quarta-feira, 30 de novembro de 2011

ATAQUE EM ISTAMBUL


Palácio Topkapi (entrada)

Um homem armado disparou hoje vários tiros no interior do Palácio Topkapi, uma das principais atracções turísticas de Istambul, ferindo um soldado e um guarda, antes que os snipers da polícia turca o tivessem abatido. Muitos dos turistas que na altura visitavam a antiga residência dos sultões otomanos atiraram-se para o chão, enquanto se sucediam os disparos.

Palácio Topkapi (vista aérea)

Segundo a Associated Press, o homem, um líbio com nacionalidade síria e que teria entrado na Turquia há três dias, chegou ao palácio num carro de matrícula síria minutos depois do ministro turco dos Negócios Estrangeiros ter anunciado a aplicação à Síria de severas sanções económicas.

Os tiros ouviram-se no exterior das muralhas que cercam os vários edifícios que compõem o palácio, a histórica zona de Sultanahmet, que inclui a antiga catedral de Santa Sofia e a Mesquita Azul, e provocaram algum pânico entre as pessoas que se encontravam no local.

Segundo informações de fontes oficiais não identificadas, o atacante, líbio/sírio como escrevemos, tinha 36 anos e chamava-se Samir Salem Ali Elmadhravi. As novas autoridades da Líbia declararam entretanto não ter informações sobre o autor dos disparos.

Dada a actual posição da Turquia em relação à Síria, existe o receio de que possam ser cometidos mais atentados em território turco, especialmente nos locais turísticos, e também em França, Reino Unido e Estados Unidos, países que têm defendido maiores sanções ao regime de Damasco, incluindo mesmo uma acção militar.

Considerando as pressões igualmente exercidas sobre Teerão nesta altura, é de prever um agravamento da situação no Médio Oriente, com consequências imprevisíveis.

O ANÚNCIO FEITO A LONDRES


Dezenas de jovens iranianos, presumivelmente estudantes, assaltaram ontem, por duas vezes, a embaixada do Reino Unido em Teerão, saquearam o interior e substituíram no mastro a bandeira britânica pela iraniana. O edifício foi apedrejado, muitos documentos queimados e trazido para o exterior o retrato da rainha Isabel II, enquanto os manifestantes gritavam "morte à Inglaterra", e também "morte à América" e "morte a Israel". Foi também ocupada durante algumas horas a residência do embaixador expulso pelo Irão.


Iran : l'ambassade de Grande-Bretagne prise... por Nouvelobs

Este incidente verifica-se na altura em que o governo de Londres decidiu aplicar sanções ao Irão, devido às suspeitas que existem sobre o programa nuclear iraniano. Como medida de retaliação, o Irão expulsara já o embaixador britânico e no parlamento iraniano um deputado anunciou que poderia repetir-se na embaixada inglesa o mesmo cenário verificado em 1979 na embaixada dos Estados Unidos, com a tomada de reféns.

Segundo a agência noticiosa Fars, as forças de segurança conseguiram travar o ataque, levado a cabo por uma minoria da grande multidão que protestava frente à embaixada.

O governo britânico manifestou-se profundamente chocado e o Conselho de Segurança condenou severamente o saque da embaixada. Barack Obama qualificou o ataque de inaceitável.

Aguarda-se agora o desenvolvimento da situação, numa altura em que o Ocidente exige a queda do regime de Bachar Al-Assad, na Síria, e que segue para a base naval síria de Tartus uma frota de navios de guerra russos, entre os quais o porta-aviões "Almirante Kuznetsov", numa manifestação musculada de apoio ao governo de Damasco.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

DIA INTERNACIONAL DE SOLIDARIEDADE COM O POVO PALESTINIANO


Em 29 de Novembro de 1947, a Assembleia Geral das Nações Unidas adoptou a resolução 181 (II) sobre a partilha da Palestina em dois estados, um árabe e um judaico, com um regime especial para Jerusalém. Destes, só o estado judaico foi constituído, com a proclamação de independência de Israel em 1948. Por isso, em 1977, volvidos 30 anos, "profundamente preocupada por não ter sido alcançada nenhuma solução para o problema da Palestina, e por este continuar a agravar o conflito no Médio Oriente, de que é o cerne, e a pôr em perigo a paz e a segurança internacionais", a Assembleia Geral da ONU adoptou a resolução 32/40 B que proclamou 29 de Novembro como o Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestiniano, convidando "todos os Governos e organizações a cooperar na implementação da presente resolução".

O PROBLEMA CONTINUA! 


IMPORTA QUE SEJA RESOLVIDO, RAPIDAMENTE, A BEM DO POVO PALESTINIANO E DA PAZ NO MUNDO.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

EUNICE MUÑOZ


Eunice Muñoz, uma das maiores actrizes portuguesas, completou hoje 70 anos de carreira no teatro. O presidente da República condecorou-a, de manhã, no Palácio de Belém, com a grã-cruz da Ordem do Infante D. Henrique. À noite, no final da estreia da peça O Cerco de Leninegrado, de José Sanchis Sinisterra, no Auditório Municipal Eunice Muñoz, o presidente da Câmara Municipal de Oeiras colocou-lhe ao peito a Medalha de Ouro do município.

Tenho o privilégio de ser amigo de Eunice desde há mais de 40 anos. Por isso, este blogue não poderia ser alheio à efeméride. Renovo aqui as felicitações que lhe dirigi pessoalmente e faço votos para que todos possamos, ainda por muito tempo, desfrutar do seu talento.

domingo, 27 de novembro de 2011

AS VITÓRIAS DOS PARTIDOS ISLÂMICOS

Abdelilah Benkirane

O ministério do Interior marroquino anunciou hoje que o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (PJD), um partido islamista (ainda que considerado  moderado), ganhou as eleições legislativas desta semana, obtendo 107 dos 395 lugares do parlamento.

O Partido Istiqlal (independência), do actual primeiro-ministro Abbas El-Fassi, ficou em 2ª posição, obtendo 60 lugares e o Rassemblement National des Indépendants (RNI), de Salaheddine Mezuar, obteve 52 lugares.

Assim, o rei Mohamed VI deverá convidar o secretário-geral do PJD, Abdelilah Benkirane, para formar governo. Os islamistas, que ganharam as eleições na Tunísia, que ganharão certamente as eleições que amanhã começarão (espera-se)  no Egipto, que se instalaram com a ajuda da NATO (?!?) na Líbia e que procuram derrubar o governo sírio de Bachar Al-Assad, estão a apoderar-se, pela via democrática, da governação do mundo árabe.

A solução será o Islão, como proclamam os Irmãos Muçulmanos, ou o Islão significará um retrocesso no capítulo dos direitos humanos, como são entendidos, mas mediocremente respeitados, no Mundo Ocidental? É exportável a Democracia, como, apesar das suas progressivas limitações, ainda a entendemos na Europa?

Todas estas questões, e muitas outras, terão resposta no decorrer do próximo ano.

CONSAGRAÇÃO DO FADO



Após uma saga de vários anos (e muitas peripécias e politiquice), o Fado foi hoje consagrado pela UNESCO como património cultural imaterial da Humanidade. Vingou assim, finalmente, a candidatura portuguesa formalizada pela Câmara Municipal de Lisboa (não sei porque não foi protagonizada pelo ex-Ministério da Cultura), o que permitiu a António Costa perorar na sessão em Bali.

Ignoro quais as reais vantagens desta decisão, para lá de um aspecto simbólico, mas sendo ou não "património da Humanidade", nada poderá apagar certas vozes, maxime, a de Amália Rodrigues.

A FEITICEIRA DE DAMASCO



Armida, de Rossini: Renée Fleming e Lawrence Brownlee; MET, direcção musical de Riccardo Frizza (2010)



Que a feiticeira Armida, princesa de Damasco, consiga o milagre de fazer regressar a paz à Síria.

sábado, 26 de novembro de 2011

INIQUIDADE


Uma coisa é admitir que o país tem de se submeter a uma rigorosa austeridade durante os tempos mais próximos, num horizonte indefinido. Outra é aceitar que os sacrifícios que essa austeridade implica sejam exigidos de forma desproporcionada ao povo português.

O exemplo até agora mais flagrante é a suspensão do pagamento dos subsídios de Natal e de férias aos trabalhadores da função pública e aos pensionistas. Trata-se de uma medida iníqua, como até já o deu a entender o presidente da República. E Mário Soares, com o seu indesmentível faro político, alertou ainda há dias para as consequências de serem pedidos sacrifícios para além dos limites do razoável.

Parece que Passos Coelho não cede nesta matéria, em concordância com o inefável ministro Vítor Gaspar. E haveria alternativas a essa medida. Recordo que, por exemplo, Rui Rio, destacado militante social-democrata, propôs que o corte dos subsídios fosse substituído por um imposto, de igual montante de receita, aplicado sobre todos os cidadãos. Não prejudicando as metas orçamentais previstas, seria esta uma proposta de equidade. Mas o governo não aceita. E não aceita por uma razão muito simples: o que este governo pretende não é suspender o pagamento destes subsídios mas eliminá-los definitivamente do quadro das obrigações do Estado. Passos Coelho talvez não desejasse tomar esta decisão, concedo. Mas está refém das imposições de Angela Merkel e não tem coragem para se lhe opor. Admito até que Merkel não goste muito de proferir um diktat desta natureza. Mas está ela mesma refém das instâncias do Reich e, pior, do "governo mundial", assunto sobre o qual não nos debruçaremos agora. Direi tão só que o objectivo desse "governo" é a pauperização da maior parte da população do mundo, a sua redução ao esclavagismo, em detrimento de uma percentagem mínima de cidadãos, os "sábios", que passariam a governar discricionariamente o planeta.

É por isso que me aflige ver certos idiotas úteis, como o secretário-geral Seguro que, numa atitude que se não fosse trágica seria risível, veio dizer que o PS se abstinha (violentamente) na votação do próximo Orçamento de Estado, antes de apresentar quaisquer propostas ou da discussão das mesmas. De resto, as propostas posteriormente apresentadas, a medo, pelo Partido Socialista são como a pobreza envergonhada. Umas propostas que pretendem disfarçar a prévia e incondicional cedência. Como poderá o PS e o seu grupo parlamentar acompanhar o secretário-geral, sem cair na desonra? Quem faz oposição ao governo não é este PS (que acabará por ser remetido para a inutilidade e acabará nas vascas da agonia, com grande satisfação do PCP e do BE), quem se opõe mais aberta ou sibilinamente é Mário Soares e o próprio presidente da República, que apesar de um mandato pouco brilhante já se apercebeu do apocalipse que se avizinha.

Aguardemos!