sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A CIMEIRA


Terminou em Bruxelas, sem honra nem glória, a Cimeira do "Euro". O Reino Unido recusou a proposta Merkel /Sarkozy e ficou de fora do novo "arranjo comunitário", juntamente com a Suécia, a Dinamarca e a República Checa. Aos países da Zona Euro deverão juntar-se, na nova arquitectura "inconstitucional", a Polónia, a Lituânia, a Letónia, a Hungria, a Roménia e a Bulgária.

Os pormenores podem ler-se na imprensa diária nacional e estrangeira. Aliás, a imprensa diária desde há semanas que não fala doutro assunto. Herman van Rompuy, que serve enigmáticos interesses, já tinha sido descomposto o mês passado no Parlamento Europeu por um eurodeputado britânico, mas parece não ter vergonha. Barroso esbraceja para mostrar que é o presidente da Comissão mas ninguém lhe liga. Merkel, tal como Hitler há décadas, arrasta a Alemanha (e a Europa) para a ruína com o entusiasmo dos seus súbditos. Não compreendo a cegueira dos alemães, um povo que, durante séculos, deu à Humanidade alguns dos seus génios mais brilhantes. De Sarkozy, apenas se espera que não seja reeleito, o que constituiria um vexame para a França.

Das reais inconclusões desta Cimeira nada me espanta. Suspeito que o seu guião já estava escrito por quem, na sombra, maneja a política internacional.

O euro sobreviverá mais algum tempo, porque isso convém a quem "de facto" governa e depois soçobrará, tal como a própria União, à qual aderiu hoje, por ironia do destino, a Croácia.

A União Europeia é um cadáver adiado que nada procria, salvo legislação idiota emanada dos milhares de burocratas de Bruxelas, principescamente pagos para atrapalharem a vida das nações.

Esperam-nos tristes dias.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

LUIZ FRANCISCO REBELLO



Morreu hoje, no Hospital Particular de Lisboa onde estava internado, o dramaturgo, ensaísta, jurista e historiador do teatro Luiz Francisco Rebello, que durante 30 anos foi presidente da Sociedade Portuguesa de Autores. Contava 87 anos e encontrava-se doente há dois meses, devido a problemas cardíacos, na sequência de uma delicada operação efectuada há alguns anos.

Amigo de Luiz Francisco Rebello desde os idos de sessenta, a sua morte constitui para mim, e para todos os que com ele de perto privaram, uma enorme perda e o país fica também mais pobre com o desaparecimento de uma das maiores figuras da literatura dramática portuguesa contemporânea. Deve acrescentar-se que LFR era um reputado especialista em matéria de direitos de autor, internacionalmente considerado e respeitado.





Estreou-se em 1947, com Fábula em um Acto, e muitas das suas peças, como O Dia Seguinte, Alguém Terá de Morrer, É Urgente o Amor, Condenados à Vida, Os Pássaros de Asas Cortadas, continuam a fazer parte do repertório permanente das companhias de teatro. Em 2002, publicou  As Páginas Arrancadas (juntamente com uma edição revista de É Urgente o Amor), estreada nesse ano na Comuna, com encenação de João Mota, uma peça fundamental da dramaturgia portuguesa e a sua despedida dos palcos. Devem-se-lhe também Teatro Moderno.Caminhos e Figuras e História do Teatro Português, entre os cerca de 50 títulos que publicou ao longo de 60 anos. Foi ainda colaborador de numerosos jornais e revistas e em 1971 dirigiu o Teatro São Luiz, lugar do qual viria a demitir-se no ano seguinte devido a problemas com a Censura.

Apesar da idade, Luiz Francisco Rebello mantinha uma memória invejável, uma lucidez singular e um profundo gosto pela vida.

CREMOS, MAS NEM SEMPRE




Tito Gobbi, um dos maiores barítonos de todos os tempos, em Jago, do Otello, de Verdi, canta "Credo in un Dio crudel".

E depois... «a morte é nada».

A NOITE "D", OU NÃO ?


Inicia-se esta noite em Bruxelas mais uma Cimeira da União Europeia. Após tantas reuniões inconclusivas (e ilegítimas) entre dois cadáveres adiados (Merkel e Sarkozy) a propósito do futuro do euro, tem finalmente lugar uma reunião dos chefes de governo (e de Estado) dos países da UE. Esperar-se que saiam dela as medidas necessárias e indispensáveis à salvação do euro e à manutenção da Zona Euro com todos os países que aderiram à moeda única. A situação financeira e económica da Europa, e do Mundo, já não aguenta que se protele por mais tempo uma tomada de decisões adequada às circunstâncias reais (ou fictícias) em que vivemos.

Tem Angela Merkel, acolitada por Sarkozy, evitado qualquer compromisso que possa (pensa ela) prejudicar a Alemanha. Nessa cruzada teutónica, tem tido o apoio de uma enigmática figura, o seu ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble, cujos objectivos são, por agora, dificilmente descortináveis. Não parece que o colapso do euro, ou de parte da Zona Euro, seja vantajoso para o Reich. Revisão dos tratados? Ausência de qualquer implicação do Banco Central Europeu no apoio aos países "em dificuldades"? Tratados diferentes para os países da União e para os países da Zona Euro? Talvez, neste momento, como em La Traviata de Verdi, se possa dizer como Violeta Valéry ao ler a carta de Germont no seu leito de morte: «È tardì!"

A política de Merkel, no oportuno dizer dos franceses de "surveiller et punir", recorrendo a um título de Michel Foucault, reduz-se à imposição da austeridade aos países considerados, hoje, devedores. Não ignora a chancelarina que a austeridade já aplicada à Grécia, à Irlanda, a Portugal, à Itália, à Espanha, à França e aos que se seguirem, jamais conseguirá a meta que se pretende, isto é, o equilíbrio das contas públicas. Antes pelo contrário. E a Grécia e a Irlanda constituem já um flagrante exemplo: tudo tem piorado desde a adopção das primeiras medidas.

Por outro lado, as famigeradas agências de notação, que são propriedade dos prestamistas, actuam com mais violência do que os canhões de Hitler ou as bombas atómicas de Roosevelt e Truman. Nunca tantos estiveram, em todo o mundo, sujeitos à tirania de tão poucos.

Parece que a reunião deste fim-de-semana constitui a última oportunidade para um acordo. Ou não. Assim, aguardam-se as decisões, ou as indecisões, dos "estadistas" presentes em Bruxelas. Até poderá ocorrer um novo adiamento de decisões ou serem tomadas apenas decisões paliativas. Há muitos inconfessáveis interesses de aquém e além Atlântico. As perturbações no mundo árabe também não surgiram agora por mero acaso ou coincidência. Tudo está ligado. Por isso, Putin, em Moscovo, endurece a linguagem, Assad continua em Damasco e a China dá mostras de impaciência.

Devemos aguardar mais umas horas, para ver se o fumo que sairá das chaminés de Berlaymont será branco, negro ou de cor indefinida. Mas o mundo que saiu dos escombros da Segunda Guerra Mundial e se manteve em equilíbrio até à queda do Muro de Berlim e à reunificação da Alemanha acabou. Não se passa impunemente sob a Porta de Brandeburg.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

MOMENTOS INESQUECÍVEIS



O búlgaro Boris Christoff, um dos maiores cantores do século passado, no papel de Filipe II, interpreta a ária "Ella giammai m'amò", da ópera Don Carlo, de Verdi, na récita de gala do Jubileu da rainha Isabel II, no Covent Garden, em 30 de Maio de 1977.

OUTRA VEZ O PAQUISTÃO


O presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, de 56 anos, sofreu um ataque de coração e voou para o Dubai, onde foi internado num hospital, tendo ficado em observação. Ali Zardari está envolvido num grande escândalo agora denunciado, por ter pedido a ajuda dos Estados Unidos para diminuir o poder militar do Paquistão.

Ignora-se se as pressões para a resignação de Zardari, em rota de colisão com as Forças Armadas, estão na causa desta precipitada partida para os Emirados, e se a mesma significa. de facto, a renúncia ao cargo. O assassinato de Bin Laden e o recente bombardeamento americano no Paquistão causaram um profundo mal-estar no exército e na população e não é de descartar a possibilidade de um golpe de estado militar.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

A PAZ DOS CEMITÉRIOS



Explodiram hoje duas bombas no Afeganistão, junto a santuários xiitas, durante a comemoração do dia de Achura, que evoca o martírio do Imam Hussein, neto do Profeta Muhammad.  Uma explosão verificou-se em Kabul, a outra na cidade de Mazar-e-Sharif. As explosões ocorreram no dia seguinte à conferência internacional sobre o futuro do Afeganistão, que teve lugar em Bonn. Há a registar pelo menos 60 mortos e centenas de feridos.

Também esta tarde rebentou uma terceira bomba na cidade de Kandahar, ferindo três pessoas.

O Afeganistão continua a não ser propriamente uma zona de paz, tal como se verifica igualmente no Iraque. A menos que se considere tratar-se da "paz dos cemitérios", que foi levada àquelas regiões pela invasão americana de Bush, acompanhado pelos seus ominosos parceiros de coligação.

Mas talvez tudo isto se insira num plano mais global e secreto de inconfessáveis propósitos. Apesar de que as populações estão hoje mais alertadas e o secretismo absoluto já não é o que era.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O CLIPSAS NA ONU


O CLIPSAS  (Centre de Liaison et de Information des Puissances Maçonniques Signataires de l'Appel de Strasbourg), organização maçónica internacional que reúne as Grandes Lojas e Grandes Orientes da maçonaria liberal,  e que é actualmente presidido por António Reis, ex-Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano, passou a ter assento, desde 25 de Julho passado, no Conselho Económico e Social das Nações Unidas (Ecosoc).

Devido à discrição maçónica, esta decisão só agora foi tornada pública, através de documentos da ONU.