quinta-feira, 3 de novembro de 2011
RUY BELO
Começa hoje na Fundação Gulbenkian, e estende-se até amanhã, o Colóquio Internacional "Ruy Belo: Homem de palavra(s)", no 50º aniversário da publicação do primeiro livro do poeta, Aquele Grande Rio Eufrates.
Falecido prematuramente aos 45 anos, Ruy Belo (1933-1978) foi um notável poeta e ensaísta, cuja obra completa (?) se encontra hoje publicada em três volumes (Editorial Presença).
Regista-se aqui o programa do colóquio, tendo sido dedicado a Ruy Belo o nº 178 da revista "Colóquio/Letras".
Para memória futura, registamos os primeiros versos do seu livro acima referido:
Terrível é o homem em que o senhor
desmaiou o olhar furtivo de searas
ou reclinou a cabeça
ou aquele disposto a virar decisivamente a esquina
Não há conspiração de folhas que recolha
a sua despedida. Nem ombro para o seu ombro
quando caminha pela tarde acima
A morte é a grande palavra desse homem
não há outra que o diga a ele próprio
É terrível ter o destino
da onda anónima morta na praia
ARCEBISPO PRIMAZ CONTRA O CAPITALISMO
No meio da crise da União Europeia, do euro, dos indignados, e do movimento Occupy London, o Doutor Rowan Williams, Arcebispo de Cantuária e Primaz de Inglaterra, manifestou a sua simpatia em relação aos protestos anti-capitalistas dos manifestantes que desde há semanas ocupam a praça fronteira à catedral de São Paulo, em Londres. Segundo o PÚBLICO, o mais alto dignitário da igreja anglicana está em consonância com o apelo feito pelo Papa Bento XVI, relativamente à criação de uma taxa "Robin dos Bosques" sobre as transacções financeiras.
Disse o Arcebispo Primaz: «Há ainda uma muito forte sensação – justa ou não – de que toda a sociedade está a pagar pelos erros e irresponsabilidade dos banqueiros, e de impaciência em relação a um regressar aos ‘negócios como de costume’, face a ausência de mudanças visíveis nas práticas bancárias».
Por outro lado, atendendo às declarações do Arcebispo e à demissão do próprio Deão da Catedral, as autoridades desistiram de limpar o acampamento dos indignados.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
FUTEBOL NO IRÃO
Segundo o jornal "i", a Federação Iraniana de Futebol suspendeu por tempo indeterminado dois dos jogadores mais famosos do país, Mohammad Nosrati e Sheys Rezaei, por "comportamento imoral". Parece que apalparam o rabo um ao outro, no entusiasmo dos golos, o que, no futebol, é a coisa mais natural do mundo.
Não consta que o Ayatollah Ali Khamenei tenha sido incomodado pelo presidente Mahmud Ahmedinejad.
A GRÉCIA NA TORMENTA
O primeiro-ministro grego Georges Papandreu, por proposta do ministro da Defesa, acaba de substituir o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas e os chefes de Estado-Maior dos três ramos: Exército, Armada e Força Aérea, conforme se lê aqui.
A decisão apanhou de surpresa todos os gregos, o próprio governo grego (já que só alguns ministros pertencem ao conselho restrito que tomou a decisão) e os líderes internacionais, agora a braços com mais uma crise, esta inesperada.
Ignora-se o motivo desta súbita resolução, especulando-se que estaria iminente um golpe de Estado. Entretanto, Merkel e Sarkozy convocaram Papandreu para uma reunião amanhã em Cannes, antes da reunião do G-20. A situação no país está a tornar-se insustentável e existe a ameaça de uma guerra civil.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
NANI CANDIDATO À BOLA DE OURO
Segundo a comunicação social, o jogador português Nani, que actualmente oferece os seus serviços ao Manchester United, foi, pela primeira vez, incluído na lista dos 23 melhores jogadores do mundo, e por isso candidatos à Bola de Ouro 2011. O outro candidato português é, evidentemente, Cristiano Ronaldo.
Já nos referimos a Nani aqui e aqui. O jovem jogador, de origem cabo-verdiana, tem-se revelado de excepcional qualidade, como o comprovam as suas prestações na equipa dirigida por Sir Alex Ferguson.
E, diga-se em abono da verdade, Cabo Verde, que foi uma das colónias portuguesas e é hoje um país independente, é uma terra especialmente dotada, que tem produzido, dentro do que actualmente se consideram PALOP's, figuras do maior interesse, seja na literatura, na música ou no desporto, como é o caso de Nani.
Apesar de 23 concorrentes, devemos torcer para que a Bola de Ouro vá para ele.
UNIÃO EUROPEIA: O PRINCÍPIO DO FIM
Admito que a União Europeia tenha sido criada com nobres intenções, nomeadamente com a ideia de evitar uma nova guerra na Europa, após os dois trágicos conflitos do século XX, desencadeados pela Alemanha e também pela Áustria, o que é quase a mesma coisa. Todavia, não resultou!
O anúncio realizado há algumas horas pelo primeiro-ministro grego Georges Papandreu de promover um referendo nacional sobre o acordo de ajuda à Grécia da última (e sucessivas vezes adiada) Cimeira do Euro e de se submeter a um voto de confiança do Parlamento é o primeiro sinal de que nos aproximamos do fim.
Pode ser que Papandreu obtenha a confiança dos deputados, mas não creio que um referendo sobre um acordo em que uma qualquer troika fique a mandar no país (berço da civilização europeia) obtenha um voto favorável. Nesse caso, não será viável, salvo a adopção de mezzo estremo (como diria Filipe II ao Grande Inquisidor, no Don Carlo) a permanência da Grécia na Zona Euro e mesmo na União Europeia.
Sarkozy e Merkel, duas figuras que tardam em sair de cena, esgotado que está o seu papel, sem capacidade para inventarem novas deixas antes do pano cair, e que representam não o interesse dos povos mas o interesse do grande capital financeiro, são dois dos grandes responsáveis pela situação a que se chegou.
É claro que os gregos, e especialmente os seus últimos governos, também são responsáveis por esbanjamento, roubo, desleixo e outras maleitas. Tal como os governos das últimas décadas em Portugal e a corrupta (salvo as honrosas excepções, que felizmente as há) classe política nacional. A Irlanda, que tem uma estrutura económica diferente da portuguesa, segue penosamente o seu caminho, com poucas esperanças de salvação. A Espanha, a Itália, a própria França, estão á beira da falência e os países nórdicos, de que apenas se exaltam as qualidades, para lá caminharão rapidamente.
Tudo isto é devido a essa entidade mítica e anónima que são os MERCADOS. Também estes se desmoronarão tão facilmente como um baralho de cartas, logo que a Europa se desfaça e os Estados Unidos reconheçam a falência da sua federação. Já faltou mais!
Há bocado, em conversa telefónica, Sarkozy e Merkel decidiram fazer aplicar o "plano de austeridade" à Grécia. Mas como? Através das armas? Talvez. Já Rui Rio, presidente da Câmara Municipal do Porto, disse dias atrás, em conferência pública, que Portugal já "pouco tem de democracia" (cito de cor). O mesmo se aplica à Europa dita democrática.
A próxima reunião do G-20, em Nice, nada resolverá. Insensível e gentil, passo a passo, lentamente, o conflito armado instala-se na mente dos governantes, com o entusiasmo dos negociantes de armamento.
Aproximamo-nos, pois, do fim de uma época. Carpe diem, como escreveu Horácio!
Adenda: A Cimeira do G-20 não é em Nice, como indicado por lapso, mas em Cannes.
AS ELEIÇÕES NA TUNÍSIA
Jean Daniel, no "Nouvel Observateur", sobre a Tunisia
TUNISIE. Des habits neufs pour l’islamisme
Publié le 31-10-11
En propulsant Ennahda à la tête de son Assemblée constituante, le pays procède à sa contre-révolution, et exprime une fidélité à l'islam renforcée. Par Jean Daniel.
Des partisans d'Ennahda fêtent la victoire de leur parti, le 25 octobre à Tunis (AFP/ FETHI BELAID) Tous ceux qui ont voulu croire que la révolution tunisienne se libérerait des impératifs religieux se sont trompés. Mais tous ceux qui ont eu besoin de croire que les islamistes tunisiens ne pouvaient pas "se moderniser" se trompés aussi. Reste à savoir si la modernisation ressemble en tous points à la démocratie.
Nous avons donc affaire en Tunisie à une contre-révolution. Ce n’est pas une revanche des prédécesseurs et ce n’est donc pas une restauration. Mais c’est le coup d’arrêt donné légalement par le peuple lui-même à la révolution qu’une partie de sa jeunesse s’était inventée et qui rayonnait comme un printemps dans le monde arabe.
On a cru que dans l’univers arabo-musulman, la révolte tunisienne introduisait la primauté de la liberté sur l’identité, et celle des principes universels sur la tradition ethnico religieuse. Il n’en est rien.
Sans doute la majorité accepte-t-elle une reformulation moderniste de l’islam qui implique le respect du statut de la femme et de quelques autres acquis démocratiques. Mais la fidélité à l’islam est au contraire renforcée, soulignée et célébrée. Le lyrisme des théoriciens franco-tunisiens l’a trop vite emporté sur le sentiment profond des populations.
Célébration du "modèle tunisien"
Les Tunisiens nous rappellent qu’une révolte même victorieuse contre le tyran peut très bien s’accommoder de la foi religieuse et même s’appuyer sur elle. Il faut compter aussi avec tous ceux que le caractère intempestif de l’émergence révolutionnaire avait inquiétés.
Les Frères musulmans, en Egypte, se sont félicités de ce que leurs frères tunisiens aient fait avancer leur propre cause. Les Libyens ont confirmé successivement le caractère théocratique de leur futur gouvernement et le fait qu’ils voulaient se présenter comme des musulmans "modérés" - sans que l’on puisse encore savoir sur quoi porte cette modération, surtout après le meurtre de Kadhafi.
Enfin, en Algérie et au Maroc, où l’on était agacé de voir célébrer à tout moment le "modèle" tunisien, la mauvaise conscience a disparu et les hommes de pouvoir se sont sentis confortés. En résumé, la crainte d’une démocratie à l’occidentale qui permettrait une indépendance totale à l’égard de la religion est dissipée. La mystique de la fidélité aux traditions l’a emporté sur le romantisme du triomphe de la liberté.
Le modèle le plus démocratique du monde arabe
Reste à savoir en quoi consiste vraiment cette modernisation tunisienne de l’islamisme que Rachid Ghannouchi nous annonce et qu’il commencé à mettre en pratique avec la formation d’un gouvernement d’Union nationale. S’il est sincère, Rachid Ghannouchi revient de loin.
Jadis disciple de Nasser, Ghannouchi n’a jamais alors dissimulé sa sympathie active pour la doctrine de Hassan el-Banna, le fondateur égyptien des Frères musulmans. Lorsqu’il a fondé son mouvement islamique en 1981, c’est-à-dire l’année où Anouar el-Sadate a été assassiné, il savait bien que les islamistes n’étaient pas des démocrates, même si on lui prête aujourd’hui d’avoir manifesté un désaveu de la violence à un moment où les intégristes de tous les pays arabes se solidarisaient avec les différents mouvements terroristes. Mais c’est un fait que Rachid Ghannouchi ne cesse de louer le régime turc et sa façon de concilier l’appartenance à l’islam et la défense de toutes les libertés. Il entend, dit-il créer le modèle le plus démocratique du monde arabe.
Dérapage
Il y a cependant beaucoup de ratés dans le nouveau personnage que veut sculpter le leader de l’islamisme tunisien. Deux jours avant le commencement de la consultation électorale, M. Ghannouchi s’est laissé aller à des menaces en fixant lui-même le nombre des électeurs au-dessous duquel il n’hésiterait pas à lancer ses troupes dans la rue. La riposte du Premier ministre Béji Caïd Essebsi a été exemplaire. On ne dira d’ailleurs jamais assez à quel point cet homme aura servi son pays dans des circonstances délicates sinon dramatiques.
Le second dérapage de Rachid Ghannouchi, a eu lieu mercredi dernier lorsqu’il a regretté la façon dont les Tunisiens mélangeaient le français et l’arabe, compromettant ainsi la sainte langue du prophète. Il faut rappeler ici que, contrairement au fondateur de la Tunisie moderne Habib Bourguiba, la seconde langue que pratique plus volontiers Rachid Ghannouchi n’est pas le français mais l’anglais. Il fait partie de cette génération d’islamistes réfugiés à Londres, ville que l’on appelait alors le "Londoustan". Cette défense de la langue arabe, qui est surtout un procès de l’usage du français, a eu lieu dans de très nombreux cercles islamistes, notamment au Maroc. Cela n’empêche nullement des milliers de jeunes maghrébins qui désirent venir en France de pratiquer notre langue.
"Renaissance"
Je ne suis nullement partisan d’un doute systématique sur la sincérité des responsables d’Ennahda, ni sur leur volonté de moderniser l’islam. Mais il faut une fois pour toute que les choses soient simples. La modernité, s’il faut employer ce mot pour éviter le sulfureux terme de "laïcité", consiste à séparer le pouvoir de la foi et l’Etat de la religion. C’est simple, c’est clair et les implications sont évidentes. Si tel est le projet de Rachid Ghannouchi , alors pourquoi continuer à se réclamer de l’islamisme et non de l islam ? Après tout, Ennahda veut dire "renaissance", et peut très bien se passer - si on le décide - de toutes connotations religieuses.
Il ne s’agit pas seulement pour Rachid Ghannouchi et les siens de rassurer les opposants, les touristes et les investisseurs devant l’immensité des problèmes économiques et financiers qui se posent déjà à ce petit pays. Il s’agit aussi, et c’est essentiel, de freiner le zèle et la subversion des extrémistes religieux qui vont progresser comme toujours lorsqu’ils estiment que leurs idées sont au pouvoir et qu’ils ont décidé de la victoire. Alors, on découvrira que les vrais islamistes sont ceux qui s’opposent à la modernisation démocratique de l’islam.
Jean Daniel - le Nouvel Observateur
Nous avons donc affaire en Tunisie à une contre-révolution. Ce n’est pas une revanche des prédécesseurs et ce n’est donc pas une restauration. Mais c’est le coup d’arrêt donné légalement par le peuple lui-même à la révolution qu’une partie de sa jeunesse s’était inventée et qui rayonnait comme un printemps dans le monde arabe.
On a cru que dans l’univers arabo-musulman, la révolte tunisienne introduisait la primauté de la liberté sur l’identité, et celle des principes universels sur la tradition ethnico religieuse. Il n’en est rien.
Sans doute la majorité accepte-t-elle une reformulation moderniste de l’islam qui implique le respect du statut de la femme et de quelques autres acquis démocratiques. Mais la fidélité à l’islam est au contraire renforcée, soulignée et célébrée. Le lyrisme des théoriciens franco-tunisiens l’a trop vite emporté sur le sentiment profond des populations.
Célébration du "modèle tunisien"
Les Tunisiens nous rappellent qu’une révolte même victorieuse contre le tyran peut très bien s’accommoder de la foi religieuse et même s’appuyer sur elle. Il faut compter aussi avec tous ceux que le caractère intempestif de l’émergence révolutionnaire avait inquiétés.
Les Frères musulmans, en Egypte, se sont félicités de ce que leurs frères tunisiens aient fait avancer leur propre cause. Les Libyens ont confirmé successivement le caractère théocratique de leur futur gouvernement et le fait qu’ils voulaient se présenter comme des musulmans "modérés" - sans que l’on puisse encore savoir sur quoi porte cette modération, surtout après le meurtre de Kadhafi.
Enfin, en Algérie et au Maroc, où l’on était agacé de voir célébrer à tout moment le "modèle" tunisien, la mauvaise conscience a disparu et les hommes de pouvoir se sont sentis confortés. En résumé, la crainte d’une démocratie à l’occidentale qui permettrait une indépendance totale à l’égard de la religion est dissipée. La mystique de la fidélité aux traditions l’a emporté sur le romantisme du triomphe de la liberté.
Le modèle le plus démocratique du monde arabe
Reste à savoir en quoi consiste vraiment cette modernisation tunisienne de l’islamisme que Rachid Ghannouchi nous annonce et qu’il commencé à mettre en pratique avec la formation d’un gouvernement d’Union nationale. S’il est sincère, Rachid Ghannouchi revient de loin.
Jadis disciple de Nasser, Ghannouchi n’a jamais alors dissimulé sa sympathie active pour la doctrine de Hassan el-Banna, le fondateur égyptien des Frères musulmans. Lorsqu’il a fondé son mouvement islamique en 1981, c’est-à-dire l’année où Anouar el-Sadate a été assassiné, il savait bien que les islamistes n’étaient pas des démocrates, même si on lui prête aujourd’hui d’avoir manifesté un désaveu de la violence à un moment où les intégristes de tous les pays arabes se solidarisaient avec les différents mouvements terroristes. Mais c’est un fait que Rachid Ghannouchi ne cesse de louer le régime turc et sa façon de concilier l’appartenance à l’islam et la défense de toutes les libertés. Il entend, dit-il créer le modèle le plus démocratique du monde arabe.
Dérapage
Il y a cependant beaucoup de ratés dans le nouveau personnage que veut sculpter le leader de l’islamisme tunisien. Deux jours avant le commencement de la consultation électorale, M. Ghannouchi s’est laissé aller à des menaces en fixant lui-même le nombre des électeurs au-dessous duquel il n’hésiterait pas à lancer ses troupes dans la rue. La riposte du Premier ministre Béji Caïd Essebsi a été exemplaire. On ne dira d’ailleurs jamais assez à quel point cet homme aura servi son pays dans des circonstances délicates sinon dramatiques.
Le second dérapage de Rachid Ghannouchi, a eu lieu mercredi dernier lorsqu’il a regretté la façon dont les Tunisiens mélangeaient le français et l’arabe, compromettant ainsi la sainte langue du prophète. Il faut rappeler ici que, contrairement au fondateur de la Tunisie moderne Habib Bourguiba, la seconde langue que pratique plus volontiers Rachid Ghannouchi n’est pas le français mais l’anglais. Il fait partie de cette génération d’islamistes réfugiés à Londres, ville que l’on appelait alors le "Londoustan". Cette défense de la langue arabe, qui est surtout un procès de l’usage du français, a eu lieu dans de très nombreux cercles islamistes, notamment au Maroc. Cela n’empêche nullement des milliers de jeunes maghrébins qui désirent venir en France de pratiquer notre langue.
"Renaissance"
Je ne suis nullement partisan d’un doute systématique sur la sincérité des responsables d’Ennahda, ni sur leur volonté de moderniser l’islam. Mais il faut une fois pour toute que les choses soient simples. La modernité, s’il faut employer ce mot pour éviter le sulfureux terme de "laïcité", consiste à séparer le pouvoir de la foi et l’Etat de la religion. C’est simple, c’est clair et les implications sont évidentes. Si tel est le projet de Rachid Ghannouchi , alors pourquoi continuer à se réclamer de l’islamisme et non de l islam ? Après tout, Ennahda veut dire "renaissance", et peut très bien se passer - si on le décide - de toutes connotations religieuses.
Il ne s’agit pas seulement pour Rachid Ghannouchi et les siens de rassurer les opposants, les touristes et les investisseurs devant l’immensité des problèmes économiques et financiers qui se posent déjà à ce petit pays. Il s’agit aussi, et c’est essentiel, de freiner le zèle et la subversion des extrémistes religieux qui vont progresser comme toujours lorsqu’ils estiment que leurs idées sont au pouvoir et qu’ils ont décidé de la victoire. Alors, on découvrira que les vrais islamistes sont ceux qui s’opposent à la modernisation démocratique de l’islam.
Jean Daniel - le Nouvel Observateur
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