domingo, 27 de abril de 2014

O EURO E A EUROPA



Pela sua importância, transcrevo abaixo o artigo que o Embaixador Francisco Henriques da Silva teve a gentileza de me enviar:



Da construção europeia, do Euro, da Euro-Alemanha  e de outras histórias e historietas explicadas ao Povo e contadas às criancinhas 

Relativamente ao título acima transcrito, não resisto em reproduzir, em tradução livre e adaptada, um e-mail que, um pouco ao sabor da pena, sem grandes preocupações de erudição nem de organização de ideias, escrevi a um amigo meu, francês, fidelíssimo crente no mito europeu. Ei-lo:

“Meu caro

               Li com atenção os documentos que me enviaste.
               Sabes, servi durante dois anos e meio, como membro do Gabinete do Comissário europeu - de nomeação portuguesa, ou seja do Governo de então -,  Prof. João de Deus Pinheiro, em Bruxelas, de 1993 a 1995. Não fui, pois, passageiro,  piloto ou comissário de bordo dos aviões, estive na própria torre de controlo do aeroporto. Por conseguinte, posso assegurar-te que, modéstia à parte, julgo conhecer minimamente como funciona a “máquina europeia”, as pessoas que ali trabalham ou que por lá andam e que dão a volta à manivela.
               Jacques Delors era, à época, o grande patrão, tinha um projecto e, se bem me lembro, tinha a ilusão de que a Europa podia ver a luz do dia, em grande estilo. A fé move montanhas e a Bélgica é lisa como uma panqueca. Nesses tempos que já lá vão, eu era um crente entre os crentes, a bem dizer quase um fundamentalista pró-europeu, passe a expressão. Ah! A Europa! A magnífica e grandiloquente construção do nosso futuro comum! A criação de  um mundo exemplar! Blá-blá-blá, sempre blá e ainda blá... 
               Tudo isso, entretanto, mudou e tal como os adolescentes, que aos 14 ou 15 anos descobrem um belo dia que têm sérias dúvidas sobre a religião, que deixam de ir à missa e que já não sentem necessidade de rezar, perdi também a minha fé na construção europeia. Tornei-me agnóstico e, à medida que o tempo ia passando, pior ainda: tinha-me tornado num agnóstico militante e revoltado. Por outras palavras, a Europa era um mito que se auto-alimentava e que com o qual tínhamos de viver. Tratava-se do novo ópio do Povo do século XXI! Todavia, para os descrentes como eu, no fundo, tínhamos de engolir a pílula – éramos e somos apenas umas vozes isoladas que clamam no deserto - , sem embargo não podemos engolir tudo e há coisas que muito claramente devemos recusar.
               Vejamos o que se passa. A Europa perde-se e perdeu-se em debates   intermináveis, alguns serão bizantinos outros não tanto: federalismo vs. soberania dos Estados-Nações, Europa prato do dia ou “à la carte”, alargamento ou aprofundamento, união mais estreita ou mais flexível, implementação ou não do conceito de subsidiariedade, etc, etc, etc. Poderia perder horas a equacionar todos este problemas, mas o melhor é passarmos adiante porque estas questões são meramente retóricas  e as consequentes respostas não nos conduzem a parte alguma. Concentremo-nos, antes, nos problemas mais actuais e mais prementes. Alguns poderão directa ou indirectamente responder a algumas dessas questões de fundo.
               O euro constituiu uma armadilha,  criado que foi à pressa por pressões de François Mitterrand, assustado com a reunificação alemã e com os riscos dum potencial – e imaginável -  domínio alemão da Europa (os fantasmas da guerra franco-prussiana e dos dois grandes conflitos mundiais do século passado emergiram, como emergem sempre, nas mentes gauleses). O PR francês dá um salto na cadeira após ter escutado o discurso do chanceler alemão Helmut Kohl no Bundestag: a Alemanha unia-se de Leste a Oeste. As luzes no Eliseu estiveram acesas toda a noite, a insónia era infindável. Enervado Mitterrand decide então avançar com a criação imediata do Euro, custasse o que custasse, como fórmula para amarrar a agora Grande Alemanha ao projecto europeu. Todavia, impôs duas condições a Bonn: a) a Alemanha podia reunificar-se (era o discurso politicamente correcto, não se atrevia a dizer outra coisa) desde que se comprometesse publicamente com a criação da moeda comum; b) os alemães deviam, igualmente, aceitar critérios financeiros estritos para aquela criação. O erro de Mitterrand foi colossal. Para os alemães, porém, foi a festa au grand complet : “Este imbecil oferece-nos a reunificação de mão beijada e ainda por cima o euro. Os critérios seremos nós a decidi-los”. E Kohl & Cia. disseram-no de uma forma bem clara e explícita: “Sim, é evidente, mas os critérios serão os do marco alemão. Ponto final”. Eis-nos, pois, chegados ao Tratado de  Maastricht e aos famosos critérios de convergência. Iríamos adoptar colectivamente o marco com outro nome. Mas será que ninguém viu? Toda a gente subscreveu o acordo  sem pensar nas consequências? Quem foi o responsável? Bom, Mitterrand à cabeça, sem qualquer dúvida, mas todos os demais foram cúmplices. A Alemanha ganhou em todos os tabuleiros.
               O euro foi pois criado à  imagem e semelhança do marco. Não houve nem uma regulamentação estrita e uniforme do sistema bancário, nem harmonização fiscal, nem convergência das políticas económicas. Tudo isto implicaria uma maior integração e consequentes perdas de soberania, mas não se podia adoptar uma moeda comum sem pensar nestas questões que são verdadeiramente cruciais. Os EUA também dispõem de uma moeda comum, mas estes problemas estão, como se sabe, resolvidos à partida, sem prejuízo das diferenças – que são muitas – entre, por exemplo, o Alabama e a Califórnia.
O euro é pois uma criação ex nihilo, baseada em falsas premissas, sem quaisquer bases sólidas, apenas para satisfação das pretensões alemãs.  Esta é a verdade dos factos. Porém, tudo parecia navegar em águas tranquilíssimas, num mundo panglossiano: “Tout va bien dans le meilleur des mondes”. Melhor ainda: nos pequenos países de economia débil da periferia, acabavam as taxas de juro elevadas, o dinheiro era abundante, fácil e barato. Ninguém temia o que quer que fosse. Vivia-se na euforia. Podia-se, finalmente, construir as auto-estradas, os hospitais, as escolas, os aeroportos; o povão iria viver melhor, tinha-se posto termo à miséria e aos anos das “vacas magras”. Era o tempo de todos os sonhos e de todas as loucuras, que, infelizmente, não iria durar muito.
Com efeito, a crise já lá estava. Começa em 2007 e em Setembro de 2008 dá-se o colapso – é a famosa crise do sub-prime, que está na origem da subsequente recessão nos EUA e na Europa, ou seja, uma crise do sistema bancário à escala mundial, com múltiplas causas, mas com o eixo principal centrado no mercado hipotecário.
Na Europa, para além de todos os sinais precursores negativos prosseguia-se tolamente com a mania das grandezas. Alguns governos, aparentemente aconselhados pela própria Comissão Europeia (!), gastaram ainda mais para “fazerem face à crise” que era, dizia-se, passageira e a Alemanha lá estaria como anjo da guarda de toda a gente, a proteger-nos dos males e pestilência que vinham de fora. O euro era uma moeda forte. As pessoas continuavam a gastar. Lentamente, porém, aqui e acolá, as apreensões começavam a surgir, mas “era só fumaça”, ninguém via as labaredas do incêndio já declarado, que se avizinhava a passos largos.
Crise? Meu amigo, a crise é essencialmente bancária e não outra coisa. O sistema bancário é a causa, o endividamento público e privado a consequência. A quem pedimos nós, Estado ou particulares, dinheiro? À banca, pois claro. Quem é que o emprestou de uma forma irresponsável, mafiosa, criminosa, através de um sistema opaco e corrupto? A banca. É, porém, óbvio que os governos, por ignorância, irresponsabilidade e ineficácia, têm também a sua quota-parte de culpas no assunto, mas a responsabilidade principal reside no sistema bancário, insuficientemente regulamentado e a funcionar sem qualquer controlo ou supervisão, dignos de nota.
Concretamente, no caso português, o euro acabou com a nossa indústria, pôs um ponto final no que restava da nossa agricultura, criou empregos fictícios no sector dos serviços e, last but not least, impediu o livre curso das nossas exportações. Devemos continuar a reiterar os nossos erros? Cair  de vez no precipício? É tempo de dizer. “Alto e pára o baile!”
Mais. Adoptámos o euro, sem qualquer consulta popular. Para quem se vangloria de uma democracia, de pura ficção, diga-se de passagem, o que se passou foi, pura e simplesmente, revoltante.
Eis-nos chegados à pergunta que se impõe: pode-se ou não bater com a porta? Sim, mas tal implicará sacrifícios de monta. Já sofremos bastante, é verdade, mas podemos sofrer ainda um pouco mais para sermos recompensados a longo prazo. Trata-se de testar a nossa capacidade de resiliência. Se batermos com a porta, o barco vai ao fundo, ou seja a “Eurolândia” desaparecerá. A minha resposta é simples: que se afunde. Francamente – e não quero cair na demagogia barata – ao ponto a que chegámos e com a idade que tenho, é-me indiferente. Com uma nova moeda – escudo, cruzado, maravedi ou pataca – teríamos de imediato uma desvalorização de 30 ou 40%, quem sabe se mais. Mas se resistimos passiva e heroicamente até agora, não podemos aguentar mais um embate? Teremos ou não capacidade para sofrer ainda mais? Na certeza, porém, de que recuperaremos a nossa soberania, seremos, apesar das limitações, de algum modo senhores do nosso destino e não os servos da gleba dos outros.  Podemos fechar as portas por um período relativamente curto  e, entretanto, mandar os banqueiros e os políticos desonestos para a cadeia, depois...depois, se verá! Isto não é populismo. É possível.
Duas pequenas notas finais:
a)                     Portugal não viveu acima dos seus meios e das suas possibilidades. Foi a banca nacional e internacional  que nos disse de forma enfática: “Façam os vossos jogos! Há dinheiro para todos!”. Meu caro amigo, sabemos bem que assim foi e podia apresentar-te n exemplos do que afirmo.
b)                     A nossa adesão à UE (na época CEE) foi apresentada como a “terra prometida, onde corre o leite e o mel”. Vamos de um dia para o outro transformarmo-nos em suecos ou em alemães, apesar do nosso cabelo escuro e da nossa tez morena. Isto foi vendido ao pagode, desta maneira, sem jamais, em tempo algum, se ter pronunciado em referendo sobre o assunto. Os políticos-politiqueiros da nossa praça assim nos venderam o peixe.
Podia continuar, mas fico-me por aqui. Falaremos longamente sobre o assunto, mas esta já vai longa, demasiado longa. É um dilatado grito da alma e interpreta-o assim.
               Abraço amigo”



VASCO GRAÇA MOURA




Morreu hoje em Lisboa, aos 72 anos, Vasco Graça Moura, poeta, ficcionista, ensaísta e tradutor, uma das personalidades mais destacadas da vida cultural portuguesa do último quartel do século passado e da primeira década do século XXI.

Conheci o Vasco, há 50 anos, quando veio do Porto para estudar na Faculdade de Direito de Lisboa. Com amigos comuns, elaborámos alguns projectos culturais que não tiveram então sequência devido à dispersão por várias actividades das pessoas neles interessadas.

Acompanhei a sua carreira cultural e com ele fui mantendo contactos espaçados. Aliás, não era muito fácil encontrar o Vasco, empenhado sempre em tarefas múltiplas. Não me identificando com as suas posições políticas, isso nunca comprometeu o nosso relacionamento. Vasco Graça Moura soube sempre distinguir as opções políticas, as convicções ideológicas e as relações de amizade.

A sua morte, prematura, constitui uma perda significativa para o mundo das letras.

sábado, 26 de abril de 2014

BRUNO RIBEIRO, UM TENOR PORTUGUÊS



Bruno Ribeiro em Corrado, na ópera Il Corsaro

Não me recordo de alguma vez ter visto (e ouvido) o tenor Bruno Ribeiro nos palcos do São Carlos. É verdade que ele é um jovem (as notícias biográficas na net não indicam a idade) e que aquele teatro desde há muito tempo que não realiza verdadeiras temporadas de ópera. Segundo informação que me foi prestada, parece que terá participado num concerto.


Além de uma excelente voz, Bruno Ribeiro tem óptima aparência, o que o torna desejado para interpretar papéis em que os atributos físicos também contam, e muito. Já lá vai o tempo em que cantores e cantoras fisicamente horrorosos e de idade improvável desempenhavam personagens descritas como belas e jovens



Tendo começado a estudar no Conservatório Nacional, Bruno Ribeiro tem-se apresentado nos grandes teatros europeus e americanos, primeiro em papéis secundários e depois nos papéis principais. Encontram-se gravadas em DVD as suas prestações nas óperas de Verdi Il Corsaro (interpretando Corrado, o protagonista), no Teatro Regio di Parma (2012) e Nabucco (interpretando Ismaele), no Festival de St. Margarethen (2007) e na ópera de Donizetti Lucrezia Borgia (interpretando Jeppo Liverotto), na Ópera de Munique (2009).


A produção ao ar livre de Nabucco em St. Margarethen é espectacular. Para lá do privilegiado local é servida por uma encenação grandiosa, devendo  notar-se que os figurantes mais jovens foram escolhidos a dedo por pessoa de bom gosto.

Incluímos excertos da Tosca e da Carmen, apesar da deficiente qualidade do som:







sexta-feira, 25 de abril de 2014

CÉLESTE ALBARET



Edição de 1973

Completam-se hoje 30 anos sobre a morte de Céleste Albaret, oficialmente Augustine Célestine Gineste, em Montfort-l'Amaury. Nascida em 17 de Maio de 1891, Céleste, mulher de Odilon Albaret, o motorista do táxi que Proust habitualmente utilizava, foi a governanta dedicada do escritor durante oito anos, de 1914 a 1922.

Por morte de Proust, em 1922, abriu, com o marido, o Hôtel Alsace Lorraine, mais tarde rebaptizado Hôtel La Perle, e de 1954 a 1970 tomou conta do Belvédère, a casa de Maurice Ravel em Montfort- l'Amaury.

Mulher discreta, tornou-se subitamente célebre quando, em 1973 se confiou a Georges Belmont e lhe contou em pormenor o tempo em que esteve, dia e noite, ao serviço do autor da Recherche, até à morte deste.

Morreu com 93 anos e, alguns anos antes, recebera das mãos do ministro francês da Cultura, Jean-Philippe Lecat, as insígnias de comendador da ordem das Artes e das Letras.

Ao longo das mais de 400 página do livro Monsieur Proust (1973), agora acabado de reeditar, entramos na intimidade, mesmo nos aspectos mais recônditos, da vida do escritor. Um testemunho pessoal de inapreciável valor para o conhecimento da personalidade e para a compreensão da obra de um dos maiores criadores da literatura francesa do século passado.

25 DE ABRIL




Recordo-me perfeitamente do dia 25 de Abril de 1974. Tenho na memória imagens desse dia, tanto ou mais nítidas do que as de acontecimentos muito mais recentes. A queda do Estado Novo era algo que a maioria dos portugueses esperava e desejava, já que o regime esgotara há muito tempo o seu prazo de validade. Mas não se sabia quando ocorreria, embora o pronunciamento de 16 de Março constituísse um aviso de que poderia estar iminente.

Os factos que nos marcam profundamente não se apagam com facilidade das nossas lembranças mesmo mais remotas. Quarenta anos passados e parece que foi ontem. Também devido à aceleração do ritmo de vida, o que tem a ver não só com Portugal mas com o Mundo.

Contudo, dificilmente se preveria que - com as esperanças que Abril suscitou - nos encontrássemos, 40 anos depois, na situação presente. É evidente que a crise que nos afecta não é exclusiva de Portugal, atinge grande parte da Europa, e o Mundo. Resulta das exigências do capitalismo financeiro e da globalização da economia. Tende, porém, no nosso país,  a assumir proporções dramáticas, já que os dirigentes políticos entenderam adoptar medidas ainda mais severas do que as impostas pelas instituições internacionais. Não é só a dívida que preocupa o Governo, dívidas externas sempre houve, sem que isso obrigasse a uma austeridade irracional. Nem sequer o défice, cuja meta determinada pelo Tratado Orçamental não só é uma condição estulta como será alterada a curto prazo, se entretanto a União Europeia não implodir. O que preocupa o Governo, a sua obsessão primeira, é o desmantelamento do Estado Social, objectivo aliás prosseguido em outras nações europeias.  Existe uma vontade já não ocultada de reduzir progressivamente o apoio social prestado às populações, vontade de que a Alemanha tem sido o principal arauto, em contradição com as primeiras medidas sociais, ironicamente tomadas pelo chanceler Bismarck.

No momento em que se exaltam por toda a parte as virtudes da democracia, o mundo globalizado, mesmo nos países em que está instalada uma democracia representativa putativamente consolidada, é cada vez menos democrático. Assiste-se s uma assunção do poder político por parte do poder económico e financeiro, que é quem realmente governa, por interposta instância dos governos "democraticamente" eleitos. O exemplo português é flagrante: um partido reúne a maioria dos sufrágios, mediante a apresentação de um programa ao eleitorado. Logo que  investido em funções governativas faz exactamente o contrário do que o que se comprometera a fazer. O que se verifica hoje em Portugal, e em muitos outros países, é que os governos perderam a legitimidade "democrática".

Àqueles que aplaudem os pronunciamentos militares contra governos ditos ditatoriais e que condenam pronunciamentos militares contra governos saídos de eleições ditas livres, poderá responder-se que são tão ilegítimos (ou legítimos) uns como os outros. E que as presentes democracias representativas dos países europeus, subordinadas aos interesses plutocráticos, não são nem democracias, nem representativas.

Dito isto, e regressando a Abril, o movimento militar de 1974, abriu as portas a novos horizontes em Portugal. Apesar de contradições e exageros nos primeiros tempos do novo regime, é um facto incontroverso que o país progrediu na maioria dos aspectos. Fruto da evolução do tempo, das alterações internacionais, mas especialmente mérito dos novos poderes instituídos. Costuma chamar-se à situação adquirida as "conquistas de Abril". Ora é precisamente a situação adquirida que o actual Governo pretende destruir. Por isso, para impedir a prossecução dessa luta travada a soldo de interesses estranhos, importa a mobilização dos portugueses. Aqui e agora. Aguardando que os outros povos europeus, que também já despertaram para a realidade, actuem.



quarta-feira, 23 de abril de 2014

O PATRIMÓNIO SÍRIO EM PERIGO



Grande Mesquita de Homs

Realiza-se no próximo dia 30, no Institut du Monde Arabe, uma jornada sobre o património sírio, que se encontra em perigo, ou já danificado, devido à situação de conflito no país.

Transcreve-se a notícia:

Le patrimoine syrien en péril

Informations pratiques
 
Quand   Mercredi 30 avril 2014
  Auditorium, Niveau -2
Durée   De 11h à 18h
Combien   Entrée libre dans la limite des places disponibles 

Le 20 juin 2013, le Comité du patrimoine mondial de l'Unesco a décidé d'inscrire tous les sites au label Unesco de la République arabe syrienne sur la Liste du patrimoine en péril afin d'attirer l'attention sur les dangers auxquels ils sont exposés en raison de la situation du pays. 

Les sites concernés sont aussi bien la vieille ville d'Alep que celle de Damas. Et également Bosra, au sud, ou encore Palmyre et de nombreux autres édifices dont la Syrie est si riche. De cette manière, l’opinion mondiale a été sensibilisée à la défense de monuments dont beaucoup sont célèbres. Pourtant, cela ne suffit pas

La journée du 30 avril voudrait engager une réflexion et une action sur le patrimoine syrien en péril. Elle débutera par l’exploration de la dimension matérielle, historique et symbolique du patrimoine syrien et par un état des lieux de ce patrimoine et des institutions qui en sont chargées en Syrie, avant le conflit et depuis. La rencontre proposera ensuite de considérer les actions qui sont d’ores et déjà menées pour la protection de ce patrimoine par différents groupes d’acteurs, relevant des secteurs associatifs ou institutionnels.
 

Enfin, sera engagée, à la lumière d’autres expériences dans le monde, une réflexion sur la manière dont un groupe d’experts, venus d’horizons divers, pourrait œuvrer à préparer l’après conflit.

Programme de la journée : 

Matinée : 11h-13h
 

Ouverture :
-Allocution de M. Jack Lang, président de l’IMA.
 

1ere séance : La dimension matérielle, historique et symbolique du patrimoine syrien et état des lieux avant la révolution et depuis 
Michel al-Maqdissi, docteur ès lettres de la Sorbonne en archéologie orientale: Dimension historique et symbolique du patrimoine syrien ; et situation de l'archéologie avant 2011.
Sophie Cluzan, conservatrice du patrimoine au Musée du Louvre, département des antiquités orientales : Considérations générales sur l’état du patrimoine syrien jusqu’en 2011 : institutions concernées, état des musées, sites en péril, sites classés UNESCO, etc.
Lecture de points du rapport de la DGAMS
Cheikhmous Ali, docteur en archéologie du Proche-Orient ancien: La veille sur le patrimoine syrien et l’état des musées, sites, monuments en avril 2014
Jacques Montluçon, ingénieur : Les savoir-faire syriens: un patrimoine immatériel en grand danger.
Annie Sartre, professeur des universités en histoire ancienne : Le Hauran, l’état de son patrimoine avant les événements. Pourquoi faut-il le protéger et quelles sont les erreurs à ne pas perpétuer ?


14h30 - 16h00
 

2ème séance : Les actions menées par divers organismes et associations 
Nada el-Hassan, coordinateur des initiatives sur la culture et le développement à l’UNESCO : Patrimoine en péril : approches et actions de l'UNESCO
Samir Abdulac, secrétaire général de l’ICOMOS France (conseil international des monuments et des sites) : Actions de l’ICOMOS pour l’aide à la sauvegarde du patrimoine syrien
Philippe Quenet, maître de conférences en archéologie de l’Orient Ancien à Strasbourg : Actions de l’Association pour la sauvegarde du patrimoine syrien
Pierre Leriche, directeur du projet franco-syrien de Doura Europos : L'aspect patrimonial de l'action de la Mission franco-syrienne d'Europos Doura
Pascal Butterlin, Professeur d'archéologie à l'Université Paris I-Panthéon Sorbonne et directeur de la mission archéologique française de Mari: Les mesures de sauvegarde à Mari depuis trois ans


16h30-18h
 

3e séance : table-ronde : Vers la constitution d’un groupe d’experts 
Présidée par Sophie Cluzan et Annie Sartre
Participants : Sophie Cluzan, Annie Sartre, Samir Abdulac, Michel al-Maqdissi, Cheikhmous Ali, Jacques Montluçon et Anas al-Muqdad


terça-feira, 22 de abril de 2014

A PEREGRINAÇÃO A MECA




Foi hoje inaugurada em Paris, no Institut du Monde Arabe (IMA), com a presença do presidente François Hollande, do vice-ministro dos Negócios Estrangeiros saudita, príncipe Abdelaziz bin Abdallah e de Jack Lang, presidente da instituição, a exposição Hajj, le pèlerinage à La Mecque, a mais importante alguma vez organizada sobre este tema em França.

Transcrevemos a notícia do IMA:


L'objectif central de cette exposition consiste à mettre en lumière l'histoire du hajj ainsi que celle de l'ensemble des rites qui le compose pour donner à comprendre ce que représente la dévotion intemporelle, personnelle et collective, extatique et esthétique, qu'expérimente, à l'occasion du pèlerinage, chaque croyant au sein de la communauté des musulmans, la Oumma.

Un des cinq piliers de l'islam
Le hajj ou pèlerinage à la Mecque est l'un des cinq piliers de l'islam - avec la profession de foi (chahâda), la prière, le jeûne du mois de ramadan et l'aumône (zakât). Il ne constitue une obligation pour le croyant que dans la mesure où celui-ci a les moyens physiques et matériels de l'accomplir, une fois dans son existence. Le hajj doit être entrepris à une date précise du mois de dhu al-hijja du calendrier islamique, tandis que la umra (petit pèlerinage) peut être accomplie tout au long de l'année.

Les rites du pèlerinage
Le parcours de l'exposition propose de suivre les pas de ces pèlerins au cours de leur voyage jusqu'à La Mecque et de les accompagner pendant ces cinq jours sacrés du mois de dhu al-hijja au cours des rites qui composent le hajj : circumambulation autour de la Kaaba (littéralement, le « cube »), course entre Safa et Marwah, station à Arafa, lapidation du diable, sacrifice...

L'expérience du pèlerin
Au sein de l'exposition des témoignages de pèlerins sont présentés et il est donné aux visiteurs la possibilité d'enregistrer le leur. Ces témoignages recueillis permettent de constituer une bibliothèque accessible dans l'exposition, mais aussi sur un site internet dédié.
 

En parallèle à cette démarche de collecte et de mise en valeur d'un patrimoine oral et sensible, un espace dans l'exposition est consacré aux souvenirs matériels (cadeaux, certificats de pèlerinages...) déposés par des pèlerins souhaitant interagir dans l'exposition. Le souvenir ou l'objet laissé en dépôt est enregistré, répertorié et présenté dans l'exposition, dans l'espace dédié au « Retour ». Cette vitrine permet à chacun de contribuer à la spécificité de l'exposition pendant les trois mois que dure celle-ci.

L'exposition Hajj, le pèlerinage à La Mecque présente quelque 230 pièces, très souvent inédites en France, en provenance de collections publiques et privées, de bibliothèques et de galeries d'art contemporain, d'Afrique, d'Asie et d'Europe.

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Organisée en coproduction par l’Institut du monde arabe et la Bibliothèque publique du Roi Abdulaziz à Riyad, l’exposition Hajj,le pèlerinage à la Mecque reprend le projet du British Museum, présenté en 2012, en le faisant évoluer. Le commissariat de l’exposition est assuré par Fahad Abdulkareem, de la Bibliothèque du Roi Abdulaziz et Omar Saghi, politologue et écrivain.

A SUPRESSÃO DO VÍCIO




Muita gente costuma indignar-se com a existência de polícias religiosas nos países islâmicos, como acontece na Arábia Saudita, no Irão, no Sudão, etc. Contudo, essas comissões para a Promoção da Virtude e a Prevenção do Vício, que infelizmente ainda subsistem, têm precedentes no mundo ocidental. Recorde-se que, em 1873, o político americano Anthony Comstock criou a New York Society for the Suppression of Vice, instituição dedicada a supervisionar a moral pública, que influenciou decisivamente o Congresso dos Estados Unidos, levando-o a aprovar a Comstock Law, que ilegalizou the delivery or transportation of "obscene, lewd, or lascivious" material as well as any methods of, or information pertaining to, birth control and venereal disease

A Lei Comstock e todas as outras disposições similares (como a famigerada Lei Seca ou as proibições de drogas anteriormente de consumo livre, inclusive medicamentos, e cuja interdição motivou a especulação e o tráfico) foram responsáveis por milhões de mortes, prisões, doenças, acidentes de toda a ordem. 

O puritanismo anglo-saxónico em todo o seu esplendor.