segunda-feira, 31 de outubro de 2011

A PALESTINA NA UNESCO


A Palestina foi hoje admitida como o 195º Estado-membro da UNESCO, por 107 votos a favor, 14 votos contra e 52 abstenções. Votaram contra os Estados Unidos, que declararam retirar o seu apoio à UNESCO caso a Palestina fosse admitida, Israel, evidentemente, a Alemanha, etc. Entre os abstencionistas, Portugal, o Reino Unido e a Itália. A favor, a grande maioria dos países que integram aquela organização da ONU para a cultura e a ciência, entre os quais a França, a Rússia, a China, o Brasil, a Índia, a África do Sul, etc.

A votação de hoje é um claro desafio à política americana e israelita relativamente ao conflito na Palestina, e constitui uma mensagem para a próxima votação da admissão da Palestina nas Nações Unidas, como Estado de pleno direito, a realizar  brevemente pelo Conselho de Segurança.

Ver vídeo publicado no GUARDIAN

sábado, 29 de outubro de 2011

A RÚSSIA NÃO MUDA A HORA

A Rússia não vai atrasar em uma hora os seus relógios este domingo. A partir deste ano, por decisão do Presidente Dimitri Medvedev, os russos vão passar a ter a mesma hora ao longo de todo o ano, pondo fim ao tradicional horário de Inverno em vigor nas últimas três décadas.

Segundo o PUBLICO, os russos, no futuro, terão sempre a mesma hora ao longo do ano. Sábia decisão do presidente Medvedev. Baseada em sólidas considerações. A manutenção da hora em todo o mundo (independentemente dos fusos horário, é óbvio) traria muito mais vantagens do que inconvenientes. Mais de metade dos países do mundo continuam a ter, estupidamente, ou baseados em argumentos inconfessáveis, uma hora de Verão e outra de Inverno. É a hora de a hora deixar de mudar.

A maioria esmagadora dos russos apoia Medvedev. Estou certo de que a maioria dos portugueses apoiaria decisão semelhante.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

DER "ANSCHLUSS" VON ANGELA MERKEL


Após inúmeras manobras dilatórias da Alemanha, coadjuvadas pelo potencial candidato presidencial francês Nicolas Sarkozy, realizou-se finalmente em Bruxelas a Cimeira do Euro.

Três resoluções: perdão de 50% da dívida grega, aumento do valor do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira para um milhão de euros e recapitalização dos bancos. Os pormenores constam dos noticiários.

Medidas de fundo: nenhuma. Estas decisões, arrancadas a ferro aos alemães, que mesmo assim não vão participar com mais dinheiro no FEEF (uma condição imposta pelo Bundestag a Angela Merkel) são paliativos para a crise económica e financeira europeia. Continua a existir um desfasamento absoluto entre a Europa política (que só pensa em eleições) e a Europa real (a dos cidadãos que nela nascem, vivem e morrem).

A Alemanha ambiciona a supremacia sobre a Europa, agora já não através de uma anexação militar (os tempos mudaram) mas através do poder económico. Angela Merkel tem sido o instrumento dessa política germânica e dos homens e mulheres que se sentam no Reichstag (ou Bundestag, se preferirem).

A política de fundo da União Europeia é que está errada e sem uma alteração profunda nenhumas medidas conduzirão à salvação desta União, do Zona Euro e dos cidadãos europeus.

Porque não investir de poderes, próprios de um verdadeiro banco da União, o Banco Central Europeu? Poderia ser uma forma de recuperar os desequilíbrios actualmente existentes. Têm sido aventadas por especialistas diversas outras soluções, não perfilhadas porém pelos actuais líderes, dominados por preocupações diferentes.

A globalização da economia suscitou desafios novos. Mas não há estratégias novas e pretendem aplicar-se os remédios clássicos. Não resulta.

Dentro de dias ou semanas, a situação da Grécia, que recebeu uma nova fatia de apoio mas cuja economia e sociedade se afundam quotidianamente, será idêntica. Portugal seguir-lhe-á as pisadas. A Irlanda é um caso semelhante embora os contornos sejam diferentes. A Espanha e a Itália encontram-se em situação já sobejamente conhecida. E a França, a ver vamos, para não falar de outros pequenos países que serão arrastados pela corrente.

O "Directório franco-alemão" que se instalou é uma caricatura da UE. E os outros países? Cavaleiro da triste figura, importa que Sarkozy abandone o palco quanto antes e deixe a Alemanha aparecer em todo o seu esplendor expansionista. Então, é o momento das grandes decisões.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

UMA FLORESTA DE ENGANOS


Estão actualmente os portugueses embrenhados numa floresta de enganos. Pior que a Floresta de Birnam, que se deslocou transportada por guerreiros para derrotar Macbeth, a floresta de contradições da política portuguesa arrisca-se a destruir-se a si mesma. Com ou sem a morte de Macbeth.

Ainda ontem, o Conselho de Estado, reunido na plenitude dos seus membros, emitiu um comunicado que disse nada. Clamam as oposições contra as medidas de austeridade e especialmente contra a falta de equidade das mesmas. Protestam muitos, mesmo dentro dos partidos da coligação governamental, contra a desigualdade da atribuição da austeridade, donde saem sempre favorecidos aqueles que por natureza já o são. O próprio presidente da República inquieta-se quanto às medidas do governo. Os juízes dizem que não aplicarão leis que considerem injustas. Os polícias já se manifestaram e os militares vão manifestar-se. As centrais sindicais preparam uma greve geral, independentemente das greves sectoriais já em curso. Ignora-se a votação do PS na Assembleia da República. O povo, quando no próximo ano avaliar no seu bolso da maldade das medidas, sairá, certamente, à rua. Diz-se que Portugal não é a Grécia. A ver vamos.

O Governo invoca sistematicamente a chamada troika e as suas exigências e proclama que tem de agravá-las (é a romagem dos agravados, de Gil Vicente, que também se preocupou com a floresta de enganos, mal ele sabia o que ainda haveria de chegar) para ganhar credibilidade internacional; mas não consegue explicar porquê. Diz mesmo, pela voz do primeiro-ministro, que alguma alteração nas medidas fundamentais preconizadas inviabilizaria o país de ter dinheiro no mês de Novembro. Não sei quem lhe disse isso ou se é apenas a sua intuição.

Poucos portugueses conhecem o texto do tão invocado acordo, mas quem conhece sabe que o que consta do Orçamento para 2012 ultrapassa a matéria consignada no texto. A austeridade que nos é imposta visa outros objectivos, aliás já denunciados em numerosos fóruns. A Grécia vai obter metade do perdão da sua dívida, mas quando em Portugal se fala em reestruturar a dívida, logo alguém diz que não mais teríamos crédito internacional.

Quero registar aqui uma palavra de congratulação. Pedro Passos Coelho, apesar de fazer agora tudo o que negara durante a campanha eleitoral, sempre se considerou como um liberal (diga-se em abono da verdade) e ao elegê-lo foram os portugueses estúpidos ao conceder-lhe o voto. Eu sei, bem sei, que o bom povo português estava farto de Sócrates e só desejava vê-lo pelas costas, e como o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda ainda metem medo a muita gente, a única alternativa era votar na "direita". Julgavam que PPC não seria tão ultra-liberal. Pois lixaram-se.

A agenda de Passos Coelho, ultrapassando a de muitos chefes de governo da União Europeia (toda ela ao serviço do capital financeiro) consiste no desmantelamento progressivo (porque é impossível de realizar de uma só penada, ou neste caso ramada, porque falamos de floresta) do estado social e da destruição do sector público, que deverá ser entregue a privados, preferencialmente estrangeiros. Refiro-me à parte que dá lucro, pois a que dá prejuízo continuará na posse do Estado e será paga pelos cidadãos contribuintes.

Não quero dizer que não tenha havida nestas últimas décadas um regabofe em muitos sectores públicos, especialmente por parte dos seus dirigentes. Que a promiscuidade dos políticos que vão para as empresas, sem período de nojo, é um escândalo nacional. Que a aliança do poder autárquico com o futebol e o betão, já largamente denunciada, é coisa que nem ouso classificar aqui, por respeito para com os leitores.

Delapidaram-se nestas décadas milhões de milhões de euros (além dos que foram roubados). Desde Cavaco Silva, com Guterres, com Durão, finalmente com Sócrates. Não esquecendo Alberto João Jardim. O país foi ficando no pântano, de tanga, com um desvio colossal e monstruoso, realmente a saque. Já o general Carmona dissera, em tempos, que a Pátria estava doente. Voltou hoje a estar. Mas receio bem que o remédio prescrito pelo Governo vá matá-la com a cura.

VITÓRIA DOS ISLAMISTAS NA TUNÍSIA


O partido islâmico Ennahda venceu as eleições tunisinas para a Assembleia Constituinte, com cerca de 40% dos votos, embora não tenham sido ainda publicados os resultados oficiais. Num país secularizado desde a sua independência, pela mão de Burguiba, o pai da Pátria, e depois por Ben Ali, este resultado é surpreendente, embora só aparentemente, e era previsível desde há meses. A vitória de Ennahda não tem só a ver com a religião mas também com a situação política internacional e com o passado recente do país.

O líder Rachid Ghannuchi reclama para o seu partido a liderança do novo governo, embora se declare aberto a coligações com as outras formações mais votadas, nomeadamente o Ettakatol, de Mustafa Ben Jaafar e o Congresso para a República, de Moncef Marzuki. Cabendo à assembleia agora eleita a designação de um presidente da República interino, Ben Jaafar manifestou já a sua vontade de candidatar-se.

Com um Conselho Nacional de Transição, na Líbia, que se reclama da sharia, embora proclamando o respeito pelos direitos humanos, a nova governação da vizinha Tunísia suscita as maiores interrogações.

Uma certeza, porém. A "nova" Tunísia será muito diferente daquela que os visitantes estrangeiros, estudiosos ou turistas, conheceram. A menos que uma dose de realismo leve os novos dirigentes a adoptar uma política pragmática, até para evitar a fuga do turismo, uma das principais fontes de receita nacional.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

APELO DA UNESCO SOBRE A LÍBIA

Leptis Magna - Arco de Trajano

A directora-geral da UNESCO, Irina Bokova, lançou um apelo às novas autoridades líbias para que protejam os tesouros arqueológicos e o comércio ilegal, após a conclusão da invasão do país, agendada para 31 deste mês. Citou Bokova a pilhagem, os roubos e as depredações ocorridas no Iraque depois do ataque anglo-americano e também os vários roubos e devastações verificados no Egipto a seguir à queda de Hosni Mubarak.

Segundo o PÚBLICO, a UNESCO forneceu às forças atacantes da NATO as coordenadas dos principais espaços culturais líbios, a fim de evitar que fossem bombardeados, como sucedeu em muitos casos no Iraque, apesar dos avisos daquela organização ao presidente Bush, que, como analfabeto funcional, os não entendeu.

Em períodos de grande instabilidade política e económica, actualmente o caso da Líbia, os sítios arqueológicos e os museus são os locais mais ameaçados pelos roubos.

domingo, 23 de outubro de 2011

A NOVA TUNÍSIA

العديد من التهاني

Realizaram-se hoje na Tunísia as primeiras eleições livres desde há décadas e as primeiras que têm lugar num país árabe, depois das revoltas desencadeadas contra os regimes vigentes e que iniciaram a chamada "Primavera Árabe".

O escrutínio, acompanhado por observadores internacionais,  decorreu com normalidade, tendo-se registado alguns esporádicos incidentes como refere a cadeia Al Jazira. O líder do partido islâmico Ennahda (Renascimento), Rachid Ghannouchi, que vivia exilado em Londres e regressou ao país após o derrube de Ben Ali, foi apupado quando se dirigia ao seu local de voto na circunscrição eleitoral de Menzah VI, um dos distritos da cidade de Tunis, a capital. Existem na Tunísia, país com uma população jovem, 7,5 milhões de potenciais votantes, ainda que estejam registados como eleitores apenas 4,4 milhões.

A votação de hoje destina-se a eleger os 217 membros de uma assembleia constituinte, destinada a redigir a nova Constituição do país, a designar um presidente da República interino e a avalizar o governo da 2ª transição democrática. As previsões atribuem ao partido islâmico uma votação maioritária, ainda que as decisões da assembleia estejam dependentes das coligações que vierem a constituir-se. De qualquer forma, a Tunísia que, pelo menos nos meios urbanos, se secularizou no tempo de Ben Ali, importa dizê-lo, dificilmente aceitaria agora a imposição de um regime islâmico, apesar da propaganda difundida nos últimos meses.

Concorrem à nova assembleia mais de 11.000 candidatos, repartidos por mais de 1.500 listas e representando 80 partidos políticos e centenas de independentes. A votação encerra às 19 horas de Tunis (e de Lisboa, neste momento estamos no mesmo fuso horário) e a afluência às urnas é estimada em 70% dos inscritos. Os resultados do escrutínio deverão ser conhecidos amanhã ou, no máximo, na próxima terça-feira.

A todos os meus amigos tunisinos endereço felicitações por este acto e desejo que ele possa ser o início de uma nova Tunísia, laica (sem relegar os valores culturais religiosos), independente de influências estranhas, próspera  e acolhedora dos estrangeiros seus amigos, como sempre a conheci.

sábado, 22 de outubro de 2011

CATEDRAL DE S. PAULO, EM LONDRES, FECHA AS PORTAS


Pela primeira vez, desde a Segunda Guerra Mundial, a Catedral de São Paulo, esse notável monumento de arquitectura e da religião anglicana, o último grande templo cristão a ser construído na Europa, fechou as suas portas.


Muitas centenas de pessoas permanecem instaladas nas escadarias da igreja e acampadas no largo fronteiro, protestando contra "a crise e os excessos do capitalismo". Os "indignados" que no princípio da semana tinham montado 70 tendas, possuem agora mais de 200. Durante o dia de hoje milhares de ingleses passaram frente à Catedral a fim de escutarem os discursos proferidos pelos manifestantes  do alto das escadarias.