeu introduzido a partir de 1976, quando, passados mais de 30 anos, o mundo está irreconhecível, esse mesmo modelo sofre em diversos países reformas que o vão desfigurando, e as populações da maior parte do planeta estão já engalfinhadas numa competição global sem tréguas, incompatível com as disposições que regulavam um mundo relativamente pacato e previsível.

Enquanto o PS se mantiver amarrado ao seu pólo radical, bloqueará toda a reforma constitucional que possa abrir caminho a uma governação mais consentânea com as exigências – e oportunidades – do mundo contemporâneo. A situação portuguesa está completamente bloqueada. Que fazer? Nada. Continuar a empobrecer enquanto esperamos resignadamente que a Europa se condoa... ou que os partidos se desagreguem e o regime chegue ao fim. Veremos o que então sobra de Portugal.


Este texto de MFB, que ela pretende virtuoso, encontra-se ferido de várias falácias. A partir dos meus  sublinhados, comento:

1) Ao contrário do que afirma a autora, parece que a Esquerda, ou, pelo menos, a maior parte dela, não se recusa a pagar a dívida, mas pretende apenas reestruturá-la. Deveria saber MFB que a dívida portuguesa, nas circunstâncias actuais (Pacto de Estabilidade e Convergência e Tratado Orçamental), é impagável. Ainda não houve quem demonstrasse o contrário;

2) É evidente que as relações entre Estados se regem por interesses. Só que a União Europeia se pretende (ou pretendeu) um Estado, constituído por diversas parcelas que deveriam ser solidárias. Era a ideia dos Estados Unidos da Europa, como são os Estados Unidos da América, ou do Brasil. Aquilo a que se assiste agora é à colonização de vários países pela Alemanha;

3) Não sei quem é Henrique Raposo, nem onde ele se louvou para afirmar que a "tralha" socialista impede a Direita de governar. Desde há três anos que a Direita vem pautando a sua governação pela ignorância dos direitos dos portugueses, ou dos Direitos Adquiridos, só não indo mais além pelo travão do Tribunal Constitucional, cujas decisões MFB considera deixarem perplexos os cidadãos minimamente permeáveis à realidade;

4) A revisão constitucional que MFB deseja, para que a generalidade dos portugueses se possa rever no texto, é certamente aquela que consagre a destruição do Estado Social;

5) Não serão as facções esquerdistas do PS que impedem que ele se entenda com o Centro-Direita. Penso que até já se entendeu demasiado. O que MFB não pode pretender é que o PS, deixe de ser um partido minimamente socialista, com um projecto que justifique o seu nome, e se transforme em mais um partido da Direita, o que lhe retiraria, obviamente, o direito à existência;

6) É verdade que o Modelo Social Europeu, de algum modo consagrado na nossa Constituição, já sofreu reveses em alguns países, embora não tão profundamente como em Portugal. Tal não se deve, como se apregoa, à sua insustentabilidade mas à desregulação do sistema financeiro internacional, protagonizada por Thatcher e Reagan, e porque se afigurou desnecessário ao mundo capitalista cultivar esse modelo social susceptível de seduzir os povos do Leste, numa altura em que a União Soviética desapareceu do mapa. Já não há ninguém para convencer, ao que parece, embora não tenhamos ainda chegado ao Fim da História;

7) A competição global sem tréguas que MFB refere, e contra a qual não parece insurgir-se, só poderá conduzir a uma guerra mundial. Veremos, então, o que sobra de Portugal.  


Afortunadamente, verifica-se, portanto, uma relação difícil entre as conclusões de MFB e a verdade dos factos. QED!


quarta-feira, 25 de junho de 2014

AS FALSAS REVOLTAS




Segundo Mustafa Abdul Jalil, presidente do Conselho Nacional de Transição em Benghazi, em 2011, Muammar Qaddafi nunca ordenou os fuzilamentos que estiveram na origem da falsa revolução na Líbia e da intervenção da NATO.

Transcreve-se a notícia:

«Les , ( et la Grande-Bretagne, ndt) et l’ ont mis fin à la laïcité en et ont porté des extrémistes islamistes au pouvoir, qui ont commis de nombreux crimes, y compris massacrer des milliers de Libyens noirs immédiatement après la destruction du régime de Kadhafi.

Mustafa Abdul Jalil, président du Conseil national de transition à en 2011, admet : Kadhafi n’a pas ordonné la fusillade qui a été à l’origine de la fausse révolution en Libye. Maintenant, après la destruction de la Libye, Jalil avoue au monde sur Channel One que les manifestants qui ont été tués à qui ont été le prétexte fourni à l’ONU et à l’OTAN pour attaquer la Libye ont été tués par un groupe d’espions et de mercenaires qui n’étaient pas de Libye. Il admet qu’il savait la vérité à l’époque mais cela a été fait pour abattre le gouvernement libyen et briser l’Etat. Il admet qu’il a été informé à l’avance que cela allait se produire et que les gens de la Libye n’ont pas reconnu les manifestants morts parce qu’ils portaient des vêtements civils et qu’il n’y a eu personne qui est venu à leurs funérailles comme ils n’avaient pas de parents ou d’amis en Libye.

Comme nous l’avons dit depuis Février 2011, la soit-disant révolution en Libye était sous fausse bannière. Le peuple libyen pour la grande majorité était heureux et vivait en sécurité. Les groupes extrémistes islamiques étaient illégaux en Libye. Maintenant la Libye est contrôlée par des groupes extrémistes islamiques (d’Al-Qaïda, le Groupe islamique combattant de la Jamahiriya (GICL), les Frères musulmans, Ansar Al Sharia et autres). Le pays est divisé, il n’y a pas de sécurité, des milliers depersonnes ont été illégalement emprisonnées et des centaines torturées à mort. Il n’ya pas de gouvernement, il n’y a plus de ventes de , plus de 2 millions de personnes sont toujours en exil, les psychopathes ont pris le pays et il est maintenant considéré comme un « Etat ​​gris » – sans frontières et sans gouvernement.»



É sabido que o espaço mediático e o ciberespaço são correntemente utilizados para promover falsas insurreições. Assim aconteceu na Roménia, com Ceausescu, na Sérvia, com Milosevic, na Ucrânia em 2004, com Yanukovitch (revolução laranja) e novamente em 2013 (praça Maidan). E também no Cairo (praça At-Tahrir) e na Síria (os gases tóxicos).

Não se pode ter, hoje, confiança na comunicação social ou na web. As notícias são habitualmente manipuladas e servem interesses alheios à verdadeira informação. Nem admira, uma vez que a independência da informação acabou. Mesmo nos países ditos democráticos, onde já não existe, oficialmente censura política, há uma censura do poder económico e financeiro que controla os jornalistas. Desengane-se quem pensar que vivemos num mundo livre, porque somos sistematicamente enganados.

terça-feira, 17 de junho de 2014

AS PROSTITUTAS E OS SOLDADOS




Agora, que o valor estimado da prostituição vai ser incluído no PIB dos países europeus, é oportuno revisitar o livro de Francisco Ignacio dos Santos Cruz, Da Prostituição na Cidade de Lisboa, publicado em 1841 e reeditado em1984, a que fiz referência no post que publiquei sobre a Preta Fernanda.

Trata-se do primeiro estudo sério sobre a prostituição feminina no nosso país, assunto abordado na literatura portuguesa do século passado em obras como A Princesa de Boivão, de Alberto Pimentel, Pérola, de Marcelino Mesquita, Severa, de Júlio Dantas, Rosa Enjeitada de D. João da Câmara ou Fado, de Bento Mântua. Também entre os autores estrangeiros a figura da prostituta foi largamente glosada, distinguindo-se o romance de Alexandre Dumas (Filho) A Dama das Camélias, que serviria de argumento à célebre ópera La Traviata, de Verdi.

O volumoso livro de Santos Cruz pretende, ao que parece, esgotar o assunto. Trata, e resumimos, da história da prostituição, das classes de prostitutas, de aspectos fisiológicos e patológicos das prostitutas, dos seus costumes e hábitos, do seu número e distribuição na cidade de Lisboa, dos lugares, famílias e idades das prostitutas, das causas da prostituição, do Virus venereo, das casas públicas de prostituição (taxas, polícia, visita sanitária, distribuição das casas pela cidade, donas das casas) e legislação antiga e moderna em Portugal e no mundo.

Pela sua curiosidade, transcrevemos da Secção Segunda (Virus venereo) da Primeira Parte, o Artigo 3º do Capítulo II (Meios influentes no incremento e propagação do Virus venereo - Exército de terra):


«É inegável que o aumento da propagação do Virus venereo está na razão directa do aumento da prostituição; e também se não pode duvidar de que o exército concorre para o incremento da prostituição. É portanto o exército uma causa influente na propagação do Virus venereo; a razão e a experiência provam suficientemente qualquer dos dois princípios enunciados. Todos os escritores sobre as enfermidades dos exércitos dizem que o maior número de moléstias que se encontram nas tropas são as venéreas, e até em número superior a todas as outras. A estatística provou a um escritor que as moléstias venéreas das prostitutas sujeitas à vigilância das autoridades administrativas eram na razão de 1:3 e que eram estas muito mais graves do que as outras. Também ele assevera que, se as leis da Natureza são sempre constantes e invariáveis, também as há na ordem social com esta constância e invariabilidade; sendo uma delas que por toda a parte onde se encontram soldados reunidos em certo número, aí se encontram prostitutas. Isto se observa em todas as nações e é o que se vê entre nós apesar de todas as leis repressivas e apesar de todos os rigores da disciplina militar.

Com efeito, os soldados são homens de ordinário bem constituídos, na flora dos seus anos, em plena liberdade, pela maior parte solteiros, e entregues a todo o fogo e violência das paixões da idade viril, etc. o que tudo produz infalivelmente o incremento da prostituição (e, portanto, o da propagação do Virus venereo, se não houver a devida fiscalização). Isto se observa nas meretrizes frequentadas pela tropa ou naquelas que acompanham a mesma tropa e que se pretendem decorar com o título de parentas ou como lavadeiras ou vivandeiras, etc. O nosso exército está hoje mui reduzido, por isso não representa aquela aluvião enorme de mulheres que se encontravam no tempo da campanha peninsular e quando todos os regimentos de infantaria de linha contavam acima de 1500 praças.
.....Os pais entregam para o serviço militar homens robustos e sadios, e pelos deboches de todos os géneros a que se entregam durante este serviço, quando voltam às suas casas, as suas famílias recebem em troca homens valetudinários e enfraquecidos pelo vírus sifilítico.....

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É, pois, indispensável inspeccionar com todo o escrúpulo os soldados semanalmente, ou maior número de vezes, e logo enviá-los ao hospital quando doentes; e além dos órgãos sexuais, também o ânus e os órgãos vocais, se na voz houver qualquer alteração.

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E é preciso atender à idade e ao fogo violento das paixões que arrastam os homens a acções que por tais motivos merecem a nossa consideração.....»


O diagnóstico de Santos Cruz é pertinente mas não exaustivo, dado que o seu propósito se circunscrevia ao problema da contaminação venérea. Tivesse ele escrito o livro um século mais tarde, e sem preconceitos, e a abordagem seria certamente diferente.

Hoje, que já não existe exército de conscritos mas apenas tropas mercenárias, os comentários de Santos Cruz perderam actualidade. Aliás, ainda no tempo do serviço militar obrigatório, e mesmo quando ainda existiam casas de prostituição legais no nosso país, muitos soldados já satisfaziam os seus desejos utilizando esquemas alternativos, que não os obrigavam a esportular o magro soldo mas, ao contrário, lhes permitiam auferir simbólica remuneração por serviços prestados.

A propósito da extinção do serviço militar obrigatório (SMO), registe-se que tal iniciativa deveu-se à pressão desenvolvida pelas juventudes partidárias (as inenarráveis "jotas") que desde há décadas porfiam em destruir a democracia em Portugal.

Todavia, o fenómeno não é exclusivamente doméstico. Nos outros países da Europa (comunitária) verifica-se idêntica atitude, não pela intenção piedosa de evitar que os mancebos percam um ou dois anos de vida no serviço público antes de ingressarem numa profissão, mas porque tropas de recrutamento são sempre susceptíveis de derrubar regimes impopulares e ilegítimos, como se verifica actualmente no Mundo Ocidental. Com tropas mercenárias certamente não teria havido o 25 de Abril em Portugal. E a desculpa de começarem a carreira profissional mais cedo também não colhe numa Europa em que desde há anos é dificílimo encontrar emprego.

Voltando ao tema, forçoso é concluir que sempre os soldados, pelo menos os do SMO, mantiveram uma relação estreita com a prostituição. O mesmo se dirá dos marinheiros, sobre os quais Santos Cruz igualmente elabora no seu livro.

domingo, 15 de junho de 2014

UM NOVO RUMO PARA A EUROPA


Uma esclarecedora animação de ETUC-CES (European Trade Union Confederation - Confédération Européenne des Syndicats).

Para ver e meditar.



E concluir!

OS CONCORRENTES DE RONALDO


Nacer Chadli

Cristiano Ronaldo, para além de ser bom jogador de futebol, tem-se notabilizado pelas suas aparições em pelo, ou quase, nomeadamente a fazer publicidade de marcas internacionais de roupa interior.


Neymar

Assim, podemos observar as célebres fotografias em que se apresenta com slips da Armani, espalhadas um pouco por todo o mundo, como na Stazione Termini, de Roma. Já David Beckham fora, também ele, modelo da casa.


Stazione Termini - Roma

Mas CR7 que se cuide. Surgiram, mais recentemente, outros colegas, exibindo corpos não despiciendos, que começaram a dedicar-se às mesmas prestações visuais. É o caso do belga de origem marroquina Nacer Chadli (Tottenham), para Dolce & Gabbana, e do brasileiro Neymar (Barcelona), para Lupo.



Nos dias de hoje, e basta olhar para os estádios, os futebolistas são pessoas que se dedicam a várias actividades em que a generosidade do físico é indispensável, incluindo, quase diria acessoriamente (mas será talvez um exagero),  jogar futebol.

David Beckham

Sinais dos tempos.

Cristiano Ronaldo (mais novo e a cores)

sábado, 14 de junho de 2014

A MORTE SEM MESTRE




Acabou de ser publicado um novo livro de Herberto Helder: A Morte sem Mestre. Como os anteriores, esgotou-se no próprio dia, e quem não reservou um exemplar numa livraria habilitada para o efeito, terá dificuldade em encontrá-lo.

O lançamento de uma obra de Herberto Helder é sempre um acontecimento, pela qualidade da poesia a que nos habituou. E não sendo esta, em minha opinião, uma das suas produções mais conseguidas, indubitavelmente que se trata de uma notável criação poética.

O volume faz-se acompanhar de um CD que regista a voz do autor lendo cinco dos poemas.

Os versos, encerrando uma amarga ironia, constituem, como o título indica, uma singular reflexão sobre a morte.

Duas transcrições:

e eu que me esqueci de cultivar: família, inocência, delicadeza,
vou morrer como um cão deitado à fossa!


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agora parece que já ninguém nasce,
as pessoas agora querem é morrer,
e como não morrem bem porque no esplendor das obras as compensações são baixas,
procuram a morte módica,
vão todos juntos para as praias onde não há socorristas,
praias do inferno sem nenhuma salvação,
às vezes marcam-se encontros nos apogeus dessas tardes desmedidas,
e quando lá chegam já vomitam os bofes,
nestes lugares não há sombras que nos valham,
estes lugares, diz alguém, nem precisam ser simbólicos,
o poema agora por exemplo não tem simbolismo nenhum,
morro dentro dele sem força para respirar,
toda a gente a caminho das praias dominantes,
toda a gente calada com medo que a praia se tenha ido embora,
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